Advogado, formado pela Univale e pós-graduado pela Unisul, Estener Soratto da Silva Júnior, de 36 anos, é casado e pai de um menino. Descobriu desde cedo a paixão pela política ao acompanhar o pai durante as trajetórias eleitorais. “Recordo-me de ir aos comícios com o meu pai para distribuir santinhos e colar adesivos em carros e tudo mais”, relembra Estener, que desde março está à frente da secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão. Dedica todo o tempo livre à esposa Graziele e ao filho Manoel. “Nossa vida é bastante atribulada, então é difícil sobrar tempo. Sempre que posso, dou atenção exclusiva a eles”, destaca o secretário. É empresário, dono de uma corretora de seguros em Tubarão. Espelha-se no pai, já falecido, para seguir no caminho político com ideais firmes e novas.
 
 
Fernando Silva
Tubarão
 
 
Notisul – Como foi a relação do seu pai, prefeito de Tubarão, e da sua vida política?
Estener Soratto da Silva Júnior – Quando eu comecei a me entender por gente foi em 1986, quando eu tinha 9 anos, e foi quando ele disputou pela primeira vez como candidato a deputado federal. Ele acabou ficando como primeiro suplente e foi esta eleição que o projetou para vir a ser candidato a prefeito dois anos depois. Eu, mesmo criança, com meus 11 anos, já participava das campanhas, colando adesivo em carro, distribuindo santinhos nos comícios e afins. Dessa forma, fui tomando o gosto pela política. Meu pai conseguiu ser prefeito, depois ele foi candidato para deputado estadual, quando acabou não se elegendo, o que, para nós, foi uma decepção bastante grande, principalmente pelo fato dele ter feito um bom governo. Isso, as pessoas reconheceram. Ele acabou com diversas obras importantes na cidade e conseguiu fazer os dois sucessores, tanto em Tubarão quanto em Capivari de Baixo, que havia acabado de ser emancipada, foram eleitos. Isso demonstra que o seu governo realmente foi aprovado pelas pessoas. Mas depois dessa derrota nas urnas, a gente se desligou um pouco da política e, então, eu esqueci um pouco dessa parte. Mais tarde eu recebi um convite de Reny Tito Heinzen, para vir participar da campanha a prefeito como cabo eleitoral, e voltei a tomar gosto pela coisa. As pessoas me identificavam muito com o meu pai, não somente pela fisionomia, mas também lembravam muito das ações e do jeito dele de tratar as pessoas. Isso fez com que eu tivesse um gosto ainda maior de ficar na política e de tentar reavivar esse sonho de, um dia, ser prefeito de Tubarão.
 
Notisul – O senhor foi candidato a vice-prefeito ao lado do ex-prefeito Carlos José Stüpp. Como é a relação dentro do partido?
Estener – Bem, o Stüpp é o presidente do nosso partido, a gente conversa rotineiramente e tem a ideia de que, mesmo com ele falando que não será mais candidato, mas vemos uma liderança e o partido tem também me visto como uma liderança. Então, sou muito grato por isso!
 
Notisul – Você planeja se lançar como prefeito, espelhando-se em seu pai e aspirando a realização desse sonho?
Estener – Sem dúvidas. Tenho este sonho e pretendo realizá-lo. Não tem data ainda para isso, porque não depende somente de mim. Tem que, antes de mais nada, haver a aceitação do partido. Eles têm que ter essa vontade e sonhar junto comigo. Todos sabem que isso não é agora, e sim futuramente. Mais importante que isso é a questão da população. As pessoas têm que querer e abraçar essa ideia.
 
Notisul – Como foi a sua troca de partido? O que ocorreu?
Estener – Tínhamos uma discussão muito grande. Acredito que o partido não pode ter dono. E o PDT tinha um dono, uma pessoa que comandava e não queria abrir a direção do partido para outras pessoas, que como eu desejavam fazer parte disso. Infelizmente, não abriram essa oportunidade para nós e saí. Fui para o partido que eu mais simpatizava, até fui pela figura do nosso prefeito, Manoel, por ter nos prestigiado como secretário e, depois, primeiro secretário de indústria e comércio e depois de gestão municipal. Conversei com uma pessoa que eu entendo como um conselheiro político que era o Reny, e acabei indo para o PSDB. Estou muito contente. O partido tem um carinho muito grande entre todos.
 
Notisul – Hoje, como secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, quais são as suas principais metas?
Estener – A principal meta é fazer o recurso chegar na região de Tubarão, de forma não somente a atender aquilo que nos é de direito, pelo nosso tamanho e potencial, mas também para recuperar esse tempo perdido que o sul do estado teve com o atraso da BR-101. Essas são as nossas metas. Buscar o maior volume possível de recurso. Outra meta, que desde o início temos lutado, é a infraestrutura nas escolas. Melhorar a parte física das escolas. A gente sabe que o estado tem um corpo de professores já bastante grande, com pessoas competentes, e a parte pedagógica tem sido bem conduzida e o que esta faltando, na minha visão, é essa melhor estrutura das escolas.
 
Notisul – E as obras já em andamento na região? A Arena Multiuso, por exemplo, como está?
Estener – Da arena, conseguimos uma vitória que foi fazer o aporte de mais de R$ 6,3 milhões, sem contrapartida do município. Isso foi inédito no estado porque, desde janeiro do ano passado, quando mudaram a legislação, nenhum município poderia ter o recebimento de recursos sem a contrapartida do município. Foi uma vitória bastante expressiva para a SDR e para o governo do estado e concluir uma obra que não é somente de Tubarão. É algo que vai mudar o contesto cultural, esportivo e turístico da região do estado que poderá receber competições nacionais pela estrutura. Vai ser um diferencial para a nossa região. A nossa intenção é inaugurar esta obra até maio do próximo ano. Esse é o nosso objetivo. A prefeitura, o estado e a construtora responsável pela obra, firmaram o compromisso de todos trabalharem.
 
Notisul – E em relação às obras da UPA 24 horas. Qual é a situação?
Estener – Ali, temos um problema de recurso. Havia uma ideia de colocar dentro do Fundo de Apoio aos municípios, que é o Fundam, mas há uma discussão dos próprios técnicos do BNDE, que é a instituição financeira que gerencia o Fundam, no sentido de que não poderia ser abrigada uma obra já em andamento dentro do Fundam. Com isso, agora, estamos pleiteando junto à secretaria de saúde, para que ela nos ajude a concluir essa obra. Sabemos que é da prefeitura, o governo do estado já entrou com R$ 1,3 milhão, com a contrapartida do município. Hoje, faltam cerca de R$ 2 milhões para concluir a obra. A intenção é de que o estado seja parceiro nesses recursos que faltam.
 
Notisul – E os outros projetos da SDR de Tubarão?
Estener – Bem, temos a Ponte de Congonhas. A empresa vencedora tem até o dia 12 de dezembro para nos entregar o projeto concluído. É uma empresa de grande porte, sabe fazer, e a gente espera tão logo esse projeto fique pronto, para conveniar com os  municípios de Tubarão e Jaguaruna, aí sim, construir a nova ponte. Não temos ideia do valor ainda, mas ela já havia sido orçada no valor de R$ 900 mil em 2011, acabou sendo licitada por R$ 700 mil, mas era menor no comprimento e largura. Então, o orçamento nós só vamos ter na hora que a empresa entregar esse projeto. Além disso tudo, temos também a pavimentação da estrada que liga à Esplanada. A pavimentação que liga o Morro Grande ao Campo Bom e o Casep que está ficando pronto agora. E também a retomada das obras da Rodovia Serramar.
 
Notisul – Como você avalia as questões do aeroporto?
Estener – Essa é uma grande luta que a gente vem travando. Não somos pai da criança, e nesse ponto existe uma discussão que chegam a ter ciúmes de nos envolvermos nessa história, mas isso é algo que começou em 2001, e nós entramos na questão em 2013. O que importa é ver o aeroporto pronto, e não quem é o pai, até porque essa obra não tem somente um pai, e sim vários. É importante também frisar que o governo do estado já  colocou nessa obra, de janeiro de 2011 até hoje mais de R$ 13 milhões, somente no mandato do governador Raimundo Colombo e do vice Eduardo Moreira. Não há provas maiores do que queremos ver isso decolar o mais rápido possível. Claro, dependemos de um órgão federal, e isso foge da nossa alçada, o funcionamento dele, mas creio que tudo está muito próximo. Nem que seja para começar com os voos de menores capacidades e, posteriormente, tenhamos aviões grandes pousando na região.
 
Notisul – Falando em dificuldades, o verão chegou, mas a BR-101 continua com as obras atrasadas. Como o senhor avalia isso?
Estener – A pressão é muito grande. Infelizmente nós, enquanto governo estadual e os governos municipais, pouco podem fazer além de reivindicar como qualquer cidadão. Estamos lutando bastante para que se finalize isso. Nosso prejuízo, enquanto região sul é muito grande. A Unisul, junto com a Fiesc, fizeram um levantamento há pouco tempo atrás, que aponta mais de R$ 32 bilhões,  e hoje, o valo deve estar ainda maior, porque esses atrasos e esses engarrafamentos continuam espantando os investidores na nossa terra. Então, a gente sabe que a obra terá um impacto muito grande, principalmente para o escoamento de produção. Como outra também, que é uma bandeira que nós assumimos aqui, apesar de ser uma obra de responsabilidade do  governo federal, nós também tomamos ela como bandeira, que é a Ferrovia Litorânea. Tivemos no meio do ano com a empresa que faz o projeto dessa ferrovia, contratados pelo governo federal e, conversando com técnicos da empresa, ficamos espantados em saber que, na melhor das hipóteses, essa obra seria concluída em 2021. O projeto dela deve ficar pronto em maio do próximo ano. É algo de extrema importância porque vamos ligar a nossa região à malha ferroviária nacional, fazendo com que a gente ultrapasse o porto de Imbituba e consiga chegar a contatos mais à frente. 
 
Notisul – O sul do estado é menos favorecido em relação a outras cidades quando o assunto é governo estadual e federal?
Estener – Eu acredito, e posso falar, a partir do momento em que entrei na SDR, o que temos visto, na realidade, é uma distribuição bastante justa dos recursos, seja para o sul do estado ou para o oeste. Isso tudo a começar pelo Fundam, que tem o seu recurso distribuído com base no número de população de cada município. Isso mostra um profissionalismo grande da atual gestão no sentido de dividir os recursos. Outra questão, na educação, é a distribuição de recursos que passará a ser pelo número de alunos. Isso demonstra mais uma vez o profissionalismo deles. Isso evita que a receita vá para quem tem a maior representatividade política. Faz com que tenhamos obras esperando para se tornar realidade.
 
Notisul – O governador conquistou muita gente com a questão dos Pactos por Santa Catarina? Como você avalia isso?
Estener – Acho que a grande sacada do governador foi no sentido de renegociar a dívida que o estado tinha com a União. A partir do momento em que ele conseguiu renegociar e fazer com que caíssem os valores que o estado pagava de juros, ele pôde ganhar em poder de financiamentos, que viabilizaram o pacto e fez com que obras paradas e obras sonhadas fossem feitas. Acho que a grande sacada foi essa. 
 
Notisul – Como o senhor avalia o julgamento dos mensaleiros?
Estener – A justiça começa a ser feita. Mesmo que tardia. Mas ver por meio da imprensa que o ex-presidente Lula disse aos condenados: “estamos juntos”, foi ver ele atestar e assinar em baixo que sabia e que patrocinou tudo o que ocorreu com o país. É uma vergonha. Prova de que é a corrupção que realmente leva o nosso país para baixo e impede que não sejamos ainda mais desenvolvidos. Acredito que a sociedade está vendo isso. As manifestações e os protestos são prova disso e o político que não perceber está fadado ao insucesso nas próximas eleições.
 
Estener por Estener
Deus – Necessário.
Família – Acima de tudo.
Trabalho – Gratificante.
Passado – Experiência.
Presente – Nós é que fazemos.
Futuro – Conquista.
 
"Eu acredito que a justiça começa a ser feita com o caso dos mensaleiros. O que me assusta são militantes do PT querendo fazer parecer algo da oposição. Achar que não houve um mensalão é um absurdo".
 
"O prefeito que entender que no segundo ano de mandato fica impedido de obter recursos estaduais e federais por causa das eleições vai se sobressair".
 
"Os que acham que dá para fazer algo a partir do segundo ano de mandato, com certeza enfrentarão muita dificuldade".