Meu avô só me deixou alisar o cabelo quando fiz 15 anos e, até lá, foi torturante ouvir comentários sobre ele. Até hoje, continuo alisando por questões sociais. É um saco ficar horas na cadeira de um salão para agradar os outros, principalmente quando se é hiperativa, e mesmo eu – “empoderada”, acreditem, coloco-me à “disposição” dessa sociedade, por exemplo, usar sutiã me dá uma imensa dor de cabeça, mas como sair de casa sem ele, e não ouvir sequer uma indagação em alto, bom som e cara de espanto: Estais sem sutiã? E foi o que aconteceu com a Wendie Renard, a artilheira mais bem paga do mundo, por seis vezes campeã da Champions League feminina, recebeu uma chuva de comentários esdrúxulos, totalmente preconceituosos nas redes sociais sobre o seu cabelo, durante a partida que levou à saída da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2019, e eu me pergunto, até quando vamos precisar nos moldar? Será que em todo o mundo é assim? Ou esses gostos condicionados provam apenas da cultura brasileira?

LGBTQI+, o que isso significa?
Sempre levantei a bandeira da igualdade, não somente sobre a questão sexual, mas sob qualquer óptica da existência humana. Quem me conhece, sabe o quanto. E nas minhas últimas colunas, enfatizei sobre algumas marcas que têm apoiado o movimento LGBTQI+, Natura, Nike, All Star… Mas o que é LGBTQI+? Mesmo que você não faça parte dessa comunidade, é importante entender o que essas letrinhas significam, reza a lenda que o conhecimento pode ser um feitiço poderoso contra a intolerância, embora não é preciso esclarecimento para saber que somos todos iguais, e merecemos respeito.

LGBTQI+, a versão reduzida de LGBTT2QQIAAP
A sigla é dividida em duas partes. A primeira, LGB, diz respeito à orientação sexual do indivíduo. A segunda, TQI+, diz respeito ao gênero.

L: lésbica; é toda mulher que se identifica como mulher e têm preferências sexuais por outras mulheres.

G: gays; é todo homem que se identifica como homem e têm preferências sexuais por outros homens.

B: bissexuais; pessoas que têm preferências sexuais por dois ou mais gêneros.

T: transexuais, travestis e transgêneros; pessoas que não se identificam com os gêneros impostos pela sociedade, masculino ou feminino, atribuídos na hora do nascimento e que têm como base os órgãos sexuais.

Q: queer; pessoas que não se identificam com os padrões de heteronormatividade impostos pela sociedade e transitam entre os “gêneros”, sem também necessariamente concordar com tais rótulos.

I: intersexuais;
antigamente chamadas de hermafroditas, são pessoas que não conseguem ser definidas de maneira distinta em masculino ou feminino.

+: engloba todas as outras letrinhas de LGBTT2QQIAAP, como o “A” de assexualidade e o “P” de pansexualidade.