Foto: Saul Martinez/Getty Images

No último dia 30 de maio de 2020 pudemos presenciar a história sendo escrita ao vivo. Já que era lançado o voo Crew Dragon Demo-2 da SpaceX /NASA. Porém, é provável que muitos não tenham ciência do que isso significa.

Primeiramente, é importante salientar que este é o primeiro voo tripulado com uma nave Americana de empresa privada, lançada de solo Americano, totalmente construída nos Estados Unidos e tripulada por Americanos. Além disso, a última missão tripulada lançada a partir dos Estados Unidos, pela Nasa, foi a STS-135 em 2011 com o ônibus espacial Atlantis.

 

Ônibus Espaciais Americanos

Conforme já explorado em outros textos, a corrida espacial Americana iniciou ainda na década de 1950, e teve seu auge com a chegada do primeiro homem na Lua em 21 de Julho de 1969. Desde então, muitas outras missões foram realizadas. Inclusive rumo à lua. E também novas tecnologias foram desenvolvidas e veículos espaciais construídos.

O primeiro ônibus espacial foi o Enterprise, o qual nunca chegou a ser enviado ao espaço mas foi essencial como um veículo de testes e provas de aproximação e aterrissagem. O nome deste protótipo foi em homenagem a nave Enterprise do seriado mais famoso sobre o espaço. Ou seja, jornada nas estrelas ou Star Trek.

Ainda que as viagens utilizando ônibus espaciais tenham iniciado em 1981 com o Columbia (STS-1), só foram realizadas um total de 135 viagens. Dentre elas, tem-se o lançamento do Telescópio Hubble e sucessivas missões para conserto / atualização do mesmo. Igualmente, várias missões para construção e acesso até a Estação Espacial Internacional ISS. Bem como, foi mais um passo para consolidar a supremacia Americana na corrida espacial. Entretanto, estes acabaram sendo aposentados depois de 30 anos. O motivador para a aposentadoria dos mesmos foram as tragédias com o mesmo Columbia em 1º de fevereiro de 2003 (STS-107) e com o Challenger, que explodiria 73 segundos depois do lançamento no dia 28 de janeiro de 1986 (STS-51-L).

 

Carona com os Russos

Com a aposentadoria dos ônibus espaciais, a única alternativa que restou aos americanos para acessar o espaço, foi “pegar carona” com os Russos a bordo da Nave Soyuz. Não apenas deixaram de ter autonomia para suas viagens, como também eram obrigados a desembolsar milhões de dólares para cada “assento comprado” por viagem.

 

Crew Dragon, a consolidação de novas parcerias

Com o fim das viagens espaciais tripuladas a partir de solo Americano desde 2011, a NASA foi à busca de outras alternativas. Nesse ínterim, o orçamento da agência espacial também ficou comprometido de certa forma. Assim, a parceria com empresas privadas passou a ser uma alternativa viável e economicamente acessível, uma vez que estas também tem seus interesses no espaço. Um exemplo, é o projeto Starlink da SpaceX. Entre estas parcerias, as mais avançadas e já em fase de testes são as com a Boeing e com a própria SpaceX.

Com a SpaceX, de Elon Musk, a parceria já evoluiu das fases de testes e certificação da capsula para o primeiro voo tripulado. O que ocorreu no último sábado dia 30 de maio com a missão Crew Dragon Demo-2

 

Missão Crew Dragon Demo-2

A missão Crew Dragon Demo-1 foi realizada em 02 de março de 2019, sem tripulação, rumo à Estação Espacial Internacional, e teve um pouso bem sucedido de retorno em 08 de março. Nessa missão, além de levar materiais para a estação, também serviu para testar os procedimentos de voo, de aproximação e ancoragem da capsula. Assim, após outras validações e certificações, abriu espaço para a histórica missão Demo-2.

Ambas foram lançadas num foguete Falcon 9 da empresa privada SpaceX. O primeiro foguete da história que, o primeiro estágio retorna para a terra e pode ser utilizado novamente em outras missões. O nome deste foguete, também é uma homenagem a outra famosa sequencias de filmes espaciais, e sua mais famosa nave. Estamos falando da da Millenium Falcon de Guerra nas Estrelas, ou Star War. Assim, o nome Falcon deriva da nave espacial de Star War, e 9, é o número de motores de foguetes Merlin que ela utiliza.

 

Crew Dragon e sua importância para humanidade

Inegavelmente esta missão é um marco para história da humanidade. Não só por devolver aos Estados Unidos a autonomia nas viagens espaciais, mas principalmente pelas novas tecnologias desenvolvidas e o quanto elas acabam por impactar positivamente toda a humanidade.

Dentre essas tecnologias, pode-se destacar os próprios foguetes Falcon 9. Certamente o maior diferencial deste foguete é a possibilidade de reaproveitar parte dele logo após o lançamento, visto que o primeiro estágio consegue retornar e aterrizar “de pé” e ser novamente reutilizado. Uma analogia que pode ser feita, é com os aviões, antes era como destruí-lo ao final de cada viagem, e hoje, é “reaproveitá-lo” para outros percursos.

Além disso, uma configuração utilizando dois Falcon 9, que já está testado e pronto para utilização é o Falcon Heavy. Atualmente é o maior foguete em operação desde o Saturno V (que levou o homem a Lua) e o Soyuz Russo. Com ele, espera-se o envio novas missões tripuladas para a Lua até 2024 e quem sabe até Marte na próxima década.

 

Crew Dragon e as Tecnologias Espaciais

O exemplo do foguete Falcon 9 é apenas uma das tecnologias desenvolvidas nesta atual corrida espacial. Em breve veremos e teremos acesso a muitas outras. Assim ocorreu durante a corrida espacial das décadas de 1950/60/70, tal qual nas Grandes Guerras Mundiais e Guerra fria.

Você pode gostar ou não de seriados com a temática do espaço. Pode achar necessário ou não o investimento em viagens espaciais. Mas a verdade é que projetos como esse impactam o rumo de toda a humanidade.

Aprovando ou não, o certo é que muitas das tecnologias atuais e futuras, derivam de missões como esta. Vidas são salvas. Qualidade de vida melhora. Comunicação entre pessoas de diferentes partes do planeta (e brevemente de fora dele) são melhoradas. E muito mais. Quem sabe até, seja o início de uma possível “colonização terráquea” tanto na Lua quanto em Marte.