A coligação Inovando com Experiência, composta por PTB, PSB, PPS, PDT e PMDB tem os peemedebistas Ademir da Silva Matos e Emerson Machado Fernandes, o Mano, como candidatos a prefeito e vice de Braço do Norte. Aos 62 anos, Ademir está em seu terceiro mandato e busca a reeleição. Também foi secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, de 2003 a 2007. Prestes a completar 33 anos, Mano está em sua segunda eleição. Fonoaudiólogo, em 2012 foi eleito vereador com 996 votos, foi secretário de saúde e hoje é presidente do legislativo.

Priscila Loch
Braço do Norte

Notisul – O que os credencia a serem prefeito e vice de Braço do Norte?
Ademir – A experiência adquirida com o mandato de prefeito, como presidente da Amurel, como secretário da Fecam, como secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, assistente da presidência da Celesc. Além da experiência, tenho um convívio muito grande com as  nossas lideranças políticas. Hoje, temos acesso com as lideranças principais de Santa Catarina, independente de partido, e também nacionais. Isso não se adquire com pouco tempo. Nos credenciam as mudanças que estamos fazendo durante a gestão, a modernização da saúde, o social. Hoje, não tem mais em Braço do Norte aquele assistencialismo. A porta de entrada do social é o Cras, onde são feitos os levantamentos sobre as famílias, suas vulnerabilidades. O Creas trabalha a parte macro do idoso, da criança. Fui o único prefeito que fez conjuntos habitacionais. Nesse mandato, com toda a situação complicada, fizemos 25 casas rurais, em parceria com o sindicato, com a Caixa Econômica, várias reformas no interior e 30 reformas cidadãs. Estamos construindo, em fase de acabamento, mais 27 residências em cima de loteamento regularizado. E estamos agora com o programa Lar Legal, que é um grande compromisso nosso, onde estamos buscando a regularização. A parte da saúde foi a grande revolução que fizemos. Hoje, todos os nossos ESFs têm dois médicos. Implementamos vários programas com referência estadual na parte preventiva. Dobramos o valor para o plantão do hospital, para que possa atender a população. Construímos quatro ESFs novos. Fizemos algo inédito que é oferecer implantes dentários gratuitos. E a prevenção é o principal. Tem também o planejamento da cidade, com destaque ao saneamento básico. Sempre disse que Braço do Norte teria esgoto sanitário primeiro que Tubarão. Fizemos administração compartilhada com a Casan e conseguimos R$ 25 milhões. Já temos em Braço do Norte 35 quilômetros de rede coletora, e já começamos a estação de tratamento de esgoto. Outra ação muito forte que nos credencia foi na época do apagão de mão de obra. Os empresários começaram a buscar pessoas de fora. Tínhamos que capacitar a população. E fomos buscar o Senai, em parceria com a associação comercial, que é muito aliada nesse sentido, no desenvolvimento sócio-econômico. Além de formar o cidadão, colocamos obra qualificada para  nossos empresários, para que possam, além de aumentar seus empreendimentos, criar outros segmentos. No esporte e inclusão, somos destaque na região. Temos quase três mil crianças em um período na escola e o outro em atividade, recreação. A principal preocupação é formar cidadãos, mas também descobrimos atletas. Braço do Norte tem exportado atletas para todo o estado. Trabalhamos muito a base. Fizemos 15 quilômetros de pavimentação em Braço do Norte e  demos sequência às ruas que já estavam iniciadas. Reiniciamos e concluímos todas as ações do governo passado. São muitas ações em várias áreas. Voltando à questão do saneamento, se Deus quiser em novembro ou dezembro o esgoto já vai estar sendo tratado em Braço do Norte. Temos o caminho para buscar, mas precisamos de projetos. Gostaríamos de continuar a inovar, renovar e mudar.

Mano – Não tenho a mesma trajetória política do Ademir, até porque ele já tem 20 anos de trajetória, além de uma história administrativa antes da vida pública. Tenho um curto espaço de tempo na vida política, desde 2012, quando fui eleito vereador. Fiquei um ano e oito meses na secretaria de saúde, tentando trabalhar primeiramente a parte curativa. Fizemos uma pesquisa para saber qual a principal necessidade que a população esperava naquele momento. Eu não iria aceitar trabalhar ‘voando’. Atendimento de médico e remédio era o que a população queria, não queriam saber de prevenção num primeiro momento. Então, primeiro tentamos buscar essa parte curativa. Braço do Norte é a única cidade que conheço da região que tem dois médicos em cada posto de saúde. Como consegui fazer isso? Primeiro porque a equipe estava muito forte e unida, e tive que ir três vezes para Brasília para aprender e saber como eram os trâmites para conseguir isso. Hoje, cinco desses médicos são pagos pelo município e os outros são pagos pelo Ministério da Saúde, não tem nenhum encargo para a prefeitura. Conseguimos também aumentar a lista de medicamentos da farmácia básica. Também criei um setor de planejamento dentro da secretaria de saúde, onde a equipe conseguiu colocar em prática o Caps e o Nasf e aí sim começar a trabalhar a prevenção. Quando eu saí e voltei para a câmara, deixei tudo prontinho. Dois dias depois, começou o programa de prevenção do Nasf. Conseguimos mudar a estrutura da secretaria de saúde, que estava em um lugar muito precário, tinha só seis cadeiras para as pessoas esperarem atendimento, a medicação ficava no porão, onde muitos ratos entravam e comiam remédios. Antes, estávamos em um espaço de 200 metros quadrados; hoje, estamos em um lugar com 700 metros quadrados, com  mais de 30 cadeiras de espera, senha, ar-condicionado, água, café. Logo em seguida, quando voltei para a Câmara de Vereadores, consegui trabalhar em cima de projetos, fiscalizar, tive a oportunidade de assumir a vice-presidência em 2015 e a presidência em 2016. Fizemos um projeto para um novo plenário, que não vai ser construído nessa gestão, porque não tem  tempo hábil, mas o projeto vai estar pronto para que a próxima legislatura dê continuidade. Conseguimos fazer uma economia, de janeiro até agora em torno de R$ 500 mil. Tive a oportunidade de ser prefeito por dez dias, em janeiro, e deu um gostinho de quero mais. Apesar de ser pouco tempo, consegui fazer algumas ações, principalmente com relação à ponte São Basílio, que liga o centro a um bairro muito grande, que estava danificada. Direcionei a verba de um deputado. Hoje, estou tentando mostrar como candidato a vice-prefeito esse preparo, esse conhecimento que adquiri na vida pública. Durante esses três anos, me credenciei para isso, fui me preparando, escutando a comunidade, dialogando. Sou formado em fonoaudiologia faz 11 anos e continuo atuando nos consultórios em São Ludgero, Braço do Norte e Grão-Pará, na Apae. Toda essa bagagem na área de saúde acabou influenciando e ajudando quando assumi a secretaria de saúde. 

Notisul – Como vocês veem a cidade no passado, no presente e no futuro?
Mano –
Acompanhei a primeira gestão do Ademir, em 1996, depois em 2000 e as dos demais prefeitos. Podemos ver uma evolução muito grande. Em todas as casas que vou, falo que a melhor gestão do Ademir foi essa agora. Porque no passado as necessidades eram outras, ficou muito no social e na saúde. E nessa ele fez gestão de verdade. Tem gente que fala que estão sendo feitas obras porque é ano eleitoral. É mentira. Porque em 2013 foi lançado o Senai, em sete, oito meses de governo estava pronto para os jovens e profissionais que queriam se aperfeiçoar. Foi iniciado em 2014 o saneamento básico. Muita gente falava que queria ver o prefeito corajoso que deixaria mais de R$ 23 milhões debaixo da terra. Ninguém vê o investimento. Mas quando estava em obra, tinha muitos buracos na cidade, o pessoal gostava de falar mal. E hoje tem 35 quilômetros de rede coletora, 47% do total. Isso sim é gestão. A Getúlio Vargas da mesma forma, começou em 2014, e se não fosse o Ademir, a influência que tem no estado, com Eduardo Pinho Moreira, a verba não viria para Braço do Norte. Eu, como vice-prefeito, quero me preparar, aprender, para ter essa influência que ele tem junto com o governo do estado. Braço do Norte deu um pulo em estrutura, e precisamos melhorar cada vez mais. Iniciamos algumas obras neste ano, mas é porque as emendas vieram em 2016. Vejo que estamos muito bem assistidos com o governo do estado, acho que a mudança foi feita e tem que continuar. Não é mudança de pessoa, de idade ou de nomes. A mudança é de comportamento, e o Ademir mostrou isso em 2013, quando assumiu a prefeitura novamente. 

Ademir – Eu já fui prefeito em outras oportunidades. Na primeira vez, não tinha Lei de Responsabilidade Fiscal, era até mais fácil, pois o prefeito não tinha que cumprir metas fiscais. A lei fez com que o gestor tivesse que se aprimorar cada vez mais. O atual mandato, na minha opinião, foi o melhor que fizemos. Tem que ter parceria, discutir junto com a iniciativa privada as ações. Quando fui secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, fiz uma grande parceria com as entidades de classe e agora criamos o DEL, conselho de desenvolvimento local. Tem participação da Associação Comercial, da CDL, Rotary, Lions, maçonaria, dos sindicatos. Fizemos o conselho e criamos oito câmaras técnicas, com especialidades de cada área, para que possamos discutir junto com a sociedade os problemas macro, principalmente mobilidade urbana, desenvolvimento econômico e social, urbano e rural. Preparamos a cidade. Antes, nosso IDH (índice de desenvolvimento humano) era alto até, mas pecava na questão do saneamento básico. Essa foi nossa grande preocupação. A lagoa de decantação já está sendo feita e vamos tratar o esgoto esse ano ainda. É claro que tivemos transtornos temporários lá atrás, mas era para ter benefício permanente. Vamos ficar lembrados na história de Braço do Norte por muitas ações, mas três merecem destaque: o governo que fez o saneamento básico, que trouxe o Senai e a criação do conselho de desenvolvimento local. Braço do Norte é um município exportador e não tenho dúvida que dentro de pouco tempo o município que não tiver esgoto tratado vai ser impedido de exportar. Temos muitas ações macro, não podemos pensar só no dia a dia. Em Braço do Norte, diminuímos o Bolsa-Família e porque o Pronatec faz um trabalho de inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho e geração de emprego e renda. O Bolsa-Família é fundamental, mas não pode ter só porta de entrada, tem que ter saída. E é o mercado de trabalho que vai fazer isso por essas pessoas. Estamos preparando a cidade para daqui a 20 anos. Fizemos 35 ruas em Braço do Norte, 15 quilômetros de pavimentação e temos meta de fazer no mínimo mais 15 na próxima administração. Nossa prioridade para o próximo mandato, dita pelo vice-governador e avalizada pelo governador Raimundo Colombo, é uma ponte de ligação do Centro com o bairro Lado da União. Automaticamente, vamos desenvolver bem aquela região, onde os moradores têm que fazer um giro de aproximadamente dois quilômetros para chegar ao centro da cidade. O primeiro loteamento legalizado que temos é no Lado da União. Essa ponte está no nosso programa de governo e com aval do governador. O município não tem capacidade de endividamento. Braço do Norte está no caminho certo, deve continuar assim. 

Notisul – O que vocês podem fazer de diferente?
Ademir –
O que vamos fazer de diferente é a qualificação dos gestores que assumirem as secretarias. Tem que fazer gestão e, para isso, tem que ter qualificação na área. Vamos nos credenciar pelo bom trabalho que a equipe vai fazer. Hoje, a maioria já é funcionário de carreira, já valorizamos isso. Sabemos como fazer, o que não fazer e onde buscar. Coligação ampla, com distribuição de cargos, não dá mais, é preciso enxugar a máquina.

Notisul – Quais as principais carências de Braço do Norte hoje?
Ademir –
A principal é a infraestrutura. O pó é questão de saúde pública também. O primeiro palmo de asfalto em Braço do Norte foi no meu primeiro governo. Até 1997, não tinha um palmo. Outra prioridade é o anel viário, para termos mobilidade urbana e, automaticamente, criar o parque industrial. 

Notisul – Que projetos do plano de governo merecem destaque?
Ademir –
Na saúde, temos um projeto top. Temos que criar mais um ESF, que vai atender as comunidades do Sertão do Rio Bonito, Nossa Senhora das Graças e São Januário. Temos que capacitar nossas agentes comunitárias, que são mais 50. Hoje, elas já vão na casa das pessoas e, através do Senai ou Senac, queremos buscar uma qualificação, para que todas façam curso de técnico de enfermagem, oferecido gratuitamente pela prefeitura. Assim, poderão fazer os primeiros curativos, medir a pressão. Isso vai fazer com que algumas pessoas não precisem deslocar-se até o posto. Não podemos esquecer da mobilidade urbana, que era o grande gargalo e tinha que ter investimento muito forte. Temos investido quase R$ 4 milhões. Vamos fazer um binário. As pessoas que vêm de Tubarão não precisarão mais ir até o trevo. Para o anel viário, conseguimos o recurso, R$ 300 mil, fizemos a licitação, e já entregamos o projeto, que está em análise final no Deinfra. São 8,1 quilômetros, constam três pontes no decorrer do trajeto, que na primeira etapa vai ligar Braço do Norte a Rio Fortuna e Grão-Pará, com uma saída já para São Ludgero. Está orçada em R$ 23 milhões. É uma obra que foi tratada como prioridade no PPA, pode receber recursos estaduais e federais. Vamos estadualizar aquele trecho para que o estado faça a obra. Temos 19 bairros e outro projeto é contratar um representante de cada bairro para estar junto com a gente, mostrando as prioridades, o que precisa ser feito.

Notisul – A área da saúde é uma das mais críticas e bastante criticada pela população. Que investimentos são realmente viáveis?
Ademir –
Focamos no hospital regional. Com isso, deixamos Tubarão, que está muito bem estruturado, com alta complexidade. Está sufocado o hospital de Tubarão. O hospital de referência vai atender toda a região na média e baixa complexidade.

Notisul – Ainda falando de necessidades, o que é possível fazer pela educação?
Ademir –
Construção de salas novas, para dar mais qualidade, para as crianças do pré-escolar poderem ficar os dois períodos na escola. Todas as mães que trabalham têm vagas garantidas nas creches. Muitas pessoas tiraram os filhos da escola particular e colocaram na pública, muitas por causa da crise e também porque estão vendo a qualidade da alimentação e do ensino na pública, que está muito próxima das escolas particulares. Hoje, temos merenda escolar de qualidade, nenhuma criança anda mais que dois quilômetros e meio sem transporte escolar – a lei estabelece três quilômetros. Temos 870 crianças de 4 meses a 3 anos assistidas, com quatro refeições diárias. Todas as salas de todas as nossas escolas, a partir de parcerias com as APPs e a Cerbranorte, são climatizadas. Temos o melhor Ideb na Amurel porque adotamos a apostila do Positivo, a mesma que tem na escola particular, com uma diferença: totalmente gratuita. Braço do Norte evoluiu muito nesse sentido.

Notisul – Com a crise instalada em todos os municípios brasileiros, como é possível driblar a falta de recursos e transformar projetos em realidade?
Ademir –
Atravessamos a maior crise política e administrativa que já tivemos. Tem município que não está pagando nem salário. Em Braço do Norte, por causa da boa gestão, vamos pagar a primeira parcela do 13º no fim do mês. Nenhuma obra nossa está paralisada, todas com contrapartida. Dos trilhões que o Brasil arrecada, ficam 15% no município, em torno de 25% nos estados e 65% na União. Isso tem que mudar. Se não tiver influência política para trazer esses recursos, o município fica fadado simplesmente a pagar a folha de pagamento. Temos que enxugar a máquina. A primeira parcela do 13º vai ser paga agora em setembro. Nos preparamos para isso e quem não se preparou teve problema. E quem não se preparar para o futuro não vai ter como governar. Tem que ter coragem, determinação, responsabilidade e fazer gestão. Hoje, temos nove secretarias e mais o chefe de gabinete, que é ocupado por uma funcionária de carreira. Num primeiro momento, vamos juntar duas secretarias, de obras com agricultura, e criar a secretaria de desenvolvimento rural. Hoje, são 65 cargos comissionados, vamos ter que enxugar, não temos coligação. A nossa coligação anterior foi perfeita, mas houve discussão porque queriam mais cargos e não concordamos. 

Notisul – A campanha nesse ano é diferente das eleições anteriores, com menor tempo e recursos mais restritos. Melhorou ou piorou?
Ademir –
Para quem está no cargo, é mais difícil. É uma eleição curta, em que o prefeito está amarrado, eu não gostaria de estar no cargo, mas o meu atual vice-prefeito está na outra chapa e não assumiria, o presidente da câmara é o meu vice. É muito difícil, pois durante o dia temos muitas atividades administrativas.

Depois das quatro chapas que concorrem à prefeitura de Tubarão, iniciam nesta edição as entrevistas pingue-pongue com os candidatos a prefeito e vice de Braço do Norte, em ordem alfabética. A entrevista com o segundo candidato será publicada no próximo fim de semana.