#Pracegover Foto: na imagem há pessoas, cadeiras, lápis e folhas

No último domingo 17 de Janeiro foi o primeiro dia das provas do ENEM 2020. Ainda que para o ministro Milton Ribeiro foi um sucesso, para outros um fracasso total. E de certa forma, as duas correntes de pensamentos estão corretas.

Se considerar que em 2020 por conta da pandemia milhões de estudantes deixaram de ter aulas, tanto presenciais quanto remotas, aplicar o ENEM 2020 pode ser considerado um sucesso. Mas ao mesmo tempo, também pode-se afirmar que ficou muito mais seletivo e eletivo.

Pois, quem conseguiu manter um mínimo de ritmo de estudo e focou no aprendizado, seja nas aulas online ou mesmo de forma autodidata, certamente terá uma vantagem competitiva muito grande na escolha da universidade/curso, já que a sua concorrência diminuiu consideravelmente.

Isto é, no primeiro dia de prova dos mais de 5,5 milhões de inscritos, mais de 2,8 milhões faltaram. Ou seja, uma abstenção de 51,5%. Só que  esse número corresponde apenas aos faltantes no primeiro dia de prova.

Surpreendentemente, em meio a uma pandemia, ainda há o relato de salas super lotadas em muitas localidades, e por consequência, alguns fiscais impediram alguns candidatos de realizar a prova.

Como se todas as dúvidas e dificuldades já não fossem o suficiente, observou-se ainda um total desencontro de informações e interesses. Por um lado o MEC e INEP defendendo a aplicação. De outro, uma “briga de gato e rato” com a judicialização da prova.

Não apenas isso, mas também as narrativas midiáticas oriundas das diversas correntes ideológicas. E sem dúvida, o maior prejudicado neste ano novamente foram os alunos do 3º ano do ensino médio. Pois, esses sim, de fato correm o risco de perder um ano de sua  vida  acadêmica.

 

ENEM 2020, Responsabilidade de todos

Inegavelmente todas as incertezas relativas ao ENEM 2020 acabaram impactando na confiança dos candidatos inscritos. Mas, isso não deveria ter sido um impeditivo para a sua preparação. E é neste sentido que que a responsabilidade deve ser atribuída a todos.

Do governo federal que deveria ter buscado mais opções de lugares amplos, datas e até mesmo comunicado melhor os preparativos de segurança sanitária. E quem sabe, até mesmo ampliado o número de vagas para o ENEM  digital.

Da justiça que deveria interferir menos e agir de forma única e certeira. Só para exemplificar: dá uma liminar; caça a liminar; outra liminar; outra vez derrubam a liminar, e assim a indefinição e insegurança só aumentam.

 

A própria mídia também têm sua responsabilidade, visto que em muitos momentos não ficou claro qual era o seu real interesse. Se era ajudar ou atrapalhar.

Dos professores que mesmo impossibilitados de ministrar as aulas presenciais, tinham o compromisso moral de manter o incentivo e mentoria dos seus alunos que fariam o ENEM 2020.

Sem contar dos Pais, que tem o papel de disponibilizar, incentivar, mas também cobrar e exigir a dedicação dos seus filhos. Já que a profissão deles é serem estudantes. Então, espera-se que eles “estudem”. Não sejam apenas “alunos”.

E claro, principalmente dos próprios estudantes. Com aulas presenciais, online, híbridas, ou mesmo sem aulas, são eles os maiores interessados e impactados ao não realizarem o exame. Ou o façam de forma displicente.

É fato que muitas famílias não tem a infraestrutura necessária com computadores e internet, mas ainda assim há os velhos e clássicos “livros de papel”.

Por outro lado, não podemos ser hipócritas e acreditar que todos conseguiriam se desenvolver sozinhos. Já que, o contingente de náufragos digitais têm aumentado consideravelmente a cada ano que passa.

E além disso, por uma questão cultural e da própria sociedade, muitos jovens têm optado pelo caminho do “nem nem nem”. Mas isso, é assunto para outro texto. Seja como for, a responsabilidade é de todos. Sem exceção.

Se preferir assista diretamente no Youtube em: https://youtu.be/aOjwgylrAzw