O impossível aconteceu. StarShip pousa com sucesso pela primeira vez sem explodir. Em contraste com foguete Chinês que orbitava descontrolado em órbita terrestre após seu lançamento, na mesma semana a SpaceX conseguiu pousar com sucesso pela primeira vez o protótipo SN15 do Foguete / Nave StarShip. Pousou de ré.

Esta nave que será utilizada para a etapa final dos astronautas da missão Artemis que voltarão a pisar na lua até 2024 e até mesmo para as futuras missões para Marte.

 

Starship da SpaceX pousa de ré, o que era considerado impossível

Entre os dias 29 de Abril e 09 de Maio de 2021, quando o tema era espaço, o assunto era sempre o mesmo. Corpo do foguete Chinês Long March 5b que estava descontrolado em órbita terrestre. E até que sua reentrada não ocorresse sem maiores consequências na madrugada do dia 09 de maio na trajetória entre a Península Arábica e o Norte das ilhas Maldivas, o mundo não se acalmou.

As preocupações embora exageradas eram justas. Pois, havia sim um risco real que os destroços dessa reentrada pudessem atingir áreas densamente habitadas. Toda a região do norte dos Estados Unidos até o Sul do Chile. Incluindo África, boa parte da Europa, Ásia e Oceania estavam nas rotas deste “pedaço metálico” com mais de 30 metros e 21 toneladas. Potencial letal mínimo. Mas riscos, sim.

Enquanto o mundo todo estava olhando para o céu com medo que este pedaço do foguete chinês caísse em seus quintais, a SpaceX ao mesmo tempo realizava seu primeiro pouso com sucesso da nave StarShip.

 

E porque relacionar a StarShip com o foguete Chinês?

O motivo é simples. Pois há menos de uma década era considerado impossível reutilizar partes de um foguete para novos lançamentos. Muito menos pensar que um foguete pudesse pousar de ré.
Foguetes Tradicionais x Foguetes da SpaceX

Até hoje na maioria das nações que dominam a tecnologia espacial. O consenso geral e a expertise ainda é construir um foguete em vários estágios, os quais vão se soltando ao longo da subida e caindo ao mar durante o lançamento. Ou ainda, em muitos casos ficariam em órbita como lixo espacial. Como podemos constatar ao visitar o site stuffin.space.

China, Rússia, Índia e muitos outros países, ainda continuam utilizando esse modelo de veículo lançador. Comparando, é como se construíssemos um avião para uma única viagem. Pois seria destruído ou abandonado ao chegar no seu destino.

Acontece que, o impossível já tornou-se rotina para a SpaceX e agora para a NASA que utiliza seus serviços. O Falcon9 não só se mostrou viável e passou nos testes, como hoje certificado é utilizado comercialmente para levar equipamentos e mais recentemente até astronautas americanos para a estação espacial.

Sem contar é claro, com os lançamentos quase semanais da nova constelação de satélites Starlink que irá prover internet via satélite para todo o mundo. Num primeiro momento com aproximadamente alguns milhares, mas podendo chegar a dezena de milhares em alguns anos.

E o mesmo está acontecendo com a StarShip. Este foguete / nave que foi escolhido pela NASA para completar a viagem final dos astronautas, a partir da órbita da lua até o solo lunar. A alunissagem ocorrerá a bordo desta nave. Reaproveitar uma nave como essa também a poucos anos era considerado impossível de acontecer. Mas aconteceu.

Só para terem uma ideia, do que estamos falando aqui, o contrato com a NASA no valor de U$2,9 bilhões de dólares prevê que ele esteja operando muito em breve, pois a missão Artêmis pretende levar astronautas a pisar novamente no nosso satélite natural por volta de 2024.

Assim, a SpaceX está avançando a passos muito largos para fazer com que ele se torne funcional e passe do status de protótipo para o status de certificado e pronto para uso.

 

Testes com protótipos da Starship

E depois de vários testes. Muitos deles provocando explosões intencionais para avaliar todos os componentes, como os tanques, por exemplo. Outros sendo bem-sucedidos nos lançamentos e voos, mas desastrosos no pouso.

Enfim, em 05 de Maio de 2021 o protótipo SN15 foi lançado com sucesso, promoveu seu voo como planejado, e pousou pela primeira vez sem explodir no em Boca Chica, no Texas, onde fica a base da SpaceX.

O foguete foi lançado por volta das 17h25 (19h25 horário de Brasília) e desceu cerca de seis minutos depois. Embora um pequeno incêndio tenha surgido logo após o pouso, esse foi rapidamente controlado e não causou danos.

Este protótipo, o SN15, traz várias melhorias em sua estrutura, aviônica e software. Impulsionado por três motores Raptor, ascendeu conforme previsto.

Este teste aconteceu pouco mais de um mês depois do anterior com o SN11, o qual explodiu na descida depois de cinco minutos de voo, em 30 de março. Os protótipos SN12, 13 e 14 não chegaram a ser produzidos.
Relançamento do protótipo SN15 Starship

Como este protótipo da StarShip retornou em perfeitas condições após seu voo teste, e passou nos testes das inspeções pós voo, já está sendo preparado para um novo lançamento.

Além do feito inédito de ter concluído a missão com sucesso, entrará para a história por mais um feito. O relançamento do mesmo foguete. Esse novo teste além de poder confirmar resultados obtidos, também irá proporcionar muitas outras informações complementares.

E serão necessárias mesmo. Pois agora com o contrato já assinado com a NASA, os olhos de uma nação inteira se voltam para seu desenvolvimento. Inclusive a SpaceX planeja ainda esse ano um voo orbital com a StarShip. Vamos acompanhar atentos.

 

Como isso nos impacta?

Agora, você já parou para pensar porque isso tudo é importante? Porque tanta ênfase nesta nova corrida espacial da última década? Será que é só coisa de aficionado por tecnologia?

A verdade é que além de presenciarmos a história sendo escrita bem na nossa frente, também teremos a oportunidade de vermos acontecer feitos que antes só eram imaginados em livros e filmes de ficção.

Uma base de colonização na lua, seja ela permanente ou transitória, além de viagens turísticas para nosso satélite natural, estão cada vez mais próximas. E devem acontecer ainda nessa década.

E Marte, foco de muita inspiração para filmes e livros, como a Guerra dos Mundos de H.G. Wells, também está na rota das futuras viagens espaciais. Isto é, essas viagens interplanetárias devem começar a ocorrer ainda no final desta década de 2020 mais tardar 2030.

Além é claro, dos interesses comerciais de um potencial combustível existentes na lua, e minérios em abundância em alguns asteroides que orbitam próximo a terra. E por falar em investimentos, para muitos essas viagens  espaciais podem até parecer exagero e desperdício de recursos.

Mas é bom ficarmos atentos pois elas poderão ser as responsáveis pela expansão da colonização terráquea pelo sistema solar ou talvez até mesmo, pela preservação da nossa espécie. Já que até hoje ainda não temos um sistema de defesa capaz de nos salvar de algum asteroide com potencial extintor.

Educação, Ciência e Tecnologia. Tudo no mesmo lugar. Imaginem o potencial de estudo que este tema traz para nossas escolas, nossas casas, e até mesmo para nós mesmos. Tanta coisa acontecendo que nem percebemos.

Inúmeras tecnologias sendo desenvolvidas que em breve estarão fazendo parte da nossa vida cotidiana. Assim como as telecomunicações e GPS o fazem hoje, só para citar dois exemplos de tecnologias desenvolvidas graças a outras corridas espaciais.

Enfim preparei também alguns vídeos com imagens reais que podem ajudar a entender melhor a dimensão desta nave, e também ver na prática o chamado “pouso de ré de um foguete”. Confira no YouTube em: https://youtu.be/YG58rXB0KM0.

E se você não acompanhou o “risco” que o Foguete Chinês impôs para todo o planeta, e também como foi sua reentrada, tem mais dois vídeos falando disso também: https://youtu.be/xEHrt8KlQBw e https://youtu.be/BUrrcm2qjBw

 

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