Pode parecer um pouco autoritária, mas a expressão “controle social” está cada vez mais na moda. E o que é pior, inclusive está sendo aclamada por muitos Brasil e Mundo afora.

Voltando para a origem na sociologia, controle social pode ser utilizado para designar mecanismos que estabelecem disciplina e ordem social, com o propósito de submeter indivíduos a determinados padrões sociais e princípios morais. Visa assegurar conformidade de comportamento a um conjunto de regras. Ou seja, manter a ordem.

Em tempos de pandemia, em que um simples aperto de mão passou a ser “proibido”, sair de casa sem máscara virou quase um crime. Em qualquer lugar que vá ou olhe, lá está um “patrulheiro de plantão” ponto para apontar o dedo. Sobretudo esta atitude é motivada pelo medo do desconhecido, por não ter controle do que está acontecendo.

Não bastasse todos nós já estarmos sendo “monitorados” pelos amigos e familiares, e também por aquele transeunte que nunca vimos antes, agora são os governos que passam a querer nos controlar ainda mais. Tudo isso com o argumento de frear a disseminação da pandemia.

 

Controle social como na ficção

No seriado de ficção científica Black Mirror, o episódio Nosedive retrata uma sociedade em que para ter acesso a determinados serviços e bens de consumo, é necessário possuir uma reputação mínima nas redes de avaliação. Em suma, um score social. Da tela para a vida real, na China um sistema como este já está em operação há algum tempo.

Assim como no seriado, e nas obras 1984 de George Orwell, Nós de Levgueni Zamiatin e ainda Admirável Mundo Novo de Aldous Huxlei, aos poucos a sociedade “real” também está gradativamente se submetendo a um controle social mais severo e mais abrangente. Ao mesmo tempo que se implementa o rastreio de celulares no Brasil e no Mundo todo para avaliar a eficácia de ações como o lockdown e quarentena, milhares de outras informações também estão sendo coletadas sem quem percebamos.

Todos já temos um score no sistema financeiro Brasileiro. Nossas informações pessoal já fazem parte de grandes Big Datas de empresas de mídias sociais, bancos e varejistas além dos governos. Câmeras nas ruas já são capazes de fazer o reconhecimento facial. Ou seja, ninguém mais consegue ficar anonimo neste mar de tecnologia.

 

Novas medidas de controle social

Amplificado pelas incertezas trazidas com a pandemia, isolamento social, medo da doença e suas consequências, entre outros fatores, diversos governadores e prefeitos têm adotado medidas ainda mais explicitas de controle social. Há quem determine medidas de “lei seca” para consumo de álcool em locais públicos, enquanto outros estão proibindo completamente a comercialização de qualquer bebida alcoólica em qualquer estabelecimento.

Outros governos ao redor do planeta, estão obrigando cidadãos baixar aplicativos de rastreamento de seus celulares, e exigindo destes de tempos em tempos, uma “prova” de que realmente estão em casa. Estes são apenas alguns exemplos do que está acontecendo. Tentar burlar esses sistemas? A menos que seja um especialistas, é praticamente impossível, pois todos utilizam inteligência artificial e algorítimos que validam as informações fornecidas.

No campo da informação, sutilmente começa-se a observar um incremento de censura “velada”. Vídeos que tratam de “assuntos sensíveis” deixam de ser monetizados. Agregadores de podcast são suspensos por distribuir conteúdo sem autorização de órgãos governamentais. Plataformas de mídias sociais são ameaçadas de multas e banimento se não excluírem conteúdo de ódio da rede.

Até mesmo mensageiros instantâneos já foram bloqueados por supostas violações as leis (ou melhor, por não compartilhar informações de seus usuários). Sem contar inúmeras outras ações que visam ameaçar provedores. Nítida tentativa de frear a livre informação cerceando o mensageiro, já que não pode chegar em todos os emissores da mensagem. A dúvida neste ponto é quem define o que é o que?! Cada individuo pode ter um entendimento diferente do mesmo tema.

 

Pessoas clamando por mais controle social

Por mais que ações como essas signifiquem de certa forma, ou a perda de privacidade ou de liberdade. Ou ainda, das duas. Surpreendentemente, há quem deseje ainda mais controle. A começar com os estrangeiros. A xenofobia que sempre existiu em todos os países, embora muitas vezes camuflada, agora está ganhando mais força e visibilidade.

O controle mais rígidos de fronteiras, também é outro apelo de muitos. Não seria de se estranhar, se além do atestado de vacinas em dia, algumas nações também passagem a igualmente exigir um atestado médico de “boa saúde” para ingressar neles.

Certamente, ao findar da pandemia e as atividades gradativamente começarem a retornar ao mais próximo da normalidade que já conhecemos, muitas formas de controle terão sido implementada, e outras mais virão em sequência.

 

Como poderá ser o futuro?

Aonde poderemos chegar com o avanço da tecnologia no ritmo atual, desenvolvimento de novos sensores subcutâneos, e novas formas de comunicação e de rastreamento? Voltando para Black Mirror, o que é preconizado no episódio Nosedive pode setornar muito mais real do que podemos imaginar.

E você, estaria disposto a abrir mão ainda mais da sua privacidade e liberdade em troca de uma suposta segurança por parte do estado? E de governos?

 

Para refletir

Em momentos críticos como o que vivemos no momento, certamente a adoção de medicas mais duras e restritivas se fazem necessário para salvar vidas. Disso não podemos discordar. Pois, infelizmente nem todos as pessoas conseguem ter a consciência e empatia pelo próximo e se recusam a adotar medidas seguras, como um simples lavar as mãos com mais frequência.

Entretanto, o que precisamos ficar antenados é para o depois. Assim que findar estes tempo de medo e incertezas, é de se esperar que as limitações sejam da mesma forma baixadas. E talvez o que seja mais importante.

Sobretudo precisamos ficar atentos para as ações de estado das de governo. É o estado o responsável pelo “povo”. Enquanto os governos geralmente estão preocupados é com as próximas eleições. Agremiações políticas então, nem se fala, pois seus discursos serão medidos em função de estarem esses na “posição” ou na “oposição”, de serem de “extrema direita” ou “extrema esquerda”.

Para finalizar, uma frase de Benjamim Franklin. “Qualquer sociedade que renuncie um pouco da sua liberdade para ter um pouco mais de segurança, não merece nem uma, nem outra, e acabará por perder ambas.”