Evandro Almeida começou cedo na política. Aos 14 anos, já pedia votos para Genésio Goulart, nos corredores do Colégio São José. E garante que o seu interesse pelo assunto começou bem antes e não teria outro caminho que não entrar na vida pública. Aos 30 anos, Evandro acumula três candidaturas a vereador (foi eleito em duas e na outra foi suplente), foi assessor parlamentar do deputado Edinho Bez e gerente regional de saúde. Filho de Pedro e Silésia Almeida, e noivo da Bárbara, é o atual presidente da câmara de vereadores de Tubarão.

Thiago Oliveira
Tubarão

Notisul – Como é estar à frente do legislativo?
Evandro
– Estamos no comando há pouco mais de 20 dias. Fácil não é. Até porque você tem que tentar fazer algo que vai dar a tranquilidade para que os outros vereadores possam fazer os seus trabalhos. Preparar a casa para receber os vereadores. Ela não tinha estrutura para receber os outros sete que chegaram. Antes, eram apenas dez. E formamos as comissões, tudo para tentar atender cada um, para que possam fazer o melhor para a sociedade tubaronense. É claro que às vezes tem alguma coisa que atrapalha, até porque comandar algo público é diferente da entidade privada. Porque não pode simplesmente fazer o orçamento e comprar. Não pode resolver de uma hora para outra. Aqui, tudo tem que passar por um processo de licitação. Tudo tem que fazer vários orçamentos. Tem que cuidar muito bem do que pode e o que não pode, já que a legislação acaba te trancando um pouco. Dá vontade de fazer mais, mas não pode fazer muita coisa devido a essa preocupação de que, se fazer algo, lá na frente pode ter que responder.

Notisul – Ser presidente é muito diferente de ser vereador?
Evandro
– É diferente porque o vereador vem aqui uma hora ou outra. Não precisa estar diariamente aqui. O presidente é diferente, pois é ele que comanda os trabalhos na casa. Então, ele tem que estar sempre se envolvendo com as coisas, para não deixar nada ir por terra. Tem que cuidar, senão, pode dar alguma coisa errada para responder lá na frente. E, como somos pessoas públicas, não pode fazer nada nas coxas. Até porque a opinião lá fora é muito complicada. Tem que cuidar do que os outros vão falar.

Notisul – Como foi a decisão dos vereadores de escolher os próximos presidentes antecipadamente?
Evandro
– Quando tivemos a conversa entre os vereadores que fazem parte da oposição ao governo, que são os do PMDB, PSDB, PP e PSD, tratou-se da questão da mesa diretora, e que cada partido teria direito a um nome. Naquele momento, também combinamos que seria feita a mudança do regimento interno, que desse a liberdade para que todos esses acordos feitos fossem cumpridos. Programamos que o primeiro e o segundo ano ficariam comigo e com o Zaga Reis e os outros dois com o Jairo Cascaes e com o Edson Firmino. Então, para que tudo pudesse correr bem, fizemos a alteração no regimento da casa para que a eleição pudesse ocorrer a qualquer momento. Quando fizemos a primeira eleição, já marcamos a segunda, e é o que foi combinado no mês de dezembro.

Notisul – E o que isso traz de vantagem?
Evandro
– A vontade de cada vereador acaba sendo realizada. Pois combina com todo o grupo quem serão os presidentes. Cedendo umas coisas, abrindo mão de outras, chegamos àqueles nomes que o partido tinha vontade. A vantagem é que não tem briga, não tem discussão de três, quatro pessoas que querem a vaga. Quando divide, torna-se mais fácil, não tem as dificuldades. Só precisa se organizar dentro do partido. No PMDB, por exemplo, tínhamos quatro nomes. Dos quatro, tiraram dois. E, numa conversa, mostrando a união do grupo, chegamos a um consenso de quem iria assumir.

Notisul – Como está o PMDB hoje?
Evandr
o – Está ficando muito bom. A gente tem a comissão provisória, comandada pelo presidente Mário César, que está fazendo um excelente trabalho. Na última quarta-feira, fizemos uma reunião com a casa cheia. As pessoas estão com vontade de ter um partido forte de novo. As pessoas que comandavam o partido na presidência passada plantavam muitas dificuldades. Hoje, temos uma pessoa que não tem lado. Quer fazer o partido crescer. Estamos agregando pessoas novas. Tem muitas pessoas que querem se filiar. Desta maneira, o partido só vai crescer e eu tenho certeza que vamos chegar vitoriosos na próxima eleição.

Notisul – O que mudou na câmara desde o seu primeiro mandato?
Evandro
– Neste primeiro momento, mostrou mais harmonia entre os vereadores. Pessoas se respeitando mais. Menos brigas. Também o amadurecimento da minha parte como vereador. Na primeira eleição, primeiro mandato, vem aprendendo, vem querendo fazer. E vê o que pode e o que não pode. A cada dia que passa, a gente amadurece mais. E, como presidente, a responsabilidade é ainda maior. Tem que fazer o melhor. E também não podemos enganar ninguém. Às vezes, o cidadão quer que o vereador vá lá e diga uma palavra que vá resolver a vida dele. Só que a gente sabe que muitas coisas não podem ser feitas, pois o papel do vereador é legislar e fiscalizar, então, não tem como prometer. Nesse período, vemos qual é o verdadeiro papel do vereador, o que pode fazer e não dá para prometer muita coisa. Não temos a prerrogativa do prefeito, que é de executar obras, resolver a vida das pessoas. Nós podemos ajudar, mas não executar.

Notisul – Não prática, o que mudou com o aumento do número de vereadores para 17?
Evandro
– Uma grande mudança é que as sessões ficaram mais longas. Tivemos que limitar o número de apresentações de requerimentos. Não estamos abrindo muito espaço para discussões paralelas como tinham antes, quando eram dez vereadores. Agora não dá mais. Fizemos algumas alterações para deixar a sessão não tão longa. Para que todos os vereadores possam fazer o seu trabalho. E também para que o cidadão que vem aqui acompanhar não saia muito tarde. A nossa sessão hoje acaba em torno das 22 horas. Antes, era no máximo até as 21 horas, 20h30min. Hoje, se não criarmos um limite de requerimentos, passa da 1 da manhã.

Notisul – Aumentou também o número de assessores?
Evandro
– Não. Fizemos uma alteração no regimento interno, e hoje cada vereador tem direito a indicar três nomes. Porque a câmara trabalha das 7 às 19 horas, fora os dias de sessão, que vai até acabar. E temos pessoas que atendem de manhã, um que atende à tarde e aquele que faz o trabalho externo, vai junto com o vereador nas comunidades, que bate fotos. Mas, no primeiro momento, não estão todos nomeados. Até porque, com o aumento no número de vereadores, tivemos que fazer algumas alterações na casa. Então, para que possamos honrar com os compromissos e não ficar devendo nada, temos que fazer tudo certinho, e ir nomeando no momento certo.

Notisul – Qual é o salário de um vereador em Tubarão hoje?
Evandro
– Cerca de R$ 6,8 mil.

Notisul – E você considera esse valor adequado?
Evandro
– Para aquele que se utiliza do salário para viver, para comer, beber, passear, é um excelente salário. Mas, para aquele que, como eu, está sempre ajudando, participando com a comunidade, não fazendo assistencialismo, mas em algumas ocasiões, vendo que o executivo não está resolvendo o problema de algumas pessoas, acabamos solucionando e resolvendo com nossos recursos. Se eu fosse um cidadão comum, que não estivesse envolvido na política, gastaria por mês de combustível em torno de dois tanques de gasolina, que dá em torno de R$ 350,00. Mas, por ser político, por estar nas comunidades, vamos a Florianópolis resolver coisas para o cidadão tubaronense, vamos a todos os lugares do município ver o cidadão. Com isso, não baixa de R$ 1 mil por mês. No telefone particular, recebemos ligação a cobrar. Se fosse um cidadão comum, poderia gastar R$ 100,00, mas gastamos R$ 300,00, R$ 350,00, porque atendemos ligação cobrar, damos retorno. Tem que estar sempre envolvidos. É jantar, um bingo que tem que ajudar. Sempre tem despesas maiores. Por ser político, as pessoas te procuram, você acaba gastando. Para viver do salário da política, não dá. É na construção civil o meu ganha-pão de verdade. O dinheiro da política é para fazer política. Para mim, não é o salário adequado para fazer o que fazemos. Para quem faz o trabalho social, é bom, mas poderia ser melhor.

Notisul – Existe projeto para construir uma sede própria para a câmara?
Evandro
– Na legislatura passada, o presidente (Sargento Batista) fez um projeto em parceria com a Unisul, mas, devido ao repasse da prefeitura com a câmara, que chegou a um acordo comum de não usar o teto máximo de 7%, não teve a sobra do recurso para construir. Teria que ter uma parceria da câmara com a prefeitura. Mas, de qualquer forma, a câmara não paga aluguel. A Tractebel sede o local para a câmara usar. É uma parceria renovada de quatro em quatro anos. Ampliações sempre são feitas. Agora, como aumentou o número de vereadores, tivemos que dar uma ajeitada na casa para receber todos muito bem. Posso até sair da presidência e deixar um projeto, mas de ampliação da sede.

Notisul – Você começou menino na política. Como foi isso?
Evandro
– Nasci em 1982. Na época, meu pai acompanhava minha mãe no médico, o doutor Irmoto Feuerschuette, que era político. Eram cinco minutos de consulta e outros 30 de conversa sobre política. E, dentro da barriga da minha mãe, eu já virei um fanático pela política. Em 1990, meu pai ajudou Manoel Mota, candidato a deputado, e eu já estava envolvido naquele meio. Em 1996, eu estudava no São José e fiz amizade com o filho do ex-deputado Genésio Goulart, e pedíamos voto, íamos nos envolvendo. Fui me preparando. Fiz curso de oratória, recursos humanos, política de governo, para aprender a lidar como as pessoas, como agir em público.

Notisul – E quando decidiu que era isso que queria para a vida?
Evandro
– Logo depois da campanha de 2000, quando ajudei o Pepê Collaço na sua candidatura para vereador. Falei para o meu pai que, se ele me ajudasse, queria ser candidato em 2004. Foi a primeira vez que fui candidato. Naquela vez, não consegui ser eleito. Eu era muito jovem, não tinha serviço prestado. Tinha mais era o apoio do meu pai, da minha família. Eu precisava crescer um pouco mais, para que as pessoas acreditassem que eu tinha responsabilidade. Não era o momento. Eu acho que Deus escolhe a hora. Então, faltou um pouco mais de conhecer as pessoas. Depois que comecei a me envolver bastante com a política, que meu nome ficou mais municipalizado, eu consegui me eleger, em 2008.

Notisul – O seu pai, Pedro Almeida, é uma pessoa bastante conhecida na cidade. Até onde isso contribuiu?
Evandro
– Meu pai é o melhor cabo eleitoral que eu tenho. O carinho da minha família é muito importante. Às vezes, estava meio desanimado e ele não deixava a peteca cair. Sempre muito importante. Ele investe, me ajuda. É fundamental esse apoio. No primeiro momento, em 2004, ele foi 100% da minha campanha. Em 2008, foi 50%. Aprendi muito com ele e com minha mãe.

Notisul – E quais são os seus planos para o futuro?
Evandro
– Tenho pretensões políticas. Não vim para ser só vereador. Não quero mais ser candidato a vereador. Acredito que posso tentar voos mais altos. Um dia, ser candidato a vice-prefeito, prefeito, ou deputado estadual, federal. Mas isso depende de um partido forte na cidade. E ter o apoio das lideranças regionais para encarar. Tenho pretensão, mas sem deixar de lado a empresa familiar, que é o nosso ganha-pão de verdade.

"Só estamos aqui por causa daqueles que nos deram a chave das portas da câmara. Das pessoas que acreditaram no meu trabalho, agora como vereador e presidente da câmara, quero doar o máximo de mim. Para que as pessoas tenham certeza que não colocaram o voto fora, e votaram em alguém que sabe representar a população."

"O documento para a dissolução do diretório do PMDB existiu, mas era verdadeiro. Aqueles que perderam querem enganar as pessoas. Parece que querem tumultuar mais, manchando a imagem do PMDB. Tanto é que esse documento que pediu a dissolução foi entregue uma vez para as pessoas assinar, e elas assinaram. Alguns, por serem amigos dos membros da diretoria, ficaram com vergonha de dizer que queriam eles fora, e afirmaram que não sabiam o que estavam assinando. Então, foi feito um novo documento, e eles assinaram da mesma maneira, mesmo sabendo do que se tratava. Mostrou por duas vezes que o diretório queria a dissolução. Foi feito, repetido. E acabamos mostrando que o partido tem que ter essa mudança e que as pessoas não estavam contentes com a presidência anterior. Ninguém foi enganado."

"O tubaronense pode esperar muito trabalho, dedicação total. Para ser político, teu nome tem que estar sempre em evidência. E, para estar em evidência, torna-se caro.”

Evandro por Evandro

Deus – Tudo.
Trabalho – Tudo também.
Família – Essencial.
Passado – Já foi.
Presente – Trabalho.
Futuro – Sucesso.