Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Como o senhor avalia o momento econômico?
Alberto
– A crise existe de forma mundial, mas eu não gosto de usar esse nome: crise. Porque afeta muito no pessimismo das pessoas. O Brasil, felizmente, é um dos países que está sofrendo menos. E por quê? O brasileiro já está acostumado com crises, só que com crises internas. Hoje é mundial, então passa a ser mais perversa porque as grandes empresas deixam de exportar, têm os problemas de créditos para exportação, porque os bancos internacionais quebraram. Essa é uma diferença, os internacionais quebraram e os brasileiros não. Porque tinha solidez aqui. O governo federal está comandando de uma forma correta, tirando algumas exceções, principalmente do lado político-partidário. Na parte econômica, o Brasil está na linha certa. Se foi copiada do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), melhor, parabéns para ele, não se deve incriminar ninguém por copiar algo importante para o país. A crise no Brasil, pensando em Tubarão, não chegou por aqui. Quando a crise chega para valer é quando atinge o desemprego e aumenta a inflação. Mas o governo está com as rédeas na mão, e há, inclusive, uma tendência de deflação.

Notisul – Mas há empresas em Tubarão demitindo…
Alberto
– Temos um caso até bem recente em Tubarão, da Beckhauser. Mas eu fui me informar e a situação não é bem essa que estão dizendo. A indústria Beckhauser trabalha 24 horas por dia, 365 dias por ano. Ela não fecha. Um dos gerentes de produção foi chamado na diretoria e disse que não iria parar a produção neste feriado. Esse gerente levou para o proprietário a informação de que tinha 15 funcionários que não queriam trabalhar no feriado, então, ele disse que era para demitir os 15 e contratar outros 15. Destes 15, quatro resolveram ficar e 11 bateram o pé e foram demitidos. Mas esta empresa tem vagas para mais 70 funcionários. Deu-se a impressão que a Beckhauser estava demitindo por causa da crise. E é bem ao contrário, precisa de empregos e qualificados.

Notisul – Tem outras empresas em Tubarão que precisam de empregados e não estão conseguindo?
Alberto
– Vamos voltar para o comércio que é a área que eu atuo, como presidente do sindicato patronal. Eu estive em contato com os gerentes das maiores lojas e ninguém está demitindo. O que falta? Qualificação. Esse é o trabalho que a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Tubarão está fazendo, que o Sindilojas está fazendo e agora a secretaria de indústria e comércio da prefeitura pretende entrar de corpo e alma no projeto de qualificação profissional. E não apenas do comércio, mas de todas as áreas produtivas, como prestação de serviços. O empregado não tem culpa. Nós fazemos muitos cursos, mas são relâmpagos. Mas ele estuda dois, três dias, faz palestras e depois esquece tudo. Na secretaria de indústria e comércio da prefeitura, nós temos uma associação das costureiras e, em parceria com a secretaria de assistência social da prefeitura e esta associação, forma uma turma de costureiras a cada três meses. Na área da construção civil, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) já protocolou um ofício junto à secretaria reivindicando uma área para que eles construam uma escola de aperfeiçoamento da construção civil, Tubarão é muito carente nesta área. A secretaria dará todo o apoio neste sentido, porque a construção civil é a que mais gera empregos em um país.

Notisul – Como estão os contatos para atrair novas empresas para Tubarão e como está a questão da criação de um distrito industrial?
Alberto
– Geograficamente, Tubarão, quando se fala em distrito industrial, é um problema sério. Nós só temos uma área importante que é a da Fazenda Revoredo, que é do Grupo Guglielmi, onde existe espaço, é fácil de fazer o aterro. Mas é uma propriedade privada. Há muito tempo, nós estamos em contato com os proprietários para fazer ali, de repente, um distrito industrial privado. Eles fazem a infraestrutura e vendem para as indústrias que queiram instalar-se ali. O nosso pensamento, ao menos para 2009, sabendo da crise, é de que é difícil atrair indústrias para cá, porque estas empresas já enfrentam dificuldades em outros locais. Ninguém quer fazer novos investimos. Nós lutamos pela permanência e pelo progresso das indústrias que já estão aqui. Porque, se a crise chegar forte aqui, será muito pior. Temos que olhar para as empresas que estão instaladas aqui. Várias delas, inclusive, estão reivindicando área para se expandirem, como é o caso da Sanpet. Nós estamos vendo um processo de permuta. A prefeitura poderá ceder uma área próximo à empresa e eles nos darão outra que pertencem a eles em outro local. Para nós, é interessante, porque poderemos oferecer a área para outra indústria que queira instalar-se na cidade. Tem também a Sanplast, em São Martinho, que também precisa de área para aumentar a produção. Quero deixar bem claro que em Tubarão a crise ainda não chegou. Tem muitas empresas se expandindo, como a Tecnocola, que está construindo um novo pavilhão. Eles trarão o parque de distribuição de Biguaçu para Tubarão. Daqui, os produtos serão distribuídos para os três estados do sul. Dentro deste contexto, não podemos reclamar, mas é claro que precisamos aumentar o número de indústrias na cidade. O que gera emprego, encargos, impostos é a indústria. Não podemos nos descuidar do comércio também.

Notisul – Tubarão é um polo do comércio também…
Alberto
– Nós fizemos uma pesquisa que aponta que o comércio de Tubarão está preparado para uma população de 300 mil habitantes. Com a inauguração do Farol Shopping, do Centro Comercial Tubarão e mais as outras lojas, pode atender uma população de 300 mil habitantes, para ter noção da punjança do comércio.

Notisul – O fato do Atacado Tubarão ter se transferido para Criciúma foi uma questão isolada?
Alberto
– Sim. Foi uma questão tática de comércio. Houve uma celeuma muito grande aí. As entidades foram acusadas de omissas. Existem cinco atacados no sul, de Passo de Torres até Tubarão, e existia um acordo entre as empresas de ônibus que trazem o pessoal para fazer turismo de compras: eles paravam nos cinco atacados, mas, quando chegavam em Tubarão, o pessoal já estava cansado. Os passageiros, às vezes, nem saíam do ônibus. O motorista trazia porque tinha o compromisso de chegar em Tubarão, mas o pessoal ficava no ônibus descansando e não comprava na cidade. Por uma questão de economia, acharam melhor levar as lojas para Criciúma, e o ônibus vai só até Criciúma, no Pórtico. Só que tem um detalhe que as pessoas não falam. As indústrias que vendiam no atacado foram para Criciúma e lá estão vendendo mais. Perderam-se trinta e poucos empregos. Cerca de 50 pessoas vão todos os dias para lá. E as indústrias não fecharam, aliás, até contrataram mais pessoas, porque a demanda aumentou.

Notisul – E o caso Campeiro?
Alberto
– Tubarão é uma cidade pequena e, quando ocorre a demissão de 130 funcionários, isso cai como uma bomba na opinião pública. Nas grandes cidades, abre e fecha empresas todos os dias. As entidades e a secretaria de indústria e comércio da prefeitura foram pegas de surpresa neste caso. Tenho certeza que vocês da imprensa não sabiam dessas dificuldades da empresa. Tanto é que a Campeiro não tinha restrição nenhuma no Serasa. Estava tudo normal, tinha crédito nos bancos. O que é que se vai fazer se houve de repente uma má intenção por parte dos seus dirigentes? O que a gente sabe é que a empresa era administrada por uma pessoa que morava em Tubarão, mas que o seu capital era estrangeiro, era americano. A única esperança que temos é que alguém compre a Campeiro. Os funcionários já assinaram as rescisões e isso nos preocupa, como absorver essa mão-de-obra, por outras empresas ou pela mesma, por meio da compra. A gente sabe das dificuldades devido ao passivo da empresa. O valor da empresa é bem menor do que as dívidas, que chegam a R$ 37 milhões, R$ 40 milhões. Se a Campeiro vale R$ 13 milhões e as dívidas são desta monta, ninguém vai se interessar, é muito difícil a venda. Estamos aguardando a visita do presidente da empresa, o americano Gary Kennedy.

Notisul – Há algum contato com ele, uma conversa agendada com as entidades, com a secretaria de indústria e comércio da prefeitura?
Alberto
– Nós estamos esperando ansiosamente a vinda dele aqui. Há quem diga, não há nada oficial, que as empresas que ele tem não apresentariam solidez. Mas, há mais de um mês, quando Salmon Flores, da Rádio Bandeirantes, colocou no ar uma entrevista que ele deu no Paraná, falando sobre a venda da empresa, ele disse que investiria lá US$ 50 milhões, então, isso significa que ele teria condições de pagar as dívidas e reerguer a empresa aqui. Porque não tem lógica investir em uma empresa de arroz no Paraná. A produção de arroz é em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O Paraná não produz arroz. Não justifica transferir uma empresa desta, o custo é muito alto. Isso é o que a gente sabe, infelizmente, a empresa está fechada em Tubarão.

Notisul – Será dada continuidade ao programa Santo de Casa Aqui Faz Milagre, que oferece incentivos fiscais às empresas que queiram instalar-se no município, ou ampliações?
Alberto
– Sim, mas vamos reformular algumas questões. Porque a economia no mundo e no Brasil mudou, então, temos que nos adequar. Foi um projeto muito bem feito, quando a secretaria era conduzida por Glauco Caporal e Afonso Furghestti. Toda a parte legal será obedecida rigorosamente.

Notisul – Vários investimentos foram anunciados na cidade. O grupo Wal-Mart diz que as obras do supermercado Nacional estão dentro do cronograma e deve inaugurar a loja em agosto. Há outras empresas investindo na cidade?
Alberto
– Já falei da Sanplast e da Sanpet, que estão solicitando áreas para ampliar seus negócios. A Tecnocola também está em expansão, está construindo mais um galpão. Temos a Alcoa, que fechou em algumas partes do mundo e do Brasil e aqui em Tubarão manteve a unidade e aumentou a produção. A Itagres está vendendo toda a sua produção, em função dos incentivos que o governo federal está dando para a área da construção civil. Novas empresas: nós temos que trabalhar em cima do parque de fabricantes de móveis. Se o público não sabe, temos mais de cem empresas que produzem móveis sob medida. Tubarão hoje é o maior produtor do estado nesta área. São mais de dois mil empregos. É o pensamento da secretaria de indústria e comércio da prefeitura, de convencer estas empresas a formarem, na BR-101, um grande show-room, para apresentarem ali tudo o que se produz de móveis em Tubarão. Dentro desta mesma área, a indústria de móveis Formus, que é uma das maiores do estado, já solicitou também à secretaria uma área para aumentar a empresa e produzir mais. Notem, só temos notícias boas em Tubarão. O que falta é darmos a divulgação necessária e incentivar as empresas que estão aqui. Todo mundo fala que tem que trazer indústrias para a cidade, mas em primeiro lugar temos que valorizar as que já estão aqui e dar condições de se expandirem. Evidentemente que, se tivermos a possibilidade de atrair novas indústrias, vamos dar a devida atenção. Nós temos um curinga na manga, sobre indústrias, no estado, que enfrentam dificuldades com relação aos sindicatos dos trabalhadores, que fazem muitas exigências. E os industriais querem mudar-se para municípios em que os sindicatos são mais amenos. Estamos, como se diz na gíria, com as antenas ligadas. Mas temos uma parte negativa nossa, que é a falta de área para ceder a estas empresas. Existem algumas áreas que estão sub judice, porque foram doadas a empresas e elas não tiveram sucesso e temos que fazer com que estes terrenos voltem à prefeitura. Tanto é que hoje não doamos mais. É feita a concessão da área, por até dez anos. A doação só é feita após a verificação do rendimento da empresa, com número de empregos gerados, com impostos arrecadados, com o crescimento da produção, para que então o terreno seja de fato transferido para a empresa. E temos que agilizar este processo de concessão. Hoje, demora até dois anos, queremos que isso passe para três, quatro meses, por isso algumas reformulações que eu tenho certeza que serão aprovadas pela câmara.

Notisul – A Amurel, em especial Tubarão, é um bom lugar para se investir hoje?
Alberto
– Hoje não existe, na minha opinião, região melhor do que a nossa para se investir. Tubarão tem uma das melhores universidades do Brasil, um dos melhores shoppings do interior, um sistema de saúde invejável com o maior hospital do estado, que é o Nossa Senhora da Conceição, uma maternidade e hospital como a Socimed que é modelo no Brasil todo, clínicas que não se encontram em cidades maiores, temos uma obra de clínica renal que será modelo também. Temos um comércio forte. É uma coisa lógica, se tanta gente, como o grupo Wal-Mart, a Renner nunca pensou em abrir filial em cidades com menos de um milhão de habitantes, e Tubarão sozinho tem 100 mil. Isso mostra a importância da região. O Aeroporto Regional Sul é uma realidade, está em obras, o acesso pela BR-101 deverá começar logo, em 60 dias será feita a licitação. Com a BR-101 duplicada, teremos um boom de crescimento imobiliário. Foi o que ocorreu no norte do estado. Depois que a rodovia foi duplicada, houve uma explosão de crescimento imobiliário em Bombinhas, em Balneário Camboriú, porque os paranaenses sentiram-se atraídos e investiram lá. Agora, é a vez do sul, de atrair os gaúchos para investirem aqui, em Laguna, em Jaguaruna, no Balneário Rincão. E isso é muito bom, porque é um dinheiro que vem de fora para cá. Para quem quer fazer bons investimentos, esta é a hora boa de comprar terrenos nas praias, e haverá uma especulação imobiliária muito grande. Temos que investir em mão-de-obra qualificada. Não adianta trazermos indústrias de mil empregos para ganhar uma ninharia. Melhor que sejam empresas menores, de 100, 200 empregos, mas com trabalhadores qualificados, porque os salários serão maiores e o padrão de vida deles também, com poder de consumo.

Notisul – E o que Tubarão precisa fazer, o que deve investir para ter um diferencial?
Alberto
– Eu me preocupo muito com o embelezamento da cidade. Tubarão é linda pelo poder que a natureza deu. Mas temos que melhorá-la, em termos de limpeza, de o próprio cidadão melhorar a frente de sua residência. E esse é o propósito do prefeito, Dr. Manoel Bertoncini (PSDB). Quando tivermos a beira-rio bonita, se não der para fazer aquele projeto do prefeito Carlos Stüpp (PSDB), que façamos aos poucos, de forma mais simples, mas façamos. E o Dr. Manoel está firme neste propósito. Nós precisamos da ajuda da sociedade. Temos hoje problemas de calçadas, Stüpp começou um projeto de padronização das calçadas, na avenida Marechal Deodoro e estendeu-se pela Lauro Müller. Nós temos uma proposta na área comercial de melhoramento na beira-rio. Os lojistas que têm o seu comércio na avenida Marechal Deodoro ficariam responsáveis, adotariam a parte que fica em frente a sua loja. Essa é uma proposta que eu levei ao prefeito há alguns dias e vamos nos reunir com os lojistas. E pela conversa que tive com alguns lojistas, eles têm grande interesse em participar. O projeto seria feito pela secretaria de planejamento da prefeitura, para que haja um padrão, e os lojistas adotariam os espaços. Depois, a conservação ficaria a cargo do poder público municipal.