Em 35 anos, a Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing de Santa Catarina (ADVB/SC) pela segunda vez tem uma mulher a frente da associação. Na semana passada, diante empresários, autoridades associativistas empresariais e políticas, além de profissionais da área de vendas e marketing, Angela Gonçalves foi oficialmente empossada como presidente para uma gestãoi de dois anos. CEO da Elocorporate, ela tomou posse pelas mãos do presidente do Conselho Deliberativo, Juarez Beltrão, e em seguida empossou a sua diretoria. Angela revelou os projetos que serão executados em seu mandato, com o objetivo de aproximar cada vez mais a entidade de todos os empreendedores de marketing e vendas, além da transformação digital, desafio principal da sua gestão.

[Pelo Estado] – Em seu discurso de posse, você falou em ampliar conexões entre empresários e tornar a entidade 4.0. Qual será a receita para alcançar isso? E o quão longe a entidade está desta geração 4.0?

Angela Gonçalves – A receita para tornar a entidade 4.0 ao meu ver, é trazermos mais tecnologia e inovação, para dentro da ADVB, com uma mudança de mindset de todos os envolvidos e automatização dos sistemas de gestão de relacionamento, tanto interna como externamente, trazendo uma real transformação digital. E vamos conseguir atingir esta receita capacitando todos os integrantes da entidade, tanto colaboradores, como diretoria e associados, com assuntos relacionados a inovação nas áreas de marketing e vendas.

Na verdade, não considero a entidade longe da geração 4.0, só que como temos empresas associadas tradicionais e startups, atuando digitalmente, e ao longo destes 35 anos, quase 36 da ADVB, cada presidente trouxe sua contribuição, acredito que agora precisamos virar a chave completamente, para que elas saiam efetivamente do off para o on-line, e nosso papel efetivo será ajudar nessa virada.

[PE] – Você é a segunda mulher a liderar a entidade e está a frente também da EloCorporate como CEO. Como é ser mulher com poder de decisão nesse mundo corporativo?

Angela Gonçalves – Eu sempre me posicionei dentro das empresas que trabalhei com um protagonismo muito forte, mas tenho certeza que a liderança feminina favorece relacionamentos interpessoais, empatia, olhar humano, persistência, e acho de extrema importância que as empresas tenham mulheres em cargos mais sênior dentro das diretorias.

Já sofri discriminação sim, mas não me afetaram, porque quando eu sentia que a empresa não daria espaço para meu crescimento pessoal eu já traçava outro plano, para que ali eu não permanecesse.

Porém foram pouquíssimas vezes que me senti assim, pois pelo meu profissionalismo tenho certeza que as empresas que trabalhei não viam uma mulher e sim uma profissional da área.

[PE] – Como foi aceitar esse desafio de liderar uma das associações mais representativas de Santa Catarina?

Angela GonçalvesToda a construção deste momento, foi realizada com muito esforço, resiliência, e um grupo de amigos e mentores, durante seis anos, e após muita conversa, relacionamento e principalmente a eleição, pude assumir como presidente, com o objetivo de inspirar mais mulheres a empreender, inovar, e a nunca desistirem de um sonho, sonho este que venho construindo há seis anos.

[PE] – Atualmente, quais são os principais desafios para o setor de marketing e vendas catarinense?

Angela GonçalvesAcredito que o principal desafio como citei anteriormente é virar a chave para a real transformação digital. Fazendo a virada 4.0 que nada mais é sair do off-line para o online.

[PE] – Em que patamar estamos e onde você acredita que podemos chegar, dá para comparar com algum case mundo?

Angela GonçalvesO mercado Catarinense é um dos mercados que mais se destaca, não só no mercado digital, com diversas startups e polos tecnológicos, mas também nas áreas de marketing e vendas.

Acredito que em nosso Estado temos diversas empresas inspiradoras e que cada uma delas contribui para que possamos ser referência nacional.

Acredito que em nosso Estado temos diversas empresas inspiradoras e que cada uma delas contribui para que possamos ser referência nacional.

[PE] – O ano não começou bem nos mercados, você acha que isso pode afetar também as empresas mais locais, com atuação estadual e regional?

Angela Gonçalves É um momento sensível da economia, temos que estar atentos sim, não sou economista, mas independente da atuação da empresa, seja ela local, regional, estadual, as pessoas vão ter que antecipar atitudes e liderar um processo mais preditivo, olhando o mercado, não tem mais como não estar atento todos os dias para o mercado, para poder acompanhar o que está acontecendo no mundo. É como um furacão, ele vem, tem seu ciclo e acaba, como por exemplo o que está acontecendo no mundo por causa do corona vírus, por isso acredito que precisamos ter muita coerência, jogo de cintura, planejamento e tentar antecipar as ações o máximo possível, prevendo todas as hipóteses.