Cyberstorm, um livro de ficção científica de Matthew Mather publicado em 2013. Será ele apenas ficção? Prenúncio de uma realidade eminente? Ou talvez só “lembranças do futuro”?

Há algumas semanas publiquei o texto “Férias com Livros“, e em decorrência dele e depois de um longo bate papo, ganhei de presente do meu amigo João Antunes o livro Cyberstorm. Um livro de ficção científica, de texto muito agradável e enredo envolvente. O qual exploro esta semana e ao final tento fazer algumas associações com o que estamos vivendo.

Antes de mais nada uma observação. Estou com este rascunho pronto há algumas semanas. Na verdade, antes mesmo do início da quarentena imposta aqui em SC por conta da pandemia do coronavírus. Assim, para publicá-lo nesta data fiz apenas algumas adaptações na conclusão do mesmo para associá-lo a situação de “hoje”.

 

Cyberstorm – ideia central

O livro é escrito em primeira pessoa e começa durante o almoço de ação de graças no final de novembro, onde os moradores de um prédio situado na ilha de Manhattan (Nova York) se reúnem para confraternizar. Um dos assuntos discutidos neste encontro de amigos é exatamente sobre teorias da conspiração e entre elas, possível ataques / guerras cibernéticas.

A vida segue normal até às vésperas do natal, quando durante uma forte nevasca que assola toda a Costa Leste Americana, o país também sofre um grande ataque cibernético. Inicialmente os sistemas informatizados das empresas de logísticas começam a falhar, em seguida a internet e telefonia também param. Passado mais algum tempo praticamente todos os meios de comunicação oficial, além dos serviços básicos de eletricidade e fornecimento de água também cessam.

Com praticamente toda a internet americana parada, é a vez dos serviços domésticos sofrerem interrupção. Como por exemplo, o aquecimento central do prédio onde se passa grande parte da estória, pois o mesmo depende de uma conexão com a rede mundial de computadores para ser acionado e controlado. Como se não fosse o bastante, uma epidemia de gripe aviária parece se aproximar. Consequência final? Uma quarentena forçada para todos os moradores de New York City.

Um ataque cibernético durante uma nevasca, é o cenário que cunha o termo cyberstorm (tempestade cibernética). Como havia uma forte tensão política internacional, inicialmente os moradores acreditavam que isso tudo era obra de um ataque coordenado pela China. Será isso mesmo? Só lendo o livro para descobrir.

 

Cenário de destruição

Sem energia elétrica, água, internet e comunicação, centros logísticos com sistemas de entrega comprometidos, serviços básicos parados, como se não bastasse, ainda metros de neve nas ruas e uma epidemia de gripe aviária, a consequência é um cenário de “fim do mundo”.Os grandes danos nas estruturas básicas causados pela nevasca, associados a falha de praticamente todos os sistemas conectados à internet, também deixa a ilha sem comunicação com o resto do mundo. Esta lacuna acaba sendo preenchida por algumas rádios “piratas” que se ocupavam em reproduzir algumas teorias conspiratórias e informações desencontradas, e é claro, muitas fakenews.

Para evitar maiores danos a sociedade, as poucas transmissões oficiais orientavam para que ficassem aquecidos em casa, e evitassem a qualquer custo sair para as ruas. Entretanto, em poucos dias, milhares de pessoas já estavam desesperadas em busca de água e comida, e ainda, dos serviços básicos de saúde.

Por consequência, aqueles cidadãos antes antes defensores da democracia e de uma sociedade livre, passaram a se comportar como verdadeiros animais. Afinal, a única coisa que lhes interessava era a sobrevivência sua e dos seus familiares.

 

Final feliz

Por fim, a estória tem um desfecho feliz para os protagonistas principais.Mas não antes de explorar muitas páginas de angústia e batalha pela sobrevivência. Incluindo, fugir da ilha sitiada pelas forças oficiais que a isolavam a fim de controlar a epidemia que já estava presente e assolando os moradores que lá ainda conseguiam sobreviver.

Não vou trazer aqui a resenha completa do livro, apenas deixar o gostinho para que você se anime a comprar e ler esta excelente obra de ficção científica. Ou quem sabe como descrito no título, Cyberstorm não passe de lembranças de um futuro próximo.

Cyberstorm – lembranças do futuro

O termo “lembrança do futuro” é só uma provocação mesmo, uma vez que até onde se sabe, “ainda” não existe nenhuma máquina de viagem no tempo. Mas, há tantas semelhanças entre o que foi escrito há quase 7 anos com o que está acontecendo hoje no mundo, que até poderia ser visto desta forma.

Seja como for, o livro descreve o comportamento de uma sociedade altamente tecnológica e cheia de recursos que é obrigada à um isolamento social forçado devido as condições climáticas desfavoráveis e paralisação de serviços. Sem preparo prévio, logo ficam sem alimentos, água, aquecimento e medicamentos. Assim, inevitavelmente o respeito à coletividade é substituído pelo individualismo.

Decerto modo, se fizermos um paralelo com os últimas semanas veremos que há uma certa semelhança com o isolamento social por conta do coronavírus. A crise econômica gerada pela paralisação dos mercados está marginalizando milhares de trabalhadores que mesmo vivendo em um país tropical, talvez “amanhã” não tenham mais acesso a alimentação e moradia, além de outros serviços básicos. A coletividade ainda é respeitada, mas por quanto tempo?

 

Fake News e o poder da desinformação

Com os sistema de informação parados, ou desacreditados, abre-se espaço para a propagação de desinformação e/ou fake news. Analogamente, mera semelhança ou não, nos dias atuais também circulam todos os tipos de notícias falsas pelo whatsApp e por outras mídias sociais. Estas encontram nas pessoas que se recusam aceitar as evidências científicas um terreno fértil para se propagarem e promoverem todos os tipos de estragos possíveis.

 

Isolamento social e queda da internet

O isolamento social não está sendo agradável para ninguém. Isso nem precisa mencionar. Mas pelo menos, diferente de cyberstorm, vivemos num país tropical e permanecemos com acesso à internet. Desse modo, para muito está sendo possível manter os estudos e o trabalho remoto.

Mas já pensaram se acaso de uma hora para outra também ficássemos sem acesso a rede mundial de computadores? Pois bem, nesta quarta-feira dia 08 de Abril de 2020 muitos tiverem esta experiência infortunia aqui na região devido ao rompimento de um cabo de fibra óptica. Muitas cidades e serviços pararam por algumas horas deixando quase todos loucos.

Não só uma boa infraestrutura de internet é necessária, bem como de aplicativos e sistemas seguros. Seja para estudo, diversão ou trabalho. E momentos como este acabam ser propícios para que golpistas tentem lucrar com a situação.

 

Pandemia e tentativas de fraude pela internet

As fraudes mais comuns estão sendo a disseminação de aplicativos e sites falsos para roubar as informações pessoais, e assim poder acessar suas contas bancárias ou até mesmo receber os benefícios prometidos pelos governos. Assim, nunca é demais reforçar algumas recomendações:

• nunca compartilhe senhas e dados pessoais por telefone ou mensagens instantâneas;

• desconfie de mensagens de conhecidos, se vier com pedidos estranhos ou solicitações de dinheiro;

• só baixe aplicativos de lojas oficiais (play store e apple store);

• não abra anexos ou clique em links em emails ou mensagens de desconhecidos;

• não dissemine fake news;

• procure checar qualquer notícia que “pareça verdadeira” antes de compartilhá-la, na dúvida não o faça;

• faça uso consciente da rede de computadores;

 

Recomendações finais

Por fim, cabe reforçar as orientações dos órgãos oficiais de saúde:

• fique em casa se não precisa sair;

• se precisar sair, faça mas com cuidado;

• cuide da sua higiene, especialmente lavando bem as mãos e rosto sempre sair de casa;

• se tiver resfriado, opte voluntariamente pelo isolamento, não corra o risco e nem coloque outros em risco;

Mais cedo ou mais tarde, essa situação vai passar. Se cuide.

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