Tatiana Dornelles
Braço do Norte

Notisul – A primeira, e inevitável, pergunta é: como avalia a atual situação política de Braço do Norte?
Fornazza – Em Braço do Norte havia uma certa insegurança até o dia 1º (de janeiro), quando ocorreu a escolha entre os nove vereadores de quem seria o prefeito do município até que a Justiça Eleitoral se posicionasse. Hoje, vejo que estamos em um ritmo de trabalho, no qual a própria população vem avaliando e também nos dando orientações de que estamos no caminho certo. Queremos, cada vez mais, fazer o melhor pela cidade para que possamos não inviabilizar o município, mas caminhar realmente, ter em vista sempre o progresso. Com isso, a população já está um pouco mais tranquila quanto ao momento político.

Notisul – E quanto às siglas partidárias?
Fornazza – Agora, com relação às siglas partidárias, lógico que cada uma vai de encontro aos seus interesses. Mas o que prego muito como prefeito de Braço do Norte é que, até que se tenha um posicionamento da Justiça Eleitoral, temos que ter uma sigla maior à frente de todos os nossos encaminhamentos.

Notisul – Quanto ao pleito de outubro do ano passado. Como você vê a situação do então candidato à prefeitura Ademir Matos (PMDB)? Se ele tivesse recuado e indicado outro nome, haveria um outro cenário político?
Fornazza – Não. Respeito muito a pessoa do Ademir Matos, é uma grande liderança, duas vezes prefeito de Braço do Norte, secretário regional. Naquele momento, se houvesse a substituição, o clima político seria o mesmo, porque o povo estava propenso a mudanças. O povo reivindicava mudança. E isso levou à condução, naquele momento, desta grande vitória que se confirmou em 5 de outubro de 2008. Nós, os partidos que fizemos a composição dessa aliança política, honramos fidedignamente nosso compromisso com a coligação da qual fizemos parte. Tanto que dia 5 se confirmou a maior vitória política do município de Braço do Norte na eleição à majoritária. Naquele momento, se houvesse a condução de qualquer outro nome, porque também tínhamos outras grandes lideranças, ganharíamos da mesma forma.

Notisul – E quanto à ação que o PP move para diplomar e empossar Ademir (Schmoeller) e Maristela Cunha? Como avalia isso?
Fornazza – Primeiro, tenho um compromisso muito grande, a condução do município na qualidade de prefeito. Há uma briga entre PMDB e PP. O Democratas (DEM) não tem nada a ver com isso. Então, não opinamos e também não entramos nestes questionamentos jurídicos destas ações. Estamos à frente do executivo, realmente, para que o município não fique inviabilizado e não fique parado. Nosso planejamento não é para três meses, não é para um mês. Fazemos um planejamento anual, para que o próximo prefeito de Braço do Norte possa assumir a prefeitura e dar continuidade aos trabalhos. E, aí sim, colocar em prática o plano de governo. Mas queremos, neste momento, ser parceiros de Braço do Norte. No questionamento jurídico não estamos nos envolvendo, porque é uma briga do PMDB com o PP. O DEM não tem nada a ver com a situação e, por isso, não opinamos nem misturamos esta questão com a administração.

Notisul – Neste novo pleito, o DEM continuará com a mesma coligação ou não? Se não, você pretende ser candidato?
Fornazza – Esse posicionamento é algo que quem responderá é o diretório do Democratas, soberano. O que ele assim entender, nós acataremos. O que devo colocar também é que o DEM cresceu bastante nas eleições de 2008. Em 2004, não havíamos eleito nenhum vereador e, em 2008, elegemos dois. Por muito pouco não conseguimos eleger os três vereadores, porque tivemos um suplente com 840 votos, o Roberto Kuerten Marcelin, que é um grande líder.

Notisul – O partido se fortaleceu, então?
Fornazza – Com isso, em 2008, fortalecemos muito o partido. Este ano ainda mais, porque o DEM passou a ocupar o cargo de prefeito, comandando assim o executivo, e mantendo na câmara seus dois vereadores, já que com a minha saída para o executivo o suplente assumiu a minha vaga. Crescemos muito e dentro dos nossos filiados temos grandes lideranças que podem comandar o município e dar a qualidade que o nosso cidadão espera das administrações.

Notisul – Mas haveria esta intenção ou não de se candidatar à prefeitura?
Fornazza – Desde 2000, quando disputei a primeira eleição, uma coisa que sempre disse é que não tenho medo de disputar um pleito. Se o partido assim o desejar e me convocar para a eleição, eu realmente não fujo da batalha. Estou pronto. Em 2004, lembro bem, quando fazia parte do PP, os líderes indicados naquele momento para serem pré-candidatos começaram um jogo de empurra-empurra. Eu acabei me levantando em nome da juventude e me coloquei à disposição. Não fui naquele momento oportunizado de disputar. Mas nunca fugi dos compromissos e o que o DEM assim entender, da minha parte, estou pronto.

Notisul – E caso isso não ocorra, pode concorrer nas próximas eleições municipais (em 2012)?
Fornazza – Sim, estou à disposição do partido, do Democratas.

Notisul – Quais são os desafios hoje de Braço do Norte?
Fornazza – Em termos de administração temos alguns desafios. Primeiro: disputamos a eleição para vereador. E quando você disputa uma eleição à majoritária, você faz um plano de governo, tem três meses de transição, assume já com a equipe montada. E isso, para nós, foi diferente: elegemo-nos vereador, tomamos posse no dia 1º e de lá caminhamos para a prefeitura de Braço do Norte.

Notisul – E como foram os primeiros dias?
Fornazza – A primeira semana foi uma semana de muita informação, até de muita pressão, e tínhamos que tomar uma posição para formar o secretariado. Tivemos um encaminhamento, tomamos as decisões e havia muitos problemas a serem resolvidos. Acabamos, então, nomeando o secretariado. Logicamente, temos um compromisso enorme com a saúde para que não falte medicamentos, exames para a população que precisa ser assistida. Para que ela encontre na secretaria da saúde as condições adequadas para, o mais rápido possível, melhorar os males que sofre. Temos a secretaria da educação, que passa por um desafio grande: dia 2 de fevereiro o ano letivo inicia-se e dia 9 as nossas crianças já estão na escola. Então, temos contratos para os ACTs, cujo processo seletivo já está valendo, já estamos chamando. Isso tudo era um desafio. Na secretaria de transportes e obras, temos que dar um pouco mais de condições às estradas, pontes, bueiros. O mínimo possível que o município pode dar aos agricultores é a questão de trafegabilidade, para que possam ter realmente as estradas em boas condições. Braço do Norte, como os outros municípios do Vale, passa nos meses de janeiro, fevereiro e março por grandes chuvas, que prejudicam todo o trabalho feito. Temos uma grande preocupação de manter o município em condições, principalmente nestas três áreas.

Notisul – Como se deu a escolha do secretariado?
Fornazza – Nosso secretariado é pluripartidário. Por quê? Porque, em primeiro lugar, pensamos em Braço do Norte. O município em si não tem autonomia para realizar todas as obras necessárias para o seu desenvolvimento. Depende também do governo do estado e do governo federal. Tivemos, no primeiro momento, um posicionamento dentro do estado, onde os partidos que compõem a tríplice aliança, PSDB, DEM e PMDB, é a base do governo estadual e, por isso, temos em nosso secretariado o PMDB com a saúde; o DEM com a secretaria de agricultura e planejamento; o PP com a pasta de transporte e obras, educação e secretaria da família.

Notisul – Foi pensado também em nível federal?
Fornazza – Sim, e convidamos o PT para fazer parte do secretariado, assim como o PSDB. Porque em nível de governo federal, a base do governo em Brasília, do presidente Lula, resume-se em PMDB, PP e PT. Precisamos ter pessoas que possam abrir as portas dos ministérios, do governo e para termos acesso aos deputados federais e senadores, trazendo assim recursos para o município.

Notisul – E como ficará a situação destes secretários depois que o novo prefeito assumir? Acredita que alguns possam continuar no cargo?
Fornazza – Quero fazer um agradecimento especial aos nossos secretários, pois assumiram com o comprometimento de auxiliar o município, independente do tempo que ficarmos. Agradeço a todos eles, que aceitaram o convite e confiaram no nosso trabalho. O encaminhamento depois é como falei anteriormente. Fizemos um projeto para um ano, não para três meses. Porque senão você empurra as coisas para a frente, os problemas para a frente, e não resolve nada. Desta forma, com o secretariado montado, mesmo que sejam exonerados mais à frente, eles resolvem todos os problemas que aparecem, dando condições realmente para que a população seja bem atendida da melhor maneira possível. E dentro daquilo que nós pedimos: atender a nossa população com atenção, carinho e respeito.

Notisul – E a preocupação quanto ao andamento dos trabalhos nestas secretarias depois de assumir o novo prefeito?
Fornazza – Também tínhamos essa preocupação. Imagina eu ficar sem o secretário de educação, neste momento, com o ano letivo iniciando nos dias 2 e 9 (de fevereiro). Temos um termo de ajuste de conduta com o Ministério Público de Braço do Norte que nossos centros de educação infantil não parariam mais em janeiro. Continuamos com eles abertos e recebendo as nossas crianças. Tivemos até que comprar alimentação para todas as creches. Há essa preocupação do secretariado.

Notisul – Frente à administração da prefeitura, você se colocou aberto a todos os partidos. E há aqueles que dizem que isso não ocorre, que apenas o grandes partidos são priorizados.
Fornazza – Todos os partidos foram convocados, através das suas executivas, para sentarem realmente à mesa. Encaminhamos ofícios para a criação do conselho político administrativo. Neste momento, convidei os cinco partidos- o PMDB, PSDB, PP, PT e DEM – que indique duas lideranças do seu diretório para que possam sentar à mesa conosco e refletir sobre os encaminhamentos que tomamos para o município. Queremos que o conselho político sente e, com a participação de todos, veja os caminhos que Braço do Norte pode tomar.

Notisul – Em uma das suas afirmações, você disse que estaria em harmonia com o legislativo. Isso está ocorrendo? Como está a ‘convivência’ entre executivo e legislativo?
Fornazza – Fui vereador no mandato passado, exerci quatro anos lá, sei como é o papel do vereador, sei como há cobrança quanto ao papel desenvolvido pelos edis. Por isso, em meu gabinete já recebi praticamente todos. Até o vereador Salésio, que foi momentaneamente meu adversário no dia 1º, é um grande amigo e grande parceiro. Temos uma grande relação de respeito entre as partes. E o legislativo eu respeito porque os vereadores estão mais próximos do povo. O executivo é composto pelo prefeito e o vice. O legislativo por nove pessoas. Eles têm mais acesso à nossa comunidade do que o próprio prefeito, que é uma única pessoa. Os nossos vereadores precisam ser valorizados e ouvidos porque estão inseridos nas comunidades, nos bairros e são procurados. Hoje, é mais fácil chegar em um dos nove vereadores do que muitas vezes no prefeito. A gente está lá, também, atendendo a população de uma maneira diferenciada porque não queremos fugir do problema. Queremos levar solução e os vereadores são muito importantes neste trabalho. Sou vereador e sei o quanto é árduo o trabalho.

Notisul – Como é a sua rotina de trabalho, que maneira diferenciada é esta de administrar e qual é o objetivo disso?
Fornazza – Esse é o nosso jeito de ser. Levantamos 7 horas e retornamos, muitas vezes, 23 horas para casa. Por quê? Nas primeiras horas da manhã passamos em algumas secretarias. Em outros horários vamos às comunidades para detectar os problemas. Tínhamos na localidade de Rio Indaial um problema sério com bueiro que tinha os tubos danificados há muito tempo. Só ano passado foram feitos três reparos na tubulação e no aterro em cima, porque não dava vazão àquelas águas. As enxurradas tiravam o aterro de cima e nem os caminhões para escoar a produção podiam passar. Fomos lá e determinamos que se fizesse de imediato esta obra. O custo para o município é menor neste momento porque não precisamos ir três vezes ao ano para fazer o reparo. Fizemos a recuperação de uma ponte na comunidade de Travessão, onde o transporte escolar passa diariamente. Quando fomos para lá, com a informação de que a ponte estava com problema na estrutura, foi tirada a terra de cima e vimos que estava danificada, com madeira podre. Determinamos a troca das madeiras, o que já foi feito, e a comunidade já trafega no local com segurança. Buscamos a solução rápida dos problemas.

Notisul – Essa forma de administrar seria uma maneira de unir os projetos para Braço do Norte e os anseios da população?
Fornazza – Sim. É justamente isso que pensamos. E quando falamos nos projetos, junto com os anseios da comunidade, priorizamos aqueles de maior necessidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, recentemente, que recursos disponíveis têm. O que faltam são bons projetos. Montamos o secretariado com esta visão, de fazermos bons projetos, e termos representantes que cobrarão das nossas lideranças federais essa abertura das portas dos ministérios para podermos realizar os anseios da comunidades.

Notisul – Dentro dos planos que tem enquanto estiver à frente da prefeitura, acha que conseguirá realizar algo pela cidade em tão pouco tempo?
Fornazza – Sim. Temos uma preocupação muito grande com o esporte, com as áreas de lazer – que as comunidades não têm -, e estamos em fase de levantamento do patrimônio público municipal, onde haja lotes vazios, para colocarmos em prática estes investimentos. Faremos este projeto, da criação de diversas áreas de lazer, nas comunidades de Braço do Norte.

Notisul – Quais foram as dificuldades encontradas ao assumir a prefeitura?
Fornazza – Tivemos dificuldade quando saímos do legislativo para assumir o executivo. Então, tivemos que absorver muitas informações, de tudo, todas as pastas. De imediato, fizemos uma reunião com o colegiado anterior para obter estas informações. Posteriormente, foi a nomeação dos secretários. A primeira semana foi difícil. Muita coisa nova em pouco tempo. Mas estamos ambientalizados e as coisas fluem.

Notisul – Como avalia a sua administração?
Fornazza – É um período curto. O povo vai avaliar. Braço do Norte vive um momento ímpar. Nunca tivemos um acontecimento deste tipo na história política da cidade. Nós, jovens, sabemos que a oportunidade para a renovação surgiu. Tenho 33 anos e estou à frente da prefeitura. Essa passagem, mesmo que breve, quebra um ciclo de 16 anos de administração dividida entre Ademir Matos (PMDB) e Luiz Kuerten, o Tilico (PP). Encerramos o ciclo destes dois políticos de estarem no poder sem que outras lideranças pudessem chegar à condição.