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Direto da Terra - Marcio Fonseca de Carvalho

Conhecendo o Lúpulo

Publicado em 05/07/2018 00h59

Bom dia! A cerveja é uma paixão nacional, consumida de Norte ao Sul do país, no inverno ou especialmente no verão. A nova moda agora é a produção caseira dessa bebida, a chamada cerveja artesanal, com diferentes ingredientes que revelam diferentes sabores. Várias marcas de cerveja artesanal já estão no mercado, atraindo consumidores que buscam apreciar a cerveja como uma bebida fina, requintada. Dentre os ingredientes utilizados na cerveja, um se destaca pela sua importância histórica e, claro, pelo sabor que confere à cerveja.

O Lúpulo (Humulus lupulus) é uma planta trepadeira que possui plantas macho e fêmea. As plantas fêmeas produzem pequenos cones de flores resinosos que são utilizados na cerveja para dois fins principais: dar sabor e conservação. Esta última finalidade foi o que marcou o lúpulo como uma planta que mudou o rumo da história. Vamos contar: antigamente a bebida mais conhecida na Europa era o ale, feita de cevada maltada e preservada com algumas especiarias. Apesar de ser fervida, o ale tinha um sério problema: a vida útil era limitada. Em regiões mais quentes, ele logo azedava. Foi então que, em algum mosteiro da Europa, um mestre cervejeiro resolveu adicionar o lúpulo ao ale, fervendo a mistura por uma hora e meia. Com essas condições, o ale, agora cerveja, poderia ser comercializada por toda a Europa. E realmente se espalhou. Porém os britânicos não aceitaram bem a mudança, especialmente por acharem que o lúpulo estragaria o bom ale inglês. Rejeições e proibições de comercialização da cerveja na Inglaterra só foram derrubadas quando os marujos da marinha britânica, cansados de beber ale azedo ao longo das viagens, aumentaram o costume de beber cerveja.

O lúpulo utilizado aqui no Brasil é importado, vindo especialmente da Alemanha e dos Estados Unidos. Como é uma espécie que precisa de baixas temperaturas e uma exposição diária de luz de nove a 14 horas, são poucos os lugares que ela poderia se adaptar, como nossa serra. E é aqui mesmo que as primeiras produções em escala devem começar. Vários produtores das cidades de Bom Jardim, São Joaquim, Lages, Urubici, já estão experimentando e iniciando o cultivo de lúpulo. No Rio Grande do Sul também já existem pequenos produtores que conseguiram adaptar variedades ao clima da região. E a procura pelo lúpulo brasileiro é grande, uma vez que o que chega aqui seria a ”sobra” dos países exportadores.

As plantas de lúpulo podem ser plantadas e tutoradas na vertical (chegando a 6 metros de altura) ou na horizontal, como os parreirais de uva. Essa segunda forma auxilia a colheita das flores. Utilize rizomas para o plantio em solo bem drenado, em uma profundidade de dez centímetros. Deixe um espaçamento de um metro entre plantas na linha, e entre linhas dependerá se irá usar trator ou não. Após o crescimento da planta, deve-se retirar as folhas mais próximas do solo para evitar doenças.

 A colheita dos cones ocorre no final do verão. Eles estarão maduros quando estiverem secos, cheirosos, elásticos e cheios de pó amarelo de lupulina. Após a colheita, é feito a poda das plantas. Alguns produtores podam a 1 metro do solo, enquanto outros cortam a planta rente ao solo. Essa poda é necessária, pois nos países de origem o frio intenso mata a planta. Aqui, como o frio não é muito intenso, a planta não sofrerá regeneração natural.

Por fim, vale lembrar que o lúpulo é muito utilizado também na indústria farmacêutica. Temos certeza de que será mais uma grande alternativa para os produtores de nosso Estado. Abraços!


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