Como não ser cancelado na internet

“Quando você for jantar com alguém importante, não esqueça quem ele é. Se você é guloso, controle-se. Não tenha pressa de comer a boa comida que ele serve, pois ele pode estar querendo enganar você.” (Pv 23.1-3)

Existem momentos e momentos.

Intuitivamente todos sabemos disso, ainda que este princípio não seja aplicado em todo o tempo. Uma vida sábia sabe o momento certo de falar, agir – e quando não fazer nenhum dos dois.

Certa vez ouvi de alguém: “eu falo tudo o que me vêm à mente”. Isso é tolice. Assim como pensar que podemos fazer o queremos quando quisermos.

Antes de falar ou agir, a sabedoria nos orienta a olhar para o outro. O texto de provérbios diz: “não esqueça quem ele é” (v.1). Isso aponta para uma visão além do próprio umbigo. Um senso de existência que não ignora quem está ao nosso lado, ou do outro lado da tela do celular.

O mundo é plural, apesar dos atuais dias polarizados. A comunicação é complexa, pois nem sempre o que falamos é compreendido por quem ouve. Palavras são distorcidas o tempo todo. O pseudo jornalismo atual edita entrevistas mostrando apenas o que lhe interessa.

Tempos complicados.

A sabedoria nos traz um segundo ponto: auto controle. No versículo 2 temos a expressão “controle-se”. Uma habilidade escassa nos dias de hoje. Somos tão bombardeados com mensagens do tipo “você é especial”, “você irá impactar sua geração”, “seu futuro é glorioso”, que essa falácia nos leva a pensar que somos o centro do universo. Que iremos revolucionar o mundo.

Bobagem.

Mal cuidamos da nossa casa. Temos dificuldade de controlar nossa língua. Não influenciamos nem nossos vizinhos.

Mas queremos “mudar o mundo”.

Finalmente, o texto termina dizendo, no versículo 3 “ele pode estar querendo enganar você”. É aqui a pedra de tropeço de muita gente: achar que palavras e ações não têm consequências. As redes sociais, a vitrine dos dias atuais, trazem a falsa sensação de segurança. Perdeu-se o tato social ao olhar as pessoas na tela do celular. Os relacionamentos tornaram-se distantes, e não mais próximos como se imagina.

Perdeu-se o “eu-tu”.
Vive-se o “eu – alguma coisa”.
Que possamos, todos nós, reaprender a falar, agir, perdoar.

Reaprender a amar.