Na última semana, um dos assuntos mais comentados foi o estado lastimável da Educação Brasileira revelada pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O mesmo é obtido pelos resultados de provas de matemática e português aplicadas para os alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, além de questionários respondidos por diretores, professores e alunos, e ocorre de dois em dois anos.

Além de diagnosticar que pelo menos sete de cada dez estudantes do 3º ano do Ensino Médio têm nível insuficiente em português e matemática, ainda revelou que somente 4,5% dos alunos possuem conhecimento adequado em matemática e 1,6% em língua portuguesa. A boa notícia é que alunos avaliados no 5º ano apresentam melhores resultados, sendo que nível adequado passa para 11,9% e 15,2% em matemática e português, respectivamente. Melhores se comparados com as séries finais, mas ainda muito distante do que seria ideal.

Há ainda outro indicador considerado, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que é calculado por uma fórmula bastante simples: as notas das provas de língua portuguesa e matemática são padronizadas em uma escala de zero a dez, e então multiplicada pela média das taxas de aprovações das séries avaliadas. Contudo, este índice pode ser contaminado por uma aprovação artificial promovida pelas redes de ensino, e em consequência disso alguns analistas preferem avaliar a nota pura do Saeb. Mesmo assim, os indicadores também não são bons. Em Santa Catarina, por exemplo, somente os estudantes do 4º/5º ano conseguiram superar a meta para o período, onde o resultado alcançado foi de 6,5 para uma meta de 6,0. Já se considerarmos os alunos do 3º ano do ensino médio, o índice alcançado foi de apenas 4,1 para uma meta singela de 5,2.

Ainda pior do que os resultados do Saeb e do Ideb, é verificar que as taxas de insucesso da educação Brasileira, que considera abandonos e reprovações, é extremamente alta em todo o ciclo, em especial nos anos finais (Ensino Médio).

A associação de um rendimento insuficiente e de uma alta taxa de insucesso do estudante brasileiro, podemos facilmente concluir que o maior prejudicado neste contexto é a própria nação, pois além de ter um cidadão com baixa qualificação e incapaz de ler e interpretar um texto simples, ainda terá um trabalhador com baixa produtividade, e assim, consequentemente, a geração de riquezas para o país também estará comprometida.

Algumas ações já estão em curso para melhorar este cenário, como a criação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e também do Novo Ensino Médio, os quais embora com falhas e pontos a melhorar já são um começo, porém, por questões ideológicas muitas vezes são atacados e até mesmo boicotado por algumas escolas e educadores brasileiros.

Não tenho a pretensão neste texto de apresentar uma solução mágica para a melhoria da educação Brasileira, e sim, trazer à tona este assunto amargo para que a sociedade possa discutir e também se conscientizar que o problema é de todos, e não somente dos governos.


Pais e estudantes

A situação é crítica e exige esforços de todos, principalmente das famílias.  Seria muito cômodo aos pais e estudantes atribuírem às escolas e aos governos a responsabilidade pelas dificuldades do estudante nas avaliações e até mesmo na capacidade de conseguir um bom emprego, porém, é necessário destacar que estes são apenas uma das partes do sistema.
Para não fazer parte desta estatística negativa, o estudante deve se comprometer com o seu aprendizado buscando sempre dedicação e esforço, seja durante as aulas, e também fora delas. Como já apresentamos em outro texto, existe inúmeras ferramentas tecnológicas que suprem as eventuais deficiências de ensino das escolas públicas. Volto a destacar canal Educação do YouTube.
Quanto aos pais, é obrigação de todos darem condições, incentivarem, mas também exigirem dos seus filhos a dedicação dos mesmos. Devemos mudar o nosso pensamento de “que mundo deixaremos para nossos filhos” para a seguinte expressão: “que filhos deixaremos para este mundo”.


Ideb – Tubarão SC

Em Tubarão, o resultado do Ideb acompanha o cenário nacional, onde os alunos dos anos iniciais da educação fundamental apresentam melhores resultados do que os demais. E ainda, os dados históricos mostram uma significativa evolução nos primeiros anos da avaliação e uma estabilidade nos últimos anos. Já para as séries finais (8º/9º anos), há uma alternância entre resultados melhores com baixo rendimento.


Para saber mais:

Para saber mais sobre os resultados do Ideb do Saeb, tanto de forma genérica, quanto por Estado, município, e/ou rede de ensino, bem como outros indicadores da educação brasileira, consulte diretamente o Portal do Inep no seguinte endereço: portal.inep.gov.br.