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Direto da Terra - Marcio Fonseca de Carvalho

PANC - fontes alternativas de nutrientes, mas com a devida cautela

Publicado em 20/10/2017 00h10

Bom dia, o texto de hoje traz informações e curiosidades sobres as chamadas Panc - Plantas Alimentícias Não Convencionais, ou, para ser mais claro, plantas que poderiam ser consumidas, mas não são, principalmente em decorrência do desconhecimento das propriedades nutricionais e da viabilidade para a alimentação das mesmas. Estas espécies incluem desde verduras e hortaliças, até frutas, castanhas e condimentos, mas que geralmente são tratadas como daninhas ou “mato”. A denominação “Não Convencionais” advém de sua característica de não serem produzidas ou comercializadas em escala com a finalidade de servir de alimento. Sabe aquele chá, que sua avó costumava fazer para tratar uma dor de barriga, de uma folha que ninguém lembra o nome, que “dava” lá na horta do seu avô? Sim, provavelmente trata-se de uma Panc, assim como outras ervas e frutos cujas informações sobre propriedades e modos de preparo vão se perdendo ao longo do tempo, parte porque a cultura não se perpetua, parte em função das constantes mudanças do padrão alimentar da população.

O termo Panc, em si, é relativo, pois o que pode ser não convencional para uma determinada pessoa ou população, pode não o ser para outra. Por exemplo, muitas plantas da região amazônica são praticamente desconhecidas por nós da região sul, entretanto na região em que são nativas, essas plantas são muito bem conhecidas e exploradas, de modo que o termo PANC deve remeter sempre a um contexto, uma região ou uma determinada população. As pessoas estão sempre em busca de novidades, e isso não é diferente no campo da nutrição. A utilização de PANC, portanto, pode ser vista como uma forma de ampliar o repertório para o nosso paladar, proporcionando novas receitas e sabores, assim como novas fontes de nutrientes.

Em um mundo onde mais de 800 milhões de pessoas passam fome, segundo a ONU, a utilização de PANC pode ser vista como uma alternativa para reverter este triste cenário, por se tratar de plantas nativas de cada região, adaptadas aos diferentes climas e, geralmente, apresentando baixo custo de produção.

Mas, ao mesmo tempo em que 52 milhões de crianças estão com peso abaixo do ideal para a estatura, estima-se que 41 milhões de crianças estejam com sobrepeso, um número tão alarmante quanto o da fome. E talvez a saída para estes dois problemas antagônicos possa estar no mesmo caminho: a utilização de alimentos de fácil cultivo, a baixo custo e, principalmente, mais nutritivos e mais naturais.

No entanto, é importante salientar a importância de saber reconhecer as espécies e seus possíveis efeitos adversos sobre a saúde. Muitas pessoas confundem o natural com o saudável. Não é porque algo é natural que não possa ter efeitos nocivos ao organismo, e o modo de preparo e consumo também influencia fortemente no efeito de cada tipo de alimento. Além disso, algumas plantas possuem propriedades medicinais, mas não são próprias para consumo direto através da alimentação.

Somado a isso ainda se tem a preocupação com relação à identificação da planta. O nome pelo qual determinada planta é conhecida popularmente pode ser diferente de região para região, ou até mesmo referir-se a diferentes espécies de plantas, podendo causar confusão e levar a escolhas equivocadas. Por isso, o conhecimento popular deve ser sim utilizado e transmitido, mas é sempre importante contar com o conhecimento técnico e especializado do agrônomo, botânico, nutricionista e de outros profissionais correlatos.



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