Prof. Dra. Luciana Flor Correa Felipe

Por mais que estejamos tentando contornar a situação atualmente vivida com ações alternativas como aulas mediadas por tecnologia, trabalho em home office, delivery, circulação (restrita) com uso de máscaras, não há como negar que se trata de um momento atípico.

Ainda que alguns cientistas e estudiosos tenham e venham, prevendo quadros circunstanciais dramáticos (e reais), oriundos da degradação do meio ambiente, da escassez de água, da introdução de tecnologias no mercado de trabalho e nas profissões, do agravamento de “velhas” doenças e até do surgimento de novas… certamente, ninguém previu o que estamos vivendo, pelo menos não da forma como estamos vivendo. Você consegue identificar alguém (pelo menos aqui no Brasil) que na virada de 2019 para 2020, tenha pedido em suas orações, simpatias, oferendas e afins, para não ser acometido pela COVID-19? Ou para que fosse mantida/restabelecida a normalidade? Eu não conheço ninguém!

Sim, vivemos um momento atípico. E, na minha opinião ele não pode ser tratado como normal. Temos que ter bom senso e paciência, mas sobretudo temos que modificar o nosso olhar sobre a realidade. E, a única forma de fazer isso é observar, proteger e valorizar as “pessoas”.

“Pessoas professores(as)”, que estão realizando um trabalho hercúleo na adaptação dos conteúdos escolares; “pessoas trabalhadores(as) em home office” que, para além desta atividade, tem louça para lavar, almoço para fazer, roupa para estender e o(s) filho(s) em tempo integral para dar ajuda e atenção; “pessoas profissionais que não podem ficar em casa” e que tem as mesmas tarefas de casa das “pessoas trabalhadores(as) em home office”. Isto sem falar nas “pessoas que não tem home e/ou nem office”; nas “pessoas que empregam outras pessoas”; nas “pessoas que cuidam de pessoas”; nas “pessoas que oram pelas pessoas”… A vida só existe e tem sentido, por conta das “pessoas”.

Portanto, precisamos ter tolerância, paciência, solidariedade e carinho uns com os outros. Ser inovadores nos negócios, mas também na forma de tratar “as pessoas”. Deixar as críticas e as cobranças para o que precisa ser criticado e cobrado: corrupção, desigualdade, violação de direitos, irresponsabilidade…Valorizar os esforços e iniciativas das “pessoas” que estão tentando contornar a situação e minimizar os efeitos e impactos da pandemia, ponderar sobre posicionamentos muito rigorosos. Não podemos usar, para uma situação atípica, os mesmos pesos e medidas de situações normais.

Após a pandemia o mundo não será mais o mesmo, mas ainda será feito, de e por “pessoas”. Espero que você e eu sejamos uma delas; tanto porque fizemos a nossa parte, respeitando as recomendações das autoridades de saúde, como também, por nossos esforços em manter a dignidade e o zelo para com as “pessoas”.

 

Você sabia?

Uma iniciativa dos cursos de Gastronomia e Nutrição da Unisul Campus Tubarão promete levar muita saúde e culinária para dentro da casa das pessoas. O projeto tem como objetivo ensinar receitas, dicas de hábitos alimentares e a como condicionar os alimentos em época de pandemia de Covid-19. De segunda a sexta, os cursos publicam os materiais diretamente no Instagram do projeto.

 

Fique atento!

Pesquisas com o objetivo de enfrentar a Covid-19, suas consequências e combater outras síndromes respiratórias agudas graves podem receber financiamento pela chamada pública do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realizada em conjunto com os ministérios de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Saúde. O valor destinado é de R$ 50 milhões e as propostas devem ser submetidas até 27 de abril. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), integra a chamada e oferece bolsas de estudos para os pesquisadores catarinenses selecionados no edital nacional.