Amanda Menger
Laguna

Notisul – Qual a sua avaliação em relação à coligação pela qual é o cabeça-de-chapa?
Célio – É uma boa coligação. Porque os partidos coligaram-se sem nenhum tipo de negociação, firmaram um compromisso que pode ser tornado público, que tem como meta estabelecer o desenvolvimento econômico e social da cidade. A coligação propõe-se a instrumentalizar um programa que nós criamos, o PLA, obras estruturantes da cidade, calçado em uma política que recebe terras para vender depois. Essa coligação com PRB, PP, PT, PTB, PMN, PSB está centrada única e exclusivamente no crescimento e desenvolvimento da cidade.

Notisul- Quais projetos estão englobados em seu programa de governo?
Célio – O avanço da industrialização. Nós precisamos fortemente gerar mais empregos em Laguna, olhando três setores: o desenvolvimento empresarial – queremos trazer em torno de cinco mil empregos em médio tempo; a pesca – com o crescimento da área portuária, desenvolvimento da indústria, pelo qual estamos conversando com chineses, russos e empresas regionais; e construção de um novo distrito industrial na BR-101, na Caputera, em parceria com um grupo empresarial. Isso tende a trazer a mobilidade financeira da cidade.

Notisul – Em sua visão, qual a maior necessidade de Laguna?
Célio – Laguna hoje precisa de infra-estrutura. Nós começamos a fazer isso e queremos continuar. Nós conseguimos trazer o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do saneamento, que são investimentos de R$ 5 milhões iniciais. Com isso, vamos transformar a cidade. Isso, aliás, é uma exigência do Ministério Público Federal, que quer saneamento na região, e nós já avançamos neste ponto.

Notisul – Como o senhor avalia os investimentos feitos pelos governos federal e estadual na cidade?
Célio – Do ponto de vista federal, o governo colocou recursos na prefeitura e nós fizemos as obras. Acredito que esta é a melhor forma de descentralizar. Assim, construímos escolas, ginásios de esporte, central de informações turísticas, sinalização turística, revitalização do centro histórico, pavimentações no Farol de Santa Marta, no Bananal, na Estiva, na Caputera. Do governo do estado, não temos convênios para obras de pavimentação, que é a maior necessidade da prefeitura. Temos dois convênios com o governo do estado em quatro anos. A maior parte dos recursos é para eventos, dentro da integração turística do estado. Mas também não faço críticas ao governo do estado. Cada um sabe o que faz.

Notisul – A pesca e o turismo estão entre as principais fontes econômicas de Laguna. Como desenvolver estas áreas? Se eleito, pretende investir também no turismo ecológico, muito tímido ainda?
Célio – Não é tímido. Muito pelo contrário, o turismo ecológico é altamente desenvolvido. Porque Laguna tem uma cultura da preservação ambiental. A Santur aponta que Laguna é visitada por suas belezas naturais, isto é turismo ecológico. Quando você tem praias com balneabilidade, praias desertas, trilhas, grandes dunas e passeios náuticos, significa que cuida do turismo ecológico. Por isso o PAC do saneamento, para que possamos ter índices melhores. A secretaria de turismo tem vendido muito esta imagem do turismo, da pesca da tainha com os botos, o Farol de Santa Marta.

Notisul – Os investimentos no porto de Laguna já foram anunciados pelos governos estadual e federal. Qual a expectativa?
Célio – O governo estadual não tem investimento no porto. O governo federal é que efetivamente investe. A abertura da barra que se concretiza este ano é uma obra do governo federal e muito difícil, complicada. No período que eu estive no governo federal, conseguimos trazer investimentos para o porto, para o terminal pesqueiro. Com isso, criamos mais duas unidades de recepção de pescado, modernizamos o terminal e, agora, o governo federal discute mais 150 metros de cais. Por conta disto, já tem empresas de Navegantes deslocando-se para Laguna.

Notisul – Como observa a polêmica em relação ao espetáculo teatral que conta a vida de Anita Garibaldi? A administração atual deixou de realizá-lo durante dois anos… Se for eleito, continuará a investir?
Célio – Nós não deixamos de realizar nenhum ano. Foi uma parada de um ano por uma discussão judicial em que o ex-prefeito Adilcio Cadorin requereu o direito de autoria do espetáculo e isso criou impedimentos para a captação de recursos. Mas nós continuamos o evento, já estamos na terceira edição de A República em Laguna. Nós conseguimos abrir as portas dos ministérios da cultura e do turismo para o envio de recursos para o evento. Conseguimos também trazer atores globais que estão na ponta, diferente de antes, que traziam atores de segundo escalão. A República em Laguna conta a história da cidade e eu, como prefeito, entendo que contar essa história é muito importante para o turismo, porque somos uma cidade histórica. Não existe polêmica com relação à República. É histórica. Não é polêmica.

Notisul – Como avalia o contrato com a Casan para a realização do esgoto sanitário na cidade? As obras são feitas? Existe possibilidade de municipalizar a água caso a Casan não cumpra o contrato?
Célio – Não. Nós temos um convênio com o governo do estado que é a garantia, foi assinada pelo governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e pelo presidente da Casan, Walmor De Luca. Não é simplesmente um contrato, o governo do estado irá dar a contrapartida. A Casan assinou neste mês o convênio com o BNDES no valor de R$ 4,5 milhões e a contrapartida que chega a R$ 5 milhões para fazer o saneamento no Mar Grosso, Morro da Glória, Navegantes, Magalhães, Ponta das Pedras, Vila Vitória e Centro Histórico; esse é o compromisso inicial. Em negociação em Brasília com o secretário Leodegar Tiscoski, ele já sinaliza o aporte de R$ 10 milhões para a segunda etapa, para os bairros Portinho, Cabeçudas, Campo de Fora, Esperança e Progresso. Com isso, nós atendemos 100% da área urbana. Este convênio é altamente benéfico e não foi questionado.

Notisul – O senhor considera positiva a sua gestão frente à prefeitura?
Célio – Mais do que positiva. É uma administração de sucesso. Com planejamento estratégico, potencializamos todas as áreas do município. Trouxemos obras, investimentos, recursos para sanar aquelas deficiências que tínhamos, como a falta de um portal turístico. Além disso, é uma gestão com ética, coerência, compromisso de não desviar os recursos públicos, ter transparência, evitar corrupção. São marcas importantes, intangíveis. Mas, do ponto de vista da minha satisfação pessoal, muito importantes.

Notisul – Se pudesse fazer algo diferente em sua gestão, o que faria? E o que pretende manter se eleito?
Célio – Diferente nada. Laguna passou por ciclos políticos de políticos tradicionais, que estão representados nas outras coligações, que nunca olharam o desenvolvimento econômico da cidade. Sempre administraram a cidade para o seu grupo político. Nós não fizemos isso. Queremos continuar as mudanças. Queremos melhorar a cidade, porque isso é representado pelo sentimento da cidade: 95% das pessoas declaram amor a Laguna. A coligação Laguna Amada olha o município com carinho, olhando o cidadão que é eleitor, e procura resolver os problemas que ele tem na educação, na saúde que são pontos da nossa administração.

Notisul – Laguna é conhecida também pelo Carnaval. A festa é considerada uma das melhores do país. Uma referência. Mas, nos últimos anos, o índice de violência aumentou. Como pretende amenizar a situação?
Célio – Ao contrário. Os índices de violência diminuíram. Nós conseguimos colocar a Polícia Militar nas ruas, criamos a Guarda Municipal. Aquilo que estava precário na organização nós resolvemos e os índices de violência diminuíram. Para o turismo, o Carnaval precisa ser algo seguro, e o nosso Carnaval deixou de ser violento. Uma briga ou outra ocorre.

Notisul – Se eleito, pretende interferir na “briga” pelo título de Terra de Anita? Lages contesta. Diz que a heroína nasceu lá. Qual a sua opinião sobre isso?
Célio – Isso não tem valor sobre o ponto de vista histórico. Eu prefiro ficar com a história.

Notisul – Se o senhor não for eleito, que rumos seguirá profissionalmente? Continuará na política?
Célio – Eu vou ser eleito. Porque nós temos um projeto consistente para a cidade. Diferente dos demais candidatos, eu tenho emprego. Tenho uma vida pessoal construída, estabilizada.