Filho de Pedro e Maria. Casado com Zalene. Esse é Ademir da Silva Matos. Nascido em Braço do Norte, o técnico em contabilidade comandou o município por dois mandatos, entre 1997 e 2004. Longe da prefeitura, assumiu a secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão. Em 2008, concorreu à terceira eleição a prefeito, e venceu com mais de seis mil votos de diferença para o segundo colocado. Porém, foi impedido de assumir o cargo, pois teve a candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, é pré-candidato e tenta reescrever a história que não pôde nos últimos quatro anos.
 
 
Thiago Oliveira
Tubarão
 
Notisul – Por que você é pré-candidato a prefeito de Braço do Norte?
Ademir Matos – Primeiro, pelo anseio da população. Como fui prefeito, vejo a população ansiosa. Ando nas ruas e a população pede isso. E também porque acredito que reúno todas as condições pela experiência que tive como prefeito, como secretário de desenvolvimento regional. Por isso, eu coloco o meu nome à disposição, e por acreditar que eu posso fazer muito pela cidade. Por saber do que Braço do Norte precisa. Quero fazer com que a nossa cidade possa crescer e quero elevar a autoestima do nosso povo. 
 
Notisul – Como o senhor vê o município hoje?
Ademir Matos – Braço do Norte é um município que por si só progride. Temos jovens empresários empreendedores. As maiores empresas de Braço do Norte são empresas de fundo de quintal, que nasceram pequenas e hoje dão exemplo para Santa Catarina, como destaques de importação e exportação. Temos uma indústria diversificada. E hoje sentimos que falta planejamento do poder público. Isso faz com que a cidade sinta. Desde as organizações da obra que são deixadas para o último momento. Falta planejamento. Ainda tem a imposição para que as pessoas paguem por essas obras. A população não aguenta mais isso. A carga tributária é uma das mais altas do mundo. O povo não aguenta pagar imposto. Os recursos são colocados em obras. Tu não pode cobrar do povo. Se a cada pavimentação o povo tiver que pagar, ele não vai conseguir. Vivemos com a falta de planejamento, e as promessas não cumpridas que geraram uma expectativa negativa na cidade. 
 
Notisul – O que o senhor teria feito de diferente nesses quatro anos se tivesse assumido a prefeitura?
Ademir Matos – O nosso programa era para sair da mesmice. Era bem elaborado, em todos os segmentos. Na infraestrutura, pensamos em um anel viário, que é algo que Braço do Norte precisa urgentemente. Além de desafogar o trânsito do centro, vai oportunizar uma área muito grande para que possa construir o parque industrial. Para melhorar as nossas empresas e aumentar os empregos. Senão, nós vamos perder essas empresas. Estamos em um ponto em que qualquer cidade pode oferecer melhores condições para elas. Em primeiro lugar, temos é que manter as nossas empresas. Oferecer condições para que elas possam crescer lá dentro. E, depois, trazer outras empresas para Braço do Norte. Se nós valorizarmos as nossas, empresas, os nossos empreendedores que são arrojados, vamos criar muitos postos de empregos. Tem que fazer com que os recursos venham sem cobrar nada do povo. E eu posso falar isso porque eu fui prefeito. Tu podes fazer parcerias, desde que a população possa pagar. Está sendo cobrado o asfalto da população em dez vezes, sendo que a prefeitura pegou financiamento e vai pagar em 36 vezes. Por mais boa vontade que a pessoa tenha em contribuir, às vezes não dá para pagar em 10 vezes. Se fosse em 24 ou 36, ela poderia. Não pode impor. Afinal, uma obra na sua casa, você faz de acordo com a sua necessidade. Tem é que oferecer vantagem para quem pagar em menos vezes e não impor. Braço do Norte ficou assim. O que eu teria mudado? O investimento, os recursos que viriam. Só estão fazendo obras agora, e judiam do nosso povo. Braço do Norte arrecadou R$ 40 milhões. Mesmo assim, o próximo prefeito já vai pegar uma divida de oito milhões em financiamentos. 
 
Notisul – O senhor ainda tem alguma questão judicial que possa impedir a sua candidatura? 
Ademir Matos – Não. Por isso, eu torci muito pela lei da ficha limpa. Rezei para que ela fosse aprovada. Os nossos adversários são muito espertos, e chegaram a confundir a justiça eleitoral na minha época. Foi a própria justiça, por sinal, que reconheceu que eu não tinha nada. A eleitoral teve o entendimento, mas foi o presidente que desempatou contra. Nós não buscamos recurso no STF para não esticar a situação. Para não ficar com prefeito interino por um ano. E o prefeito tinha uma imagem da cooperativa. Ele investiu em mídia. Mas deixou a cooperativa como uma das piores do estado. Ele deixou inviabilizada. E nessa lei da ficha limpa ficou bem claro se o candidato pode ou não concorrer. Qualquer candidato que a lei dizer que não pode, ele ainda pode buscar condições na justiça, mas isso eu não vou fazer. Se a justiça eleitoral me der condições, eu sou candidato. Como me deu hoje, como eu tenho todas as certidões. Não tenho nenhum problema e vou calmo, pois provou-se o equívoco que houve lá atrás. Agora, o jogo tem regras. Cometeram uma injustiça comigo, fizeram de tudo para inviabilizar que nós assumíssemos. Investiram tudo o que puderam, assumiram a prefeitura e deixaram a cidade em um caos. Deixaram o povo desmotivado. A pessoa pode cometer uma improbidade e ainda assim ser probo. Pode ser uma falha administrativa como o nosso caso. Perdemos o caso por um pagamento que fizemos em duplicidade. Mas, por um equívoco, nunca tomamos conhecimento disso. E os nossos adversários com muita habilidade conseguiram. Mas a lei da ficha limpa determina quem pode e quem não pode ser candidato. Os adversários vão dizer o que hoje? A lei é clara. Eu tenho a minha condição. No dia 5 de julho, dia das convenções, vamos ver quem pode registrar candidatura e quem não pode.
 
Notisul – Que avaliação o senhor faz do atual prefeito (Vânio Uliano – PP), seu provável adversário nestas eleições?
Ademir Matos – A avaliação quem tem que fazer é a população, e a gente sente a indignação do povo pelas promessas não cumpridas, pela falta de planejamento da cidade. Nós sabemos o que poderia ter sido feito. Ele prometeu mil casas populares sem saber onde fazer. A população sente. Nunca houve tanto investimento em Braço do Norte, e deixaram para agora fazer as obras, sem planejamento. E a contrapartida ou é dinheiro de fora, financiamento, ou impor à população para pagar. Independente de ela poder pagar ou não. Pessoas honradas choram porque não sabem como pagar isso. Não teve uma discussão. O povo está totalmente insatisfeito com esse governo. 
 
Notisul – O senhor foi prefeito por dois mandatos. O que fez naquela época que faria diferente hoje?
Ademir Matos – Aquela época era diferente. Não tínhamos delegacia, não tínhamos corpo de bombeiros. Fizemos um planejamento todo. Posto de saúde tinha um ou dois. Criamos o PSF com toda uma estrutura. Estive em Cuba para ver como funcionava o programa deles da saúde da família que é referência mundial e implantamos em Braço do Norte. No social, fizemos programas desde campanha do cobertor à casa do idoso. Pegávamos o idoso, colocávamos no que chamávamos carinhosamente de creche do idoso. Lá tinha medicação, banho, à noite levávamos para o convívio da família, em casa. Nos enquadramos em todos os programas do governo federal. Fizemos um planejamento forte em saúde. Na parte de infraestrutura, fizemos o primeiro asfalto. Sem cobrar um centavo da população. Tudo com recurso. Planejamos a cidade. Hoje, nós temos é a experiência adquirida naquele período. Temos a facilidade de contato com as nossas lideranças e saber onde buscar esses recursos sem que seja no suor do povo. A situação é diferente. Na nossa época, nas casas populares, eu tive que comprar o terreno, fazer toda a infraestrutura. Recebemos 20% do valor. O resto a prefeitura bancou tudo. E sem cobrar nada da população. As pessoas que vão ser beneficiadas por isso não têm como pagar. 
 
Notisul – Sobre a campanha, como estão as coligações?
Ademir Matos – Estamos buscando. O partido buscou, criou uma comissão, inclusive eu faço parte dela, para buscar as coligações. Estamos buscando parceiros aliados, os naturais. É o concorrente que procura todo mundo oferecendo tudo. Oferece para qualquer vereador, não importa de que partido seja. Partidarizou as secretarias. Estamos procurando os aliados que estão de acordo com o nosso plano de governo. Até porque eu acho uma falta de ética buscar um parceiro que está na prefeitura. Se eles estão lá, é porque concordam com a administração. Não concordamos com isso, e nem a população. A partir do momento que não estão inseridos nessa administração, conversamos com todos, sem exceção. Hoje, o modelo político é esse, mas estamos buscando os parceiros que querem o melhor para a cidade. O que é preciso é um plano de governo para a cidade. E os partidos aliados se vinculam nesse plano para melhorar a vida das pessoas. 
 
Notisul – Quem são os parceiros hoje?
Ademir Matos – O PSD que já foi vice nosso. Já trabalhamos junto em um projeto para a cidade voltar a crescer. E aqueles que estão descontentes com a administração, porque quem acha que está bom, vai ficar com eles. Quem acha que está tudo equivocado vem conosco. O município tem que ser o animador. O resto a população faz. Não estamos coligando, oferecendo vantagens para partido ou outro. Oferecemos um programa de governo. Quem aceitar vem conosco.
 
Notisul – Algum nome em pauta para ser vice?
Ademir Matos – Não. O partido que vem é que lança o nome. E temos grandes nomes em Braço do Norte. Sempre tenho dito, e eu acredito ainda, que vamos reeditar a aliança Ademir e Charles (Bianchini), que foi o vencedor do primeiro projeto. Desenvolvemos na mesma linha. 
 
Notisul – E como foi a sua experiência como secretário de desenvolvimento regional?
Ademir Matos – Foi muito boa.  Foi um aprendizado grande. E eu aprendi muito em Tubarão. Sinto-me muito à vontade, e inclusive recebi o título de cidadão tubaronense. Tive o trabalho facilitado porque foi muito fácil trabalhar com as entidades. O aprendizado foi e é muito grande. Abre a cabeça. Você vê que é um agente político e tem que buscar o entendimento com quem produz. E na assessoria da presidência da Celesc trabalhei com profissionais muito técnicos, que pensavam em planejamento. Se você não planejar, a sua vida não vai para frente. No setor público, é prioridade absoluta. Tem que honrar isso. Se eu vou em uma entidade ou em uma comunidade, e prometo alguma coisa, eu tenho que cumprir. Se o plano de governo não pode ser cumprido, tem que explicar, ver o que pode ser feito. Tanto que o nosso plano de governo foi cumprido em 82%. E é lei. Tem que registrar esse programa de governo. Se o plano atual tivesse sido registrado, seria marcado como calote eleitoral.
 
Ademir por Ademir 
Deus – O ser supremo, a nossa luz.
Família – A base de tudo.
Trabalho – Dignifica o homem. 
Passado – O meu foi muito árduo. Fui engraxate. Morei em São Paulo e voltei para ser prefeito da minha cidade.
Presente – Muito bom.
Futuro – Perspectivas muito grandes.
 
"Braço do Norte precisa voltar a ter destaque. Temos que levantar a autoestima. Quando eu era prefeito, levamos muitas empresas para lá. Que foram embora por falta de apoio, de incentivo. Precisamos fazer um investimento forte. Cuidar primeiro das nossas empresas. Eles querem um prefeito animador, que não queira sugar a sociedade. Foram criadas várias taxas em Braço do Norte que no meu governo eu não cobrava. Nunca cobramos taxa de lixo, nem iluminação pública, pois já estava embutido em um todo. Temos é que buscar recursos. A população sente isso, que falta o animador. E não fazer projeto na câmara para incluir no Serasa as pessoas com débito na prefeitura. Isso é um absurdo. Quando você faz isso, parece que tem raiva do povo. E é ele que produz. Braço do Norte perdeu o foco disso. O prefeito ficou 14 anos na cooperativa e esqueceu do povo. Ele mesmo diz que não fala com o povo. Acha que a ideia dele tem que ser imposta. O prefeito prometeu mil casas, não fez nenhuma, e agora no fim do mandato estava tentando fazer 200 e nem terreno tem. Tem que envolver a sociedade, pois é ela que sabe o que precisa. É muito fácil sumir e aparecer só na hora da eleição. É fácil chegar e dizer que esqueceu do povo e vai melhorar. A população é sábia. Eles votam e tiram!"
 
"Se tivéssemos recorrido depois das eleições de 2008, eu teria assumido a prefeitura um ano depois. Nós fizemos um gesto de ter uma eleição rápida, e os nossos adversários aproveitaram.”
 
“Cada partido tem que indicar o melhor candidato. É como se fosse um time. Tem que colocar os melhores para jogar.”