Mesmo que sejam divulgadas estatísticas com saldos positivos na oferta de empregos em um determinado período, muitos Brasileiros continuam sentindo uma sensação de frustração e revolta, pois segundo dados do IBGE ainda são mais de 13 milhões de trabalhadores desempregados (dado que considera apenas os que estão procurando uma ocupação formal). Se forem considerados também os trabalhadores que já deixaram de procurar um emprego e os que trabalham menos de 40 horas semanais (considerados subutilizados), este número ultrapassa dos 27 milhões de Brasileiros.

Porém, de outro lado, é comum empresas relatarem a grande dificuldade de contratação de trabalhadores qualificados para ocupar as posições disponíveis. Esta dificuldade aumenta consideravelmente nas áreas tecnológicas e nas que exigem uma maior qualificação técnica do candidato.

Parece contraditório, mas não é. Pois considerando que além da real falta de ofertas de vagas em algumas regiões, o que acontece com muita frequência são trabalhadores formados em áreas que já não são mais relevantes para o novo mercado de trabalho, e ainda, o que é pior, muitos trabalhadores nem mesmo concluíram sua formação no Ensino Básico (fundamental e médio). E é neste grupo que iremos concentrar este texto.

É sabido que muitos destes trabalhadores não conseguiram concluir seus estudos por vários motivos, dos quais se podem destacar o fato que foi necessário trabalhar muito cedo para ajudar em casa, porque onde moravam não havia escolas que ofertassem o ensino médio; por exigência de um dos pais que não acreditavam na educação e sim no trabalho braçal; ou por tantos outros motivos que poderiam ser enumerados aqui.

E em decorrência deste fato, hoje em Santa Catarina menos de 70% dos trabalhadores formais possuem pelo menos o ensino médio completo. É verdade que este número vem melhorando a cada ano incentivados por ações como o Movimento Santa Catarina pela Educação. Mas ainda há muito por se fazer.

E este é o público que mais tem sofrido com a perda postos no mercado formal. Para se ter ideia deste fenômeno, no primeiro semestre de 2018 o saldo de empregos em Santa Catarina foi positivo em 33.496 novas vagas segundo o Portal Setorial da FIESC (http://www.portalsetorialfiesc.com.br/), porém, destes, 27.045 novos empregados possuíam pelo menos o Ensino Médio Completo, e somente 6.451 novos trabalhadores ainda não concluíram o mesmo.

A boa notícia é que “Ainda dá Tempo”. Na maioria das cidades de Santa Catarina há iniciativas para oportunizar a formação de Jovens e Adultos tanto pela Secretaria Estadual de Educação (Ceja) quanto por meio da iniciativa Privada (EJA). Além da oportunidade dos interessados avaliarem suas competências, habilidades e saberes adquiridos por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

Assim, mesmo quem não pôde concluir seus estudos “no prazo normal”, nossa dica é que volte imediatamente para os bancos escolares. Volte a ser um “aprendedor”.

EJA Profissionalizante do Sesi
Para os trabalhadores da Indústria uma oportunidade é a Educação de Jovens e Adultos (EJA) Profissionalizante ofertado pelo Sesi de Santa Catarina em algumas cidades, inclusive em Tubarão, onde os educandos além de obterem seu diploma da Educação Básica, também se qualificam paralelamente em um curso profissionalizante ofertado pelo Senai.
Outras informações, procure o Sesi.


Saldo de Empregos no Litoral Sul

Assim como ocorre em todo o Estado, o saldo de empregos é positivo na Região Litoral Sul de Santa Catarina em 716 novas vagas no primeiro semestre de 2018. Sendo que ao mesmo tempo em que foi gerado um saldo positivo de 839 novas oportunidades para quem já tem a Educação Básica Completa, o saldo foi negativo em 123 postos para quem ainda não é formado pelo menos no Ensino Médio.