Com certeza seu melhor presente foi ter recebido alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital São José, em Criciúma, onde permanece internado recebendo os parabéns, cantado pelos profissionais daquela casa de saúde.

Suportou com a valentia de um velho guerreiro, na última quinta-feira (9), uma cirurgia endovascular para aneurisma da aorta abdominal. A lucidez e a memória privilegiada do seu Wilson Westphal, é algo impressionante!

Fala do que viveu, das suas lembranças de criança, juventude e vida adulta, como se os fatos todos tivessem ocorridos recentemente. Conta tudo com riqueza de detalhes, inclusive com nomes de pessoas e datas.

Seu Wilson, filho mais velho do casal Oswaldo Westphal e Adelina Speck, tem quatro irmãos: Iracema (faleceu ainda criança), Édison, Wally e Robison. Seu pai atuava no ramo madeireiro e esta foi a principal atividade profissional também exercida por ele.

Como na sua infância, o grau máximo de escolaridade em Braço do Norte era somente até a quarta série primária. Incentivado pela família, Wilson fez o exame de admissão exigido na época para frequentar aulas da quinta série em diante.

Com muito orgulho, ele confessa que foi classificado em sexto lugar, o que possibilitou frequentar um colégio interno, na época existente em Laguna. Era o único que oferecia esse grau escolar no Sul do Estado, onde permaneceu por dois anos.

De Laguna transferiu-se para Blumenau. Lá cursou contabilidade no Colégio Santo Antônio, sendo que o último ano cursou a distância, por correspondência, em um colégio de Porto Alegre. Wilson lembra que para ir de Braço do Norte até Blumenau de ônibus, gastava-se dois dias. Fazia pernoite em Florianópolis.

As estradas eram verdadeiramente esburacadas e o caminho passava por Anitápolis, entre outros municípios daquele trajeto. Além da família, Wilson teve outras paixões, a música é uma delas.

Exímio acordeonista e tecladista, até hoje, quando empunha um acordeom ou senta em frente a um piano, ele sem dúvida proporciona um show. No ano de 1948 criou o Grupo Musical Anjos Negros com alguns os amigos, em Braço do Norte.

Esse grupo assegurava a alegria, principalmente da juventude da época. Era praticamente a única opção de lazer para os jovens de Braço do Norte e região. Chegaram a alugar um ambiente para fazer as famosas domingueiras.

Em 1965, criou o grupo Ritmos Acapulco. Foi devido a esses encontros dos domingos, surgiu a ideia da criação de um clube social em Braço do Norte. Depois de muitas reuniões, sempre encabeçadas por Wilson e com apoio de amigos, a iniciativa culminou com a criação do Clube Cruzeiro de Braço do Norte o qual foi o primeiro presidente.

Sempre à frente de todas as iniciativas necessárias para o andamento e conclusão do projeto, ficou no cargo durante três anos. Wilson contava com o apoio da comunidade e em especial de seu pai, que através da Madeireira Westphal doou muita madeira, entre outros materiais, para a execução da obra.

Logo que o prédio ofereceu condições, mesmo ainda em construção, os eventos começaram a ser realizados. O Clube Cruzeiro permanece como principal clube social do município até os dias de hoje.

Os eventos dançantes, por muitos anos, foram abrilhantados pelos Anjos Negros e posteriormente pelo Conjunto de Ritmos Acapulco, sempre de forma voluntária, ou seja, não cobravam nada do clube pelo espetáculo.

Sua esposa o acompanhava, dentro do possível, de todas as suas atividades. Ela foi a responsável pela organização do primeiro baile de Debutantes do Clube Cruzeiro de Braço do Norte, inaugurado no ano de 1954.

Wilson sempre teve um espírito comunitário muito aflorado. Participou de todas as iniciativas que fosse de interesse da comunidade de Braço do Norte e região. Sua participação nos assuntos ligados ao Hospital Santa Terezinha foi muito relevante.

Seu pai foi um dos fundadores do hospital e Wilson, posteriormente, participou ativamente na diretoria, dando sequência ao grande trabalho de seu pai. Lembra ele que, juntamente com o senhor Toríbio Schmidt e Pedro Michels, visitaram grande parte dos moradores do interior do município, a bordo de um Jeep, para pedir prendas para a inauguração do hospital.

Quando chegavam nas casas ele empunhava a sanfona, tocava umas músicas e os companheiros se encarregavam de pedir a prenda. Segundo ele, ganharam muitos animais bovinos, galinhas e outros brindes para viabilizar a grande festa de inauguração da primeira parte do hospital.

E como não poderia ser diferente, na inauguração, montaram um tablado. E foi ali que Wilson, com sua sanfona, abrilhantou o evento e o povo animado começou a dançar. A ideia da construção de um hospital em Braço do Norte foi recebida com muito entusiasmo pelos moradores do município e região. Já que, o que se tinha na época, era uma casa adaptada para possibilitar os poucos médicos que vinham à cidade prestar consultas.

Quando surgia uma emergência, os moradores da região iam diretamente para Tubarão, o que era muito difícil, devido a precariedade da estrada de chão batido. Outra paixão do seu Wilson foi a política.

Participou de duas eleições como candidato a prefeito por Braço do Norte. Ele lembra que as eleições neste município eram sempre muito disputadas. UDN e PSD dividiam voto a voto em todos os pleitos. Normalmente a diferença não passava de 20 votos.

Na primeira disputa ele perdeu por 16 votos para o seu opositor Fredolino Kuerten. Já na segunda disputa foi vencedor, contra o opositor Lady Fornazza, que na eleição seguinte concorreu novamente e também venceu o pleito.

Wilson governou Braço do Norte de janeiro de 1970 a dezembro de 1972. Naquela época o exercício de um prefeito era de três anos. E lembra com muita clareza que Braço do Norte tinha muita coisa para resolver e para realizar.

Como a arrecadação era muito pequena, seu Wilson nunca recebeu o seu salário. O valor dos seus pró-labores sempre ficou na prefeitura, para reforçar o caixa e possibilitar que mais alguma coisa pudesse ser oferecida a comunidade.

Sua vontade de realizar era sempre maior do que a capacidade da arrecadação de recursos do município. No final do mandato, desfez-se de um terreno que possuía em Tubarão para pagar suas dívidas pessoais como alimentos e outras despesas domésticas.

Este acúmulo se deu por conta de não retirar seus vencimentos durante os três anos em que foi prefeito. Isso porque não possuía outra fonte de renda para honrar perante os que lhe deram crédito.

E não foram só dívidas de ordem pessoal. Segundo nos confidenciou, no final de seu mandato a prefeitura tinha contraído uma dívida muito grande com um posto de gasolina da cidade a qual pagou do próprio bolso.

Sem dinheiro no caixa da prefeitura e sem dinheiro no bolso, o então prefeito não pensou duas vezes. Tinha presenteado a esposa com um Corcel zero quilômetro não fazia muito tempo. O carro estava com 15 mil quilômetros rodados. Estava praticamente novo.

Pegou o carro da esposa e entregou ao proprietário do posto para quitar a dívida da prefeitura. Ele conta com orgulho e satisfação a obra principal de seu governo: a mudança do acesso principal da cidade, que ocorria pela estrada antiga (via Bairro Rio Bonito), para o atual acesso (via Avenida Felipe Schmidt).

A viabilização desta obra envolveu problemas com indenizações e principalmente oposições de cunho político, que exigiu do então prefeito Wilson Westphal, muita habilidade e diplomacia.

Ele lembra que depois de expor, juntamente com sua equipe de engenharia, todas as vantagens que ofereceria o novo trajeto, algumas lideranças e proprietários de terrenos por onde iria passar o novo traçado de acesso à cidade, empenharam total apoio.

Na ocasião lembraram que ele foi eleito para fazer o melhor para o município e, portanto, estavam dando um voto de total confiança ao projeto por ele idealizado.

Na vida empresarial, juntamente com o pai, irmãos e posteriormente com outros sócios, participou de diversas empresas, sempre com atividades que envolviam o ramo madeireiro.

Atualmente, Wilson e seus filhos possuem uma empresa que atua na atividade de reflorestamento, a Westphal e Filhos, localizada em Anitápolis, na região da grande Florianópolis.

Wilson casou-se com Guerty Ida Erna Mertens, no no dia 16 de maio de 1953, na cidade de Caçador. Conheceu ela quando ambos estudavam em Blumenau, cidade que ela residia com os pais. Mas os pais de Guerty mudaram-se primeiro para Lages e posteriormente para Caçador.

O pai dela era professor da língua alemã. Só que antes de eles se mudarem, Wilson pediu Guerty em namoro e ela aceitou. O namorado ficou consolidado quando os dois foram ao cinema e ele ofereceu o braço para caminharem juntos em direção a casa de espetáculos.

Com a mudança dos pais de Guerty, os dois namoravam através de cartas e Wilson ia duas vezes ao ano a Caçador para ver a sua amada. De namoro foram 8 anos. De braços ou mão dadas, os dois já estão casados há 68 anos.

Eles tiveram Walter Robert, Oswaldo Netto, Guerty e Wilson Filho. Atualmente moram na cidade de Tubarão, onde fixaram residência desde o ano de 1974. Mas Wilson não esconde seu amor por Braço do Norte.

Ele finalizou seu depoimento com um agradecimento às pessoas que o ajudaram a construir o município e pediu que, tanto os governantes como o povo, cuidem bem da cidade, que a mantenham limpa e ordeira. Pois para ele, Braço do Norte nasceu com vocação para ser um polo regional e o seu destino está sendo cumprido.

 

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