Falar dos 53 anos de Jairo dos Passos Cascaes não é uma tarefa difícil. Tubaronense de São Martinho, comunidade onde ainda reside, ele exerce a função de líder desde muito jovem. Cresceu jogando futebol nos campinhos do bairro e chegou a ser centroavante do Clube Santos de sua região. Fez parte de inúmeros conselhos desde os comunitários até os estaduais, sempre com a missão de buscar melhorias para a população, inclusive na realização de um trabalho para as pessoas portadoras de necessidades especiais. É casado com Gisele e pai de Renato, de 31 anos, e Patrícia, de 26. Começou a trabalhar aos 14 anos como office boy na Câmara de Vereadores de Tubarão e, nos dois anos seguintes, foi atuar na prefeitura. Em 1981, passou no concurso para ser escriturário do executivo municipal. Dentro da administração pública, exerceu vários cargos, de secretário a chefe de setor e diretor de departamento. Atualmente, além de continuar a vereança, foi escolhido para ser secretário de desenvolvimento regional, cargo que já ocupou em 2009 e que seguirá até o dia 31 de dezembro, véspera de tomar posse como presidente da Câmara de Vereadores, posição que sempre sonhou em alcançar. Com este currículo, costuma dizer que conhece muito bem a máquina pública.

Silvana Lucas
Tubarão

Notisul – Há 30 dias como secretário de desenvolvimento regional de Tubarão, com a proposta de seguir somente até o fim do ano. O que pode ser realizado neste tempo? 
Jairo dos Passos Cascaes (PSD) – O secretário muda, mas o governo é o mesmo. Um dos trabalhos do executivo estadual é dar continuidade à administração. O próprio Raimundo Colombo (PSD) realiza um governo de continuidade, de Luís Henrique da Silveira (PMDB). Muitas obras que estão em execução começaram em gestões anteriores e outras deverão seguir, independente de quem for assumir o próximo mandato. Então, cabe a nós, secretários, darmos sequência às ações, ser motivados e cobrar dos setores mais agilidade. Dentro do serviço público, há muita burocracia. Cabe aos secretários mudar este panorama, tirar os projetos das gavetas e acelerar os trâmites. Acompanhamos neste momento uma série de obras que estão em execução pelo estado. Um volume de trabalho jamais visto em nossa região.

Notisul – Qual é o verdadeiro papel das SDRs?
Jairo –
As secretarias foram criadas para descentralizar as ações do governo estadual. Antes, tudo o que era realizado para as regiões, decidia-se em gabinete, em Florianópolis. Hoje, isto não ocorre. As secretarias são formadas também por um conselho de desenvolvimento regional. Este grupo é integrado pelos prefeitos, presidentes das Câmaras de Veradores e por lideranças. Às vezes, por representantes das Câmaras de Dirigentes Lojistas, das Associações Comerciais e de outros órgãos que ajudam a priorizar as ações. Dentro dos projetos encaminhados pelos executivos municipais e entidades, sempre com destaque para o que for melhor para a população regional.  Juntamente, também temos em execução obras macros, que são administradas diretamente pelas secretarias setoriais e fiscalizadas por nós, secretários do governo do estado.  Cobramos agilidade, temos um grande poder, pois estamos mais próximos dos executivos municipais e também dos cidadãos. Muitas situações em nossa região não ocorreriam se não existissem as secretarias.Atualmente, não depende somente de decisão dos políticos mas, a secretaria com os conselhos, fazem que isto aconteça ou não. Exemplos são a existência de vários convênios entre o estado e os municípios, que são realizados, fiscalizados e facilitados. Diversas cidades conseguem isto por meio das regionais para a execução de obras de drenagem, pavimentação e muitas outras benfeitorias à população.

Notisul – Como estão as obras de construção da Ponte de Congonhas? Os trabalhos continuam parados?
Jairo –
A ponte é uma obra que deveria ser construída por Tubarão e Jaguaruna, responsáveis pela execução, porque esta passagem é uma via municipal. Tanto de um lado, como de outro, as tratativas nos últimos anos não deram certo. O estado então trouxe para ele a responsabilidade de fazer esta obra. Foram realizados os projetos de sondagem e de estrutura. O empreendimento foi licitado. Uma empresa ganhou e executa os trabalhos na nova ponte. Ocorreu neste tempo um probleminha, uma falha no projeto, somente agora detectada pela empresa que fez os cálculos, ao realizar a sondagem por amostra da área.  Quando é feito desta forma, são medidos em dois ou três pontos. Neste caso, no lado da Cidade Azul, tudo certo. Na margem da Cidade das Praias, a amostragem não correspondia na prática. A fundação da estaca teria que chegar a 24 metros, agora na execução da obra detectou-se que não, que ultrapassava 36 metros. Isto fez com que tivéssemos que rever o tipo de material que seria colocado. Foi realizada uma nova análise pelos técnicos do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) e também pela empresa contratada, com a definição de que as estacas devem ser trocadas, das simples para as centrifugadas. Na próxima semana, já devem chegar as novas. Mas, em paralelo, a obra continua com a fabricação de pré-moldados. Os encaminhamentos nos leva a crer e a dar a garantia de que esta obra sairá dentro do prazo estabelecido, em dezembro deste ano.

Notisul – Por quê tanto tempo para se construir uma ponte simples?
Jairo –
Esta obra já tem um histórico de demora. Um ‘faz de conta’ de projeto errado, que não cabe ao governo falar sobre o passado. Não é culpa do executivo estadual se até hoje esta ponte não foi construída. Nesta obra, o governo é parceiro, realiza o que os municípios não conseguiram. Porque a partir do momento que o governador anunciou que faria esta obra, todo o processo começou a acelerar. 

Notisul – Ocorrerão aditivos financeiros por parte desta modificação no projeto de construção da ponte? Aumentará o valor?
Jairo –
A partir do momento que foi detectado que as estacas antigas, as simples, não servem para este trabalho. Haverá mudanças, não seríamos irresponsáveis em construir uma passagem que comprometesse, além da vida das pessoas, o uso de materiais adequados ao solo. Todo aditivo é necessário se houver modificações que, neste caso, deverá elevar sim o valor da obra, mas sempre com base no preço de mercado.

Notisul – Quanto à construção da Arena Multiuso? Uma edificação construída com investimentos do governo estadual e que já deveria estar concluída. Ainda há participações do estado nesta obra?
Jairo –
Esta construção foi uma decisão do executivo tubaronense, anos atrás. A prefeitura  queria construir, mas não tinha dinheiro para começar. Foram buscar apoio no estado para realizar este empreendimento. Como o estado tem um sistema de liberar recursos e ter uma contrapartida, Tubarão continuava sem verbas para investir, que acabou por ser toda executada com recursos estaduais. A contratação segue pelo município e o estado é parceiro na construção. Cada liberação de recursos, um engenheiro do departamento estadual vistoria, fiscaliza e mede os trabalhos.

Notisul – Qual a participação do estado na construção da Unidade Pronto Atendimento (UPA) 24 horas?
Jairo –
Esta obra também é do município que, por falta de negativas e outras situações do passado, foi interrompida, o que levou ao cancelamento do convênio que existia. Agora, a prefeitura deverá buscar um novo investimento para continuar a construção. Já conversamos com o prefeito Olavio e com o governador. Como agora é período eleitoral, não tem como firmar um novo convênio. Após as eleições, retomaremos a ser parceiros na busca por novas oportunidades para finalizar a unidade. 
 
Notisul – O que realmente será realizado na SC-370, que está em processo de contratação da empresa para realizar os trabalhos?
Jairo –
A rodovia deverá passar por obras em três trechos. De Tubarão a Gravatal, depois até Braço do Norte, e segue até São Ludgero, lugares onde seré feita a revitalização da pista. Todo o asfalto velho será retirado e aplicada uma compactação. Uma nova pavimentação asfáltica será colocada. Não ocorrerá uma recapagem e sim uma revitalização. Teremos aplicações de pinturas e sinalizações novas. A ordem de serviço será realizada nos próximos dias, com definição do tempo de trabalho a ser executado.

Notisul – Está definida a sua presidência na Câmara de Vereadores no dia 1º de janeiro?  O que pretende realizar?
Jairo –
Foi decidido no início de nossa gestão como vereador que cada um tivesse a oportunidade de assumir a presidência. Dentro deste entendimento, assumirei esta posição no próximo ano com Edson Firmino (PDT) de vice. Para se chegar a este acordo interno, houve uma eleição no qual fui escolhido. O futuro pertence a Deus e estou determinado a seguir este caminho. À frente da casa, queremos inovar e também dar continuidade aos trabalhos bons que são realizados. Até dezembro, decidiremos o que vamos fazer em um primeiro momento.

Notisul – Quais os cargos ocupados atualmente?
Jairo –
Sou funcionário público concursado. Vereador em meu terceiro mandato e, hoje, fui escolhido para ser o secretário regional com prazo de término até 31 de dezembro, período do atual governo estadual. Como já sou eleito pelos membros da casa, presidirei a câmara a partir do dia 1º de janeiro, posição que sempre sonhei em ocupar. Nós homens públicos, muitas vezes somos convidados a exercer funções das quais não planejávamos, mas faz parte de nossas atribuições seguir em frente.

Notisul – Qual a sua avaliação desta primeira gestão do Partido dos Trabalhadores, em Tubarão?
Jairo
– O PT com Olavio Falchetti e seu grupo entraram com a disposição de fazer uma administração diferente. Dentro das mudanças propostas, muitas vezes o líder tem que tomar decisões que não agradam a todos. Os municípios em geral, todos passam por necessidades, e precisam estar com o ‘pires na mão’ nos governos federal e estadual, na busca de recursos. As verbas municipais, em grande parte, são insuficientes para executar obras prioritárias. Uma coisa é o que você deseja, outra é se realmente é possível realizar. Dentro desta visão, penso que a gestão atual tem boas intenções, mas esbarram nas condições que nem sempre o município disponibiliza. Outro fator é que algumas secretarias não funcionam como deveriam, falta mais comunicação com a população.

Notisul – Quais são suas pretensões políticas? Onde deseja chegar?
Jairo –
Quero terminar bem o meu mandato. Pretendo continuar o que faço, que é uma política do bem. Sem maldade, sem rancor, enfim, continuar a estar próximo das pessoas, estar à disposição para ajudar a população. Como legislador, muitas vezes não conseguimos realizar tudo aquilo que desejamos, mas isto não nos impede de continuar a buscar sempre o melhor dentro de nossa função, que é agilizar e contribuir para os projetos serem aperfeiçoados. Não tenho maiores pretensões na carreira política. 

Notisul – O que o senhor deseja para a região?
Jairo –
Que continue a crescer. Que as obras de duplicação da BR-101 logo terminem, sem o registro de mortes. O aeroporto já é uma realidade. Funciona para voos particulares e fretados, onde o estado já fez a sua parte, ao construir e deixar pronto o aeródromo, e também facilitar a chegada de empresas aéreas em Jaguaruna. Faltam somente as operações comerciais, situação que foge da vontade do executivo estadual. Com a rodovia duplicada, o aeroporto, o Porto de Imbituba, tudo isto contribuirá com melhorias na qualidade de vida dos moradores. Cabe aos políticos e administradores de nossa região continuarem a trabalhar para o crescimento e a riqueza da população.

Jairo por Jairo
Deus –
Tudo.
Família – Chão.
Trabalho – Dedicação.
Passado – Orgulho.
Presente – Viver cada dia.
Futuro – Só Deus sabe.

 

“Temos muitas obras em construção, mas sempre
serão necessárias outras, é um processo
que faz parte para o desenvolvimento”

"Serei o presidente da
Câmara de Vereadores
no próximo ano."