O delegado regional em Tubarão, Ulisses Gabriel, nasceu em Turvo e tem 31 anos. Concluiu a faculdade de direito em 2005, na Unisul, em Araranguá. Assim que se formou, foi aprovado no concurso para delegado. E não parou por aí. Fez especializações em direito processual, em marketing empresarial e gestão corporativa. Tubarão, Criciúma, Orleans e Florianópolis foram cidades onde já atuou na área de segurança. É professor universitário desde 2006 e lecionou em Florianópolis, Araranguá, Tubarão e Orleans. Está licenciado do magistério em função do cargo que assumiu recentemente. É professor da Academia de Polícia Civil de Santa Catarina, onde também é membro da comissão do concurso para delegado. Ulisses é escritor, com livros e artigos publicados. Sempre teve uma veia voltada para a literatura e, na sua trajetória como aluno universitário, foi um destaque constante. É casado com Thayni da Silva que, como ele afirma, foi uma das grandes motivadoras em todos os sentidos de sua vida. Thayni é conselheira de administração e também é formada em direito.  
 
 
Mirna Graciela
Tubarão
 
Notisul – Como foi a sua vinda para a Delegacia Regional de Tubarão? 
Ulisses – Estou aqui desde o último dia 20. Recebi o convite em outubro, mas, em razão do falecimento do meu sogro, acabei não aceitando naquele momento. No dia 8 de janeiro, o secretário de segurança pública me liga, estava com o delegado geral do estado, e disse: “não, agora não é mais um convite, é uma missão”. Como sempre digo, não sou pessoa de rejeitar as missões que me passam, então acabei assumindo essa empreitada aqui na delegacia regional.
 
Notisul – Como é o trabalho na delegacia regional e a abrangência?
Ulisses – Temos, em nossa região, 14 municípios. Todos são vinculados à minha coordenação, então os delegados que atuam na região ficam subordinados a mim nesta parte administrativa. Assim, aqui na Delegacia Regional, além dos vários serviços oferecidos à população, temos que cuidar da gestão de todas as outras delegacias, como, por exemplo, o efetivo, as viaturas, os materiais, a estrutura, então tudo isso é gerido por aqui.     
 
Notisul – E a dinâmica do dia a dia?
Ulisses – Visito os municípios da região porque tenho que vislumbrar as dificuldades de cada um deles na prática para poder gerir as delegacias e bem servir a população. O delegado regional é um grande gestor, por isso o conhecimento em administração é muito importante. Então, é importante estar ‘in loco’, visitando, motivando, ir aos setores, ver o trabalho das pessoas, parabenizá-las, cobrá-las quando houver necessidade e fazer aquele trabalho apolítico, independentemente da cor partidária, da situação financeira. Temos que dar um atendimento qualificado às pessoas, isso que tenho pregado.  
  
Notisul – Já há um planejamento, algo traçado à frente da delegacia?
Ulisses – Nos últimos dias, projetei dez metas. A primeira é a criação de um núcleo de inteligência aqui na Delegacia Regional para que esses dois policiais que o integrarão possam fazer com que há uma troca de informações entre todas as unidades policiais porque, via de regra, um criminoso que atua em Jaguaruna acaba agindo também em Tubarão ou Capivari, por exemplo. Então, temos que ter essa troca de informações. Na próxima semana pretendemos colocar isso em prática. O segundo objetivo é criar um setor dentro da Divisão de Investigações Criminais de combate às drogas e outra de homicídios, isso também acumularia ao trabalho contra o crime organizado. A ideia é criar também no setor de investigação criminal da Central de Plantão Policial uma divisão de combate a furtos e roubos. Outra pretensão é fortalecer o setor de jogos e diversões para que possamos estar em constante fiscalização nestes estabelecimentos que não cumprem a legislação para interditá-los e garantirmos a segurança da população. Almejamos criar mecanismos e, já estou cobrando isso, de controle de gastos de energia, água e combustível porque se economizarmos, o delegado geral disse que teremos direitos a benefícios. Inclusive editei uma portaria para todos os delegados da região para que isso ocorra. O nosso atendimento já é qualificado, mas precisamos sempre melhorar a qualidade e a rapidez para que o cidadão não espere muito. Também padronizar os trabalhos da Polícia Civil, um documento padrão a todas as delegacias, assim todos irão falar uma mesma linguagem. A implementação, com o apoio da Unisul, para auxiliar na capacitação dos policiais com a possibilidade de criarmos cursos em parceria com os laboratórios para elevar a qualidade e a gestão no atendimento é outra ação. Um ponto fundamental é fazer com que os policiais tenham maior participação em ações sociais para estarem mais integrados à sociedade porque sabemos que é assim que colhemos as informações para que investiguemos e elucidemos os crimes.    
 
Notisul – Com está a estrutura da delegacia regional? É adequada? 
Ulisses – Nosso espaço é muito pequeno, tanto é que temos uma unidade no bairro Revoredo. É muito calor no local. Lá, emitimos licenciamento de veículos, fazemos os testes de volantes, entre outros. Então, há uma dificuldade neste sentido. Precisaríamos de um prédio mais amplo, mas viaturas nós temos. O governo tem procurado nos respaldar com isso. Recebemos 12 viaturas para nossa região, foi uma das mais contempladas. Há essa carência com relação a espaço físico. Estamos em contato com a administração pública para que haja a cessão de um terreno nas imediações do antigo aeroporto para unificarmos as delegacias de Tubarão. Porque, muitas vezes, o cidadão procura uma delegacia, o que ele deseja não é naquela, então tem que se deslocar para outra. Faríamos um prédio com cinco pavimentos. Até já conversei com arquitetos para projetarmos uma construção acessível economicamente e com uma boa divisão. As vantagens são inúmeras, tanto à população como aos profissionais, que terão um melhor desempenho. A economia é algo que ocorrerá em vários sentidos, por exemplo, em energia e combustível. O maior entrosamento dos policiais, diminuição do número de pessoas no plantão também são vantagens. Conversei com o delegado geral e o secretário de segurança pública, eles disseram que se a prefeitura conseguir o terreno, eles garantem a realização da obra. Os prédios que usamos hoje poderão ser colocados à disposição da prefeitura.           
 
Notisul – Como você analisa a criminalidade na região e o trabalho das polícias? 
Ulisses – Se a criminalidade se organiza, temos que fazer o mesmo e nos especializar. Por isso, a minha ideia é especializar policiais para combater homicídios, o tráfico de drogas, furtos e roubos. Essas são as situações que mais causam prejuízo a uma sociedade. Intensificar esse combate. A interligação entre as delegacias é importante porque existe, em muitos casos, uma migração de crimes e a ligação entre eles. O homicídio pode estar envolvido com o tráfico e assim vai. 
 
Notisul – Existem profissionais que não gostam de se expor e de aparecer na mídia. Notamos que o senhor não se opõe a isso e, inclusive, usa as redes sociais. 
Ulisses – Sempre que faço as divulgações são situações anteriores, nunca publico no momento onde estou, sempre depois que passou repasso a informação. Mas hoje, a ideia das redes é divulgar os trabalhos realizados pela Polícia Civil. Quanto a aparecer em jornais e televisão, se eu tivesse medo não seria delegado de polícia.
 
Notisul – Se tivesses o poder de mudar alguma lei, qual seria a sua primeira modificação?
Ulisses – Eu puniria com mais severidade os usuários de drogas. Se não os temos, não temos o tráfico. Estas pessoas têm que fazer uma opção. Vai fazer um tratamento ou vai para a cadeia. O cara que é flagrado com entorpecentes, caso não seja traficante, também tem que receber uma pena, nem que fique dois meses preso, mas tem que ser assim. Se ninguém consumir, não existirá o fornecedor.  
 
Notisul – E a questão da maioridade penal? Qual a sua posição?
Ulisses – Existem muitas controvérsias. Acho que o cidadão de 16 anos tem plena ciência dos atos que são praticados. Tanto é que vota em eleições e pode ser emancipado. Sou a favor da redução, mas tem que ter uma estrutura qualificada para prender esses indivíduos. Hoje, existe uma grande dificuldade na questão penitenciária, o grande problema é que falta estrutura de formação para fazer com que o cidadão sai do presídio recuperado. Concordo com a redução, mas já que isso não ocorre, os adolescentes infratores devem ser punidos com mais severidade, independente da idade. Praticou um ilícito penal, tem que ser apreendido até ser ressocializado. Eles esquecem que, se escolherem esse destino não terão futuro. Todos os adolescentes que vi, na minha trajetória profissional foram apreendidos ou assassinados. O crack, por exemplo, é a decadência total. Esta droga tem causado grande prejuízo social. Observamos que muitos se viciam e viram zumbis, não têm condições de trabalhar mais, vivem de furtos e roubos para o sustento do vício, por isso volto à ideia de que devem se tratar ou ir para a cadeia.
 
Ulisses por Ulisses
Deus – Onipresente, o nosso guia
Família – Nossa base de sustentação 
Trabalho – Realização 
Passado – Meu aprendizado
Presente – Viver intensamente
Futuro – Planejar, sem se apegar
 
 
"Temos que escolher as nossas missões, não porque são fáceis, pois desta forma não
têm graça. Mas sim porque são difíceis e com novos desafios"
 
"Achei que poderia fazer muito mais como delegado e me apaixonei pela profissão". 
 
"A população paga o nosso salário e tem que ter o direito a um serviço bem prestado".