Foto: Silvana Lucas/Notisul
Foto: Silvana Lucas/Notisul

Notisul – Qual a avaliação desses dois primeiros anos de mandato?
Nardo –
Nossa administração começou as atividades com força total. Traçamos nossas estratégias antes mesmo de assumir o governo e aplicamos o planejamento desde o primeiro dia de governo. É só visitar o site www.meumunicipio.org.br e ver os índices de Gravatal em 2013. Para se ter uma ideia, conforme a ONG, Gravatal investiu 24,84% do seu orçamento, e a média não chega a 10%. Construímos e reformamos pontes e ampliamos a largura mínima em sete metros e a mudança de madeira para concreto. Reformamos, ampliamos e estamos construindo postos de saúde referência para o Ministério da Saúde. Estamos asfaltando as estradas de São Roque, São Geraldo, Ilhota Grande e Lomba. Pavimentamos o Jardim Andréia, estamos revitalizando nosso balneário com pavimentação, calçadas, monumento a água, iluminação e paisagismo. Estamos construindo quadra coberta, reformamos ginásios de esporte. Melhoramos a limpeza urbana. Terminamos o saneamento básico do município e ainda concluímos o Plano Municipal de Saneamento Básico e Resíduos Sólidos. Participamos, junto com outros sete municípios do estado, em qualificação da gestão pública. Temos programas de ponta na área da saúde, educação, assistência social, infraestrutura, turismo e agricultura. E muito mais… Por tudo isso, digo que Gravatal tem uma equipe de alta performance e parabenizo a todos os servidores público do município neste dois anos de mandato.

Notisul – Por que demitir 43 servidores comissionados?
Nardo –
Trabalhamos com um planejamento estratégico e projetamos uma arrecadação que nos dava suporte para contratações sem atingir o índice de folha de pagamento que regulamenta a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Este plano contempla a cartorialização da dívida ativa do município, atualização do cadastro imobiliário de Gravatal para fins de IPTU e fiscalização intensiva nos alvarás e licenças municipais. Tivemos sucesso, mas não o necessário para atingirmos a meta. Em setembro, o Fundo de Participação dos Municípios não correspondeu à expectativa e o nosso índice da folha de pagamento ultrapassou o teto recomendado pela lei. Então, realizamos as ações necessárias para não infringir a LRF: redução extremas das horas extras, viagens só com despesas, sem diárias, cortes nas gratificações. Observamos que, mesmo com estas ações, não conseguimos atingir a meta do índice. Tivemos que demitir todos os cargos comissionados para ficar dentro dos limites constitucionais.
 
Notisul – É possível tocar um município com pouca gente?
Nardo –
Com pouca gente, não se consegue atender às demandas impostas. São muitas obrigações e regras que determinam como o município tem que trabalhar, regulamentadas no Congresso Nacional. Profissionais que são obrigados a ser contratados para atender a demanda dos programas e sem eles os gestores são punidos.
 
Notisul – O senhor não será mais candidato à reeleição? De alguma forma, arrependeu-se de ter disputada o pleito de 2012?
Nardo –
Esta foi a última eleição que participei como candidato. Foram dois mandatos a mim conferidos que me orgulham muito e só tenho a agradecer ao povo de Gravatal pela confiança. Nosso município tem grandes líderes que podem contribuir com a administração pública, vou ajudá-los sempre para implementar uma qualidade de vida, ainda melhor, para a nossa população e visitantes. É muito bom ser prefeito… Arrependimento só de não ter ‘pique’ para continuar, pois administrar um município cansa muito, eleva o nível de estresse, muitas cobranças e tarefas, fora da realidade humana. Sem um Pacto Federativo onde os recursos atendam as demandas impostas e uma reforma tributária decente, recomendo a todos os meus amigos a não exercerem este cargo.    
 
Notisul – Em outras oportunidades, o senhor já disse que a cada dia fica mais difícil administrar as prefeituras, que os encargos só aumentam e as contrapartidas não. O que mais surgiu de responsabilidades nos últimos meses?
Nardo –
Pisos salariais sem base financeira, as unidades Estratégia Saúde da Família, obrigações constitucional, Lei Ambiental, saneamento básico, resíduos sólidos, assistência social, programas dos governos estadual e federal, obrigações na área da saúde, infraestrutura, educação e agricultura.
 
Notisul – E o governo federal impôs uma regra nova para os professores que irá onerar ainda mais a folha…
Nardo –
Para cada três professores, tem que contratar mais um para substituir na hora-atividade e o piso mínimo é fora da realidade financeira dos municípios.
 
Notisul – O fato de Gravatal ter atrações para receber turistas durante todo o ano deixa o município em vantagem perante os demais?
Nardo –
Em matéria de turismo, sem sombra de dúvidas. O fato é a profissionalização deste segmento. Temos um grande diamante a ser lapidado e sua consequência é a prosperidade de Gravatal. Por isso, precisamos criar mais atividades para atender a demanda, construirmos o nosso Centro de Eventos e o Balneário Público para ter eventos a semana toda e assim suprir a nossa necessidade de ocupação hoteleira de segunda a sexta-feira. O terreno já está adquirido e o projeto em execução pelo arquiteto Fabrício Lorenzetti, com a assessoria da Amurel. Temos ainda apoiado o Coral Municipal e iniciamos a formação da nossa orquestra sinfônica para abrilhantarmos as atividades no município, como o Natal nas Águas e as festas religiosas, fora o apoio ao artesanato local, destacando as mantas das rendeiras da comunidade de Ilhota Grande.
 
Notisul – A precariedade da SC-438 interferiu negativamente de alguma forma na economia do município?
Nardo –
Não só o município de Gravatal, como toda a região. A SC-370, antiga SC-438, tem que ser humanizada. Hoje, não comporta mais o tráfego que recebe. Precisa ser duplicadas, com vias urbanas laterais, passarelas para pedestres, ciclovias, viadutos. Uma rodovia que precisa de um projeto de paisagismo para transformar em uma via turística. Gravatal se propõe a conveniar com o governo do estado para este fim.
 
Notisul – Qual a expectativa para o próximo ano?
Nardo –
Trabalhar para que todas as metas do nosso planejamento estratégico sejam contempladas e que possamos cumprir a nossa missão: melhorar a vida das pessoas. Temos vários convênios a serem efetivados em todas as áreas com os governos estadual e federal e esperamos que não sejam afetados com contingenciamentos de verbas e mudanças de estratégias. São programas, como, por exemplo, Pacto por SC, estadual, e o PAC Pavimentações, do governo federal, programas essenciais para todos os municípios catarinenses e brasileiros.
 
Notisul – O senhor já foi secretário executivo da Amurel. Tem muita diferença entre o cargo de prefeito? Quais?
Nardo –
Ambos têm responsabilidades distintas, mas com objetivos comuns: o desenvolvimento e o progresso dos municípios. A diferença está na ação: como executivo da Amurel, assessorava os municípios; como prefeito de Gravatal, executo as ações municipais. Mas a finalidade é uma só: melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Perfil
Jorge Leonardo Nesi (PP), o Nardo, 54 anos, é natural de Lauro Müller. É casado com Heloisa Pagani Nesi e tem duas filhas, Paula e Bruna. É engenheiro agrimensor e atuou como professor universitário em Criciúma. Iniciou a vida pública como vereador de Gravatal, em 1999, e foi prefeito de 2001 a 2004. De 2005 a 2012, atuou como diretor executivo da Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel) e atualmente é chefe do executivo da Cidade Hidromineral.

Nardo por Nardo
Deus – Fé.
Família – Segurança.
Trabalho – Realizações.
Passado – Experiência.
Presente – Vida.
Futuro – Tranquilo.

"Excesso de burocracia onera em muito as ações municipais. Programas governamentais não são reajustados."