Teve um dia que comecei a ficar extremamente irritada com as redes
sociais.

Quantas curtidas no post de hoje? Caramba faz tempo que não produzo
nada no linkedin.. O quê? Fulana tem 20k seguidores? Não pode ser.. Plin
plin, 2879 mensagens no WhatsApp e a minha energia totalmente
consumida.

Espantada com a minha própria voz, parei tudo para me escutar melhor.

Não é possível que isso esteja acontecendo comigo, fiquei inconformada.

Ao mesmo tempo, veio uma pontinha de curiosidade e resolvi canalizar e
usar o lado bom da tecnologia. Pronto, em um piscar de olhos, eu já
estava imersa em outro universo. O google.

Abri algumas telas e não demorou muito para descobrir que esse problema
não era só meu. Pior, notei que levava as pessoas para um buraco sem
fim, estimulando ansiedade, depressão e outras coisas mais.

Logo pensei, como não se sentir sufocado, ansioso, angustiado, irritado,
nesse universo gigantesco do digital?

Comecei a buscar mais evidências no meu HD interno e lembrei que dia
desses, ao iniciar uma sessão de terapia online com um cliente, o
aplicativo de vídeo que eu estava usando falhou.

Comecei a buscar uma solução rápida, o que demorou mais porque logo
notei que eu tinha uns 7 Apps de vídeos diferentes, baixados no
computador. Eram tantos que eu não sabia mais qual usar.

Que maluco isso!

Nunca sofremos com um mal atual. É muita informação.

E entusiasmada com as descobertas, decidi continuar as buscas.
Fucei mais um pouco aqui e ali e logo veio a informação que me fez parar
uns segundos de respirar: Anitta tem muito mais seguidores do que
ninguém menos que… Madonna! Não é possível! Esse mundo está muito
louco mesmo.

Não quero fazer uma comparação de gosto musical, cada um com o seu.

Mas me apegando à história e obviamente ao meu gosto, penso que, no
mínimo isso mostra que os parâmetros andam bem estranhos.

E vou te dizer uma coisa, número de seguidores não é parâmetro de
competência. De popularidade talvez, mas competência é uma medida
mais complexa. Por exemplo, se você vai fazer uma cirurgia que a sua vida
está em risco, vai escolher o cirurgião pelo número de seguidores ou vai
atrás de saber o histórico dele? Pois bem.

Outra coisa que passei a prestar mais atenção, depois de ler sobre, foi
quanto ao impacto emocional no outro, do que uma pessoa posta.

O efeito Pugliesi é óbvio. Se sou crítico com o meu corpo (sendo ele dentro
dos padrões ditados pela sociedade ou não) e sigo pessoas que vivem de
levantar ferro e tomar shake, vou me achar sempre, no mínimo,
inadequada. É meio óbvio. Só que não. Já parou para observar quem você
segue?

Agora, não precisamos ir muito longe. Uma simples postagem de algo
aparentemente inofensivo, como por exemplo um passeio do seu ex, já
pode ser suficiente para desencadear uma enxurrada de pensamentos e
emoções negativas.

É que coisas aparentemente banais podem te levar a fazer algum link
mental com algo que te mexe. Obviamente isso acontece também na vida
real. Não estamos escapes de encontrar o ex na padaria. Mas a
probabilidade é muito menor. E a rede social é uma lente de aumento que
dispara um novo gatilho mental a cada segundo.

Diante disso, fiquei chateada de pensar que talvez algo que eu poste com
boa intenção, possa ter um efeito negativo, dependendo da percepção do
outro.

Passei a pensar com mais empatia antes de postar e achei isso bom. Ao
mesmo tempo, conclui que é impossível controlar a percepção alheia.

Resolvi me guiar pelo caminho do meio. E passei a observar o impacto que
algumas publicações alheias me causavam. Comecei a bloquear o que não
me trazia emoções positivas. Depois disso me senti de fato melhor, foi
libertador.

E digo isso por que o mundo virtual é quase um universo à parte.

Tem pessoas que você gosta na vida pessoal, mas que nas redes sociais
têm um comportamento estranho ou que por algum motivo pessoal, te
afeta. E tudo bem. É como se ali, as pessoas perdessem o pudor.

Certa vez, li um artigo que dizia exatamente o seguinte: antes de postar,
pense se você falaria isso em voz alta em frente a uma platéia. Captou?
Pois bem, as redes trouxeram uma preocupação com a autoimagem e o
julgamento, nunca antes vivida.

Adolescentes chegam no consultório do cirurgião plástico querendo um
rosto igual ao do filtro do instagram. Pode gente? Onde vamos parar?

É fato que com centenas de plins e imagens novas por segundo, se não
tivermos cuidado, nossa vida vira um verdadeiro inferno.

O plim dispara constantemente nosso senso de urgência e nos fazer pensar e
fazer milhares de conexões cerebrais a cada instante. Um dispêndio enorme de
energia. É preciso aprender a canalizar.

Experimente fazer um ou alguns dias de detox virtual. Veja o que
acontece.

Tem pessoas que deletam a rede. É uma opção também. Particularmente
vejo a rede como uma boa ferramenta de comunicação e de trabalho, se
você souber utilizar. Principalmente se souber a dominar e não ser
dominado por ela.

O importante é que você preste atenção para que a rede não se funda com
a sua vida real (enquanto isso ainda é possível).

Que não te tire a riqueza de conseguir viver no momento presente, de
curtir a sua casa, o verde da natureza, o raio de sol.

Que não te impeça de ver seu filho ou amigo sorrir e nem de conversar
com quem vive do teu lado.

E que não te faça perder a capacidade de se divertir com as pequenas
coisas da vida mundana, que são bem singelas, talvez nem tenha graça no
mundo virtual. Só você sabe o valor delas.

Então para nos ajudar nessa missão quase impossível, eis algumas
recomendações importantes que tirei do site vittude.com e adicionei algumas
percepções:

● Quando estiver em um compromisso pessoal ou profissional deixe o celular
guardado;
● Estabeleça horários para acessar as redes sociais durante o dia;
● Desative todas as notificações do seu celular;
● Mantenha o smartphone longe de você na hora de dormir e nas horas vagas;
● Não comece o dia checando as redes sociais. Faça isso depois do café;
● Busque sempre momentos de lazer e diversão na vida real;
● Pratique a técnica do mindfulness (atenção plena) para aprender a lidar
melhor com seus pensamentos e emoções;
● Faça terapia em busca de autoconhecimento;
● Tire um dia de folga da internet e veja como você se sente
● Se necessário, deixe de seguir pessoas cujo conteúdo possa te despertar
emoções negativas (o/a ex, por exemplo)
● Se perceber que anda usando muito as redes sociais, selecione as fontes de
conteúdo que você prefere e acesse com mais frequência através de blogs,
canais do youtube, artigos, livros físicos, ebooks, sites que você gosta.
● Coloque metas de tempo de uso para as redes sociais (algumas permitem
que você coloque um aviso quando você passar do limite). Veja o tempo que
você gasta normalmente e vá colocando meta para reduzir.
Bem vindos ao mundo real. Que possamos encontrar um pouco mais de paz nas
horas produtivas e principalmente nas horas vagas, usando a tecnologia de forma
mais consciente.

A vida é simples. A gente que complica.

#ficaadica.

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