Há algum tempo, eu e minha família viajamos em alguns fins de semana para uma praia
deliciosa e vibrante, há 2 horas de casa.

A jornada começa mais ou menos assim. Sexta-feira, cansados. Arruma a mala do filho,
pega a bicicleta, os brinquedos, a escova de dente, a pasta.. até chegar no meu armário,
Oh, Good! Que cansaço. Vai fazer frio ou calor? Vamos sair ou só ficar em casa? E depois
de tentar fazer uma mala ajeitada e sem excessos, é preciso lembrar de molhar as plantas,
recolher o lixo, pegar o lanche da viagem e outras coisas mais, para então seguir viagem.

Normalmente ao chegar na praia, um arrependimento, as ondas quebram lindamente e
nossas pranchas de surf ficaram em casa. Com tanta coisa para lembrar e entre a bicicleta
do filho e as coisas dos pais, adivinhe o que acontece?

Mas dia desses, meu marido me liga de uma fábrica de pranchas na praia.

Estou aqui naquela fábrica! Está fechada mas o fulano sogro do ciclano irá abrir para nós. O que achas?

Hã? Respondo sem entender muito o que estava acontecendo, mas resolvo ir lá e ver o que
há.

Aqui em casa temos dois departamentos bem claros. O social que meu marido gerencia
muito bem com sua extroversão, capacidade de influência e otimismo e o da decisão, que
represento usando a razão, o realismo e os dois pés no chão.

Juntos acho que formamos uma boa dupla, mas com certeza temos nossos momentos de
diferenças.

Vamos levar?! Diz ele. Leva! Diz o vendedor. Calma, eu digo. Veja bem.. pense nisso e
naquilo outro.. acho melhor não levar hoje, mas podemos deixar uma encomenda e quando
voltarmos estará pronta e adequada às nossas necessidades. O que acha?

Fechado! E saem os dois felizinhos como uma criança que coloca a cartinha ao papai noel
no correio.

Como são lindas as decisões conjuntas. Como é bom ter diferenças e complementaridades.

E ao mesmo tempo, como é difícil quando a situação é mais complexa, quando as opiniões
não batem. Quando as vontades chocam.

É fato que as diferenças também geram desacordos. Não é à toa que existam tantas brigas
entre famílias ou em relações de negócios ou sociedade.

Quando o assunto vai para o jogo de interesses com aspectos emocionais envolvidos, mais
difícil ainda. E o que se faz quando o jogo fica tenso? Quando ninguém mais se entende.

Bem, eu diria que a melhor forma de lidar com as diferenças primeiramente é aceitando que ela existe, afinal o seu modo de pensar pode ser estranho ao outro, é como se cada um de nós tivéssemos óculos com lentes de cores diferentes.

Ou seja, nossa percepção é baseada na nossa personalidade e em nossas vivências, então
vemos o mundo de acordo com nosso conjunto de crenças que podemos chamar de
modelo mental ou esquemas.

Quando você entende que a sua forma de ver as coisas difere, e respeita que o outro tenha
outra perspectiva, você deixa de exigir tanto e passa a respeitar as diferenças.

Não é fácil esse exercício. Somos muito fiéis ao que pensamos e acreditamos. Mas é um
bom caminho para o entendimento.

Agora veja bem, entender o outro não significa necessariamente aceitar. É perceber o outro
com suas limitações e necessidades, porque também temos as nossas e elas são bem
especiais e importantes para nós.

Quando fazemos isso, saímos do julgamento e abrimos um canal de comunicação,
com respeito mútuo, nem que seja por concordar em discordar, tentando a partir disso
achar um caminho.

Isso porque no fundo, todo mundo quer a mesma coisa, entende? Todo ser humano almeja
ser feliz, amado e aceito. E inventamos muitas coisas para nos sentirmos dessa forma,
quando a felicidade está ao lado.

E ao ficarmos apegados a interesses específicos ou inflexíveis ao outro, não avançamos no
diálogo. Ficamos com nossa convicção, mas perdemos nosso bem mais valioso, o
essencial, que é invisível aos olhos.

Dito isso, saiba que é preciso ter coragem para expressar as próprias opiniões,
pensamentos, sentimentos e necessidades, porque só assim conseguimos ajudar o outro a
enxergar através das nossas lentes. E também é preciso ter flexibilidade e empatia para
ouvir o outro e vice-versa. Não tem fórmula mágica.

Mas quando há vontade de ambas as partes em se entender, as diferenças geram forças
complementares, ou seja, unem, não separam.

Que possamos olhar menos para os pontos fracos e mais para as suas e nossas
qualidades. Afinal, somos imperfeitos na realidade e quem somos nós para apontar falhas
nos outros, se não olhamos sequer para as nossas.

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