Semana passada, falei na coluna escrita e no vídeo sobre a baixa percepção financeira, um dos vilões que dificulta, ou impede, as pessoas de progredirem financeiramente.

(Quem não assistiu ao vídeo da semana passada, eu fiz as contas de quanto representa um pequeno gasto rotineiro em um período maior de tempo. Se você não viu, veja no site do Notisul, garanto que vai te surpreender).

Hoje é dia de perseguir outro vilão: os estoques. Não estou falando em estoques de empresas, que na maioria dos casos precisa existir, estou falando em famílias fazerem estoques excessivos que levarão uma longa data para consumi-los.

Esse costume é bastante comum. No início é fácil de entender se lembrarmos um passado relativamente recente de nossa economia: na década de 80 até meados dos anos 90, tínhamos uma inflação monstruosa, os produtos chegaram a mudar de preço mais de uma vez por dia nas prateleiras do supermercado. Nessa época horrorosa, as pessoas adquiriram, ou intensificaram o hábito de fazer estoques.

Esse costume, tão maléfico para as finanças pessoais, foi continuado mesmo após controlarmos a inflação, passando, inclusive para a geração seguinte, motivo pelo qual não é raro encontrarmos “semifetos” com esse costume infeliz de fazer estoque.

Há também aquelas pessoas que qualquer coisa que acontece, já sai estocando. “Vou comprar 50 kg de arroz por causa da greve dos caminhoneiros”, como se a greve fosse durar dois anos; “pizza está na promoção, vou comprar 30”, passa a comer pizza todos os dias antes que estrague; “vou aproveitar a promoção de cerveja e já comprar para o verão todo” aí toma tudo em um mês, e por aí vai…

Ocorre que muitas vezes temos, no estoque, o dinheiro que falta na conta, fazendo os boletos atrasarem e pagarmos juros por isso. Comum, também, é ter no estoque o dinheiro que deveria estar no fundo de reserva. E eu não estou falando exclusivamente em estoque de itens de supermercado. As pessoas compram roupas que nem sabem quando terão oportunidade de usá-las, compram múltiplos pares de sapatos, compram livros em quantidade que demorarão meses para ler. Algumas vezes obtemos desconto em uma compra maior, mas isso não deve ser levado em consideração se você está com as contas atrasadas ou sem reservas. A razão é simples: o desconto obtido na compra maior nunca vai compensar os juros pagos pelo atraso.

Compras mais espaçadas, feitas à medida que se vai consumindo, além de propiciar maior flexibilidade, faz com que você não gaste, hoje, com aquilo que só vai consumir daqui há alguns meses. Isso evita que seu saldo fique negativo, que atrase os boletos, que entre no cheque especial (que foi feito especialmente para você se ferrar) e que você quebre a cara no primeiro imprevisto que ocorra (afina, sim! Eles ocorrem).
Se você faz parte dos 15% da população sem dívidas e com reservas, pode ser que compre quantidade maior objetivando o desconto, mas não esqueça que comprar hoje para usar daqui a três meses, é perder três meses de rendimentos que você teria obtido se tivesse deixado aplicado. Por isso é necessário ponderar o que é mais vantajoso, sem deixar de lembrar que comprar agora pode te forçar a consumir lá na frente algo que você já não tenha mais vontade.
E você? Já havia pensado dessa forma? Conte-me nas minhas redes sociais:

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Obs.: não deixe de assistir ao vídeo na próxima quarta-feira, que falarei sobre outros hábitos que te impedem de progredir financeiramente.