A tecnologia para levar internet aos quatro cantos do planeta via satélites está começando a comprometer o estudo da astronomia a partir da terra. De tal sorte, que a observação do cometa C/2020 F3 NEOWISE a partir de observatórios terrestres e utilizando a técnica de astrofotografia acabou comprometida.

Há alguns meses comecei o texto desta coluna com o seguinte parágrafo: “Olhar para o céu e ver apenas as estrelas pode ser um privilégio que as próximas geração não mais terão. Pois na busca de uma internet disponível em qualquer parte do planeta, seja no centro de uma metrópole ou o meio da floresta amazônica, uma verdadeira constelação de satélites está sendo colocado em órbita.” E infelizmente, como descrito no primeiro parágrafo, isso está começando a ocorrer. E é só o início.

 

Astronomia

Pela definição, astronomia é a ciência que estuda os corpos celestes além dos fenômenos que se originam fora da atmosfera terrestre. Inegavelmente é uma das ciências mais antigas e já era praticada mesmo por culturas pré-históricas. Desde o início, o estudo se fazia com a observação dos corpos celestes a partir da terra. Primeiramente, sem utilizar nenhum artefato específico, e mais tarde com o uso de telescópios. Apenas nos últimos 30 anos com o Telescópio Hubble é que este estudo passou a ser feito também, a partir do espaço. Em outras palavras, o estudo do cosmos sempre foi baseado na observação das estrelas.

Acontece que, nos últimos meses a empresa SpaceX está lançando quase que semanalmente dezenas de satélites que irão prover internet de alta velocidade para todas as regiões do planeta, até as mais remotas. Estes por sua vez, devem chegar aos milhares e criar uma verdadeira constelação ao redor do planeta. Mesmo que esses satélites possuam um tamanho relativamente pequeno, utilizam grandes placas solares responsáveis pela captação dos raios solares e posterior conversão em energia elétrica que o manterá funcionando.

Assim, essas placas também acabam por refletir a luz solar. Por consequência, aparecerão como pequenos pontos luminosos no céu noturno como se fossem estrelas. Até aí não teria nenhum problema, não fosse o fato deles se movimentarem em velocidade diferente da rotação da terra. Visto que não são satélites geoestacionários. Desse modo, ao tentar fotografar o cosmos utilizando a técnica de abertura do diafragma das câmeras com uma longa exposição, como por exemplo 30 segundos ou mais, essas estrelas andantes são fotografadas como “riscos”. É possível ver o resultado na fotografia a seguir feita por Julien Girard (@djulik) que tentou fotografar o cometa C 2020 F3 com uma exposição de 30 segundos.

 

É só o começo

Infelizmente este estrago nas belas astrofotografias certamente será ainda mais intenso. Pois hoje são apenas algumas poucas centenas de satélites orbitando a “constelação Starlink”. Mas, a primeira fase do projeto prevê 12.000, chegando até 43 mil ao longo das próximas décadas. E não é só esse projeto que está em estudo / andamento. Há inúmeros outros.

E você o que pensa sobre isso? Será que haveria formas de conciliar o avanço tecnológico sem tirar o “romantismo” de olhar para as estrelas? As verdadeiras estrelas?

 

Entre em nosso canal do Telegram e receba informações diárias, inclusive aos finais de semana. Acesse o link e fique por dentro: https://t.me/portalnotisul