No início dessa inesperada pandemia, criou-se um ambiente de solidariedade nunca visto nas últimas décadas. Aflorou na maioria das pessoas um espírito de cooperação, sinalizando que poderíamos estar iniciando um período de transformação da humanidade.

Mas, infelizmente o que parecia ser o instrumento para o surgimento de uma nova era está se tornando mais uma ferramenta geradora de conflitos, principalmente entre classes de atividades econômicas, sociais e políticas. E tudo isso é muito compreensível.

A grande maioria das pessoas age ou reage conforme o seu interesse, sua necessidade. O Notisul realizou uma enquete na sua página no Facebook na semana passada com a pergunta: “VOCÊ CONCORDA COM O FECHAMENTO DO COMÉRCIO EM TUBARÃO?”
61 % responderam que sim, que são favoráveis ao fechamento e 39 % se manifestaram contrários.

Como sabemos, enquete é diferente de pesquisa. Ao contrário das pesquisas, as enquetes não adotam nenhuma metodologia científica. Curioso que sou, fui nos comentários, selecionei alguns deles e entrei no perfil dessas pessoas na página delas no Facebook, para saber um pouco sobre elas.

Minhas suspeitas apenas se confirmaram. Quase a totalidade dos que se manifestaram favoráveis ao fechamento, são pessoas aposentadas ou que recebem salários, independente se é do setor público ou privado. São pessoas que a princípio, indo trabalhar ou ficando em casa, no final do mês, em tese, vão estar com o valor do salário depositado na conta.

Os contrários, também quase na totalidade são empregadores, pessoas que, através das suas empresas, independentemente do tamanho necessitam de renda, para honrar compromissos com funcionários, fornecedores, aluguel, impostos e mais um monte de contas que precisam ser quitadas para manterem-se de pé, de portas abertas e funcionando.

Essas empresas na maioria dos casos são o resultado do sonho dos seus proprietários.
Pessoas que arriscaram o pouco que tinham e até o não tinham. São pessoas que trabalharam duro, que abriram mão do descanso dos finais de semana durante muitos anos e tudo isso, para tornar suas empresas viáveis.

Quantos destes microempresários trabalharam com as portas da empresa fechadas e fora dos horários padrões de funcionamento, realizavam atividades necessárias. De forma incansável, faziam muitas horas extras, pois isso evitava a admissão de mais funcionários que a empresa precisava, mas eles não tinham dinheiro para contratar.

E hoje, em muitos casos, além de estarem proibidos de trabalhar, de abrirem suas empresas, ainda são taxados ‘dinheiristas’, mesquinhos e até desumanos, quando na verdade, o que eles pretendem mesmo é apenas continuar lutando, para que o seu sonho sobreviva, para que seu negócio continue a existir.

Eu, prático que sou, tenho uma sugestão para cessar de vez esses conflitos. Tornar tudo compulsório. Explico: empresas e funcionários que por razões do tipo de atividade que exercem, não conseguem trabalhar no sistema home office, vão decidir-se por trabalhar ou não trabalhar.

Abrir ou não abrir a empresa, fica a critério do empresário. Ir ou não ir para o trabalho, fica a critério do funcionário. Mas cada um por conta e risco. Cabe a empresa seguir à risca as regras de segurança ditadas pelas secretarias de saúde.

E aos trabalhadores cabe usar delas para a própria proteção e por consequência a proteção da sua família. É só uma questão de responsabilidade. Recebe salário quem for trabalhar. Nada contra auxílio oferecido pelo governo federal.

Mas, os empresários não têm condições de pagar mais essa conta. E tem mais uma coisa. Se as partes cumprirem com rigor as determinações de segurança, acredito que daí sim, vamos controlar a situação.

Tenho a convicção de que com isso a curva de contágios vai descer. No meu entendimento, esse tal de isolamento social, que é visto por um grande número de irresponsáveis como uma espécie de férias fora do período previsto na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), é o que está provocando um maior número de infectados.

É gente se aproveitando disso, para passear, visitar parentes, promover confraternizações e tudo sem as precauções que estariam tomando se estivessem no trabalho. Querem me jogar pedras? Fiquem à vontade. Essa é a minha opinião.

Pertenço por dois motivos ao grupo considerado de risco. Tenho 65 anos e sou cardiopata. Mas não é por isso que estou em paranoia nesse momento. Saio de casa quando for necessário, tanto para atividades da empresa como pessoal. Mas estou tentando me proteger ao máximo. Tenho fé de que não vou ser contaminado.

Mas se acontecer, estou com a consciência em paz de que fui atingido em luta e não fui encontrado escondido em algum canto e já morrendo de medo. Concordo que quem puder deve evitar ao máximo se expor. Mas acreditem, viver já é correr riscos, a roda da vida continua girando e o mundo não vai parar para você descer.