Nestas últimas duas semanas de fevereiro, a maioria das escolas de educação básica retornaram com suas atividades normais, e com isso milhares de estudantes voltaram às suas rotinas, ou pelo menos, assim deveria ser.

É sabido que muitos alunos realmente gostam de ir à escola não só pelos amigos, mas também pelo desenvolvimento que ela proporciona, contudo, há aqueles que infelizmente só vão por pura obrigação. Assim, minha coluna de hoje é direcionada para você que é pai ou responsável por uma criança ou jovem que está nos ensinos fundamental e médio.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que a educação aos menores é uma obrigação legal prevista na Constituição Federal em seus artigos 205 e 229:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.

Além do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990):
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino.

Assim, torna-se inegociável a importância e necessidade de todos os menores estarem matriculados na escola, pois além do cumprimento de um requisito legal, nós Pais também estaremos viabilizando uma condição para que nossos filhos construam seu próprio futuro neste mundo cada vez mais tecnológico e interconectado. Observem o que escreveu o Educador e Psiquiatra Içami Tiba (“Educação familiar: presente e futuro”, Integrare Editora): “Os pais são afetivamente importantes para a vida toda dos filhos, mas têm que se tornar materialmente inúteis a eles. Se o filho aprende que é ele mesmo que terá de fazer, logo ele se sentirá capaz de sustentar algumas ações. Ninguém nasce sustentável e sustentabilidade deve ser construída por si dentro de si, para carrega-la pela vida toda, para onde for. Os pais têm o dever de ajudar o filho a ser sustentável e de não serem o sustentáculo da vida dele.”

Então, neste momento muitos pais poderão estar se perguntando: “como posso ajudar meu filho na sua caminhada escolar se eu mesmo não lembro mais os conteúdos que ele está aprendendo?”. A verdade que, neste ciclo, o pai não precisa ser um segundo professor, mas sim um apoiador e um viabilizador da formação de seu filho.

Um primeiro passo é conversar com seu filho e demonstrar o interesse em saber qual é o conteúdo que ele está estudando em sala de aula, e se precisa de algum auxílio para tornar este aprendizado mais sólido. Verifique, ainda, se há tarefas de casa e se elas são feitas. Uma dica importante: acompanhar a lição de casa não significa fazer a lição pelo seu filho.

Organize uma rotina mínima de estudos, garantindo o cumprimento de horários para fazer as tarefas e um lugar agradável e livre de distrações, longe de TVs ligadas ou lugares movimentados. É importante que também seja criada uma rotina de alimentação saudável, prática de exercícios físicos e uma rotina adequada de sono. Quanto ao sono, é necessário que haja rotinas e horários pré-determinados, principalmente em relação ao horário de dormir e duração total. Um grande vilão é o videogame e a Internet até a madrugada, principalmente para quem estuda no período matutino.

Incentive seu filho a ler, vá com ele a bibliotecas e/ou livrarias, feiras de livros, dê presente material literário e revistas. O hábito da leitura ajudará muito na compreensão de textos e também na capacidade da escrita. E sempre que possível, peça para que ele leia para toda a família, isso ajudará a desenvolver sua autoconfiança e segurança para falar em público. Discuta com ele o que leu e entendeu do texto. Lembre-se: a leitura é um hábito prazeroso que se constrói, um pouquinho a cada dia, e será mais fácil dando exemplo: como pais, sempre tenham um livro de cabeceira.

Faça dos seus passeios e atividades culturais um aprendizado constante, para isso procure pesquisar previamente a história do lugar e das características geográficas quando for o caso. Sempre que possível visite museus e exposições. Durante e após estes passeios, converse com seu filho sobre o que ele viu e o que aprendeu com a visita, e procure relacionar com o que ele está estudando na escola.

Conheça a unidade estudantil e frequente todas as reuniões em que for convocado, procure conversar com os professores e equipe pedagógica sobre o desempenho e se há alguma situação em que a família pode e/ou deve ajudar. O simples fato de ir até a escola pode revelar muito sobre a vida escolar do aluno.

Valorize sempre o professor e ensine seu filho a ouvi-lo e respeitá-lo. Quando um aluno admira seu professor, qualquer matéria a ser aprendida torna-se muito mais fácil.

E, por fim, valorize e aproveite todo o tempo disponível para ficar com seu filho, ele saberá retribuir a atenção que recebe.

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