Professora Dra. Luciana Flor Correa Felipe
luciana.flor@unisul.br
Dionatan da Silva Medeiros
Acadêmico do Curso de Ciência da Computação – UNISUL

A pandemia de COVID-19 entre outras alterações sociais, imputou a necessidade de realização do trabalho de forma remota, em home office. No entanto, como muitos trabalhadores não estavam habituados a tal situação, é difícil dimensionar o quanto estão atentos a segurança dos seus dados, ou até mesmo se imaginam que tal segurança é imprescindível.

Assim, por descuido ou desconhecimento, os dados pessoais que são salvos e transmitidos on-line devido ao aumento do uso de redes virtuais, em grande parte estão em vulnerabilidade, considerando-se o ritmo acelerado da cibercultura mundial dos últimos anos e, principalmente a atual necessidade de distanciamento social devido à COVID-19.

Neste sentido, todo e qualquer dado pessoal/profissional exposto, pode causar vítimas em diversas situações de ataques cibernéticos; o que não quer necessariamente dizer que tenha alguém tentando roubar dados específicos, mas que os dados de todas as pessoas que não os protegem estão vulneráveis.

Por isso, ao longo dos anos, a segurança da informação foi ganhando cada vez mais espaço e importância, uma vez que devido à expansão das inovações tecnológicas, tornou-se fundamental a prática de preservação da integridade das informações que circundam o meio digital. Ademais, ela pode ser vista como um conjunto de práticas que objetivam evitar que informações sejam acessadas ou alteradas por pessoas não autorizadas, bem como evitar que exista negação de serviço para as pessoas cujo acesso está autorizado (BROSTOFF, 2004 apud SOUZA, 2019).

Desse modo, as políticas de segurança da informação e, mais recentemente, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), trazem em si regras sobre requisitos fundamentais, tais como a confidencialidade, integridade e disponibilidade, que garantem a preservação dos dados através de resguardo, fidelidade de informações e do regramento sobre a forma de acessibilidade destes.

No entanto, além dessas políticas, existem algumas regras simples que todos podem usar. Por exemplo, diversas pessoas utilizam o e-mail pessoal em integração com o do seu trabalho, pois isso facilita no dia a dia, porém caso tenha o e-mail hackeado terá todas as suas informações expostas; além do fato de, a partir desse e-mail ser possível modificar todas as senhas de suas redes sociais. Uma mostra disso, são os casos de extração de dados e arquivos íntimos de pessoas famosas: documentos, fotos, conversas privadas, de forma ilegal.

O pré-teste de pesquisa, realizada pelo acadêmico Dionatan da Silva Medeiros, na Unidade de Aprendizagem de Sociedade, Cultura e Tecnologia, do Curso de Ciência da Computação da Unisul, que abordou 19 trabalhadores de 18 a 60 anos; também aponta dados nesta direção. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o Formulário Google®, que foi enviado pelo aplicativo WhatsApp, entre os dias 26 de abril e 04 de maio de 2020. Os participantes da pesquisa responderam de forma voluntária e sem qualquer tipo de identificação, tornando a participação anônima.

Os dados revelaram, por exemplo, que 73,7% dos entrevistados não fazem autenticação do e-mail com dois fatores e apenas 26,3% autenticam com maior segurança. Sabe-se que, com a perda do e-mail, diversas informações estarão expostas, e com isso, há a possibilidade de mais danos a outros acessos, em outras plataformas que exigem o cadastro através do endereço eletrônico.

Outro dado interessante, é que com o isolamento social, a comunicação passou a ser intensificada em seu formato on-line, assim, a necessidade de plataformas que permitem facilitam essa interação mostrou-se atrativa, sendo que, 100% dos questionados responderam que utilizaram essas ferramentas. Entretanto, o acesso a ferramentas de vídeo/voz em sua maior parte pode ser realizado de duas formas – por meio de cadastro do usuário ou apenas como visitante na modalidade anônimo – 78.9% responderam o uso de usuário cadastrado nas plataformas, sendo que a segunda opção seria mais segura.
O backup dos dados é outro meio do usuário manter seus dados mais seguros, mas apenas 42.1% revelaram ter hábito de efetuar este salvamento, embora todos os pesquisados tenham respondido que se preocupam com a segurança de seus dados.

Considerando-se os riscos de contágio, a inexistência de vacinas para COVID-19 e a grande adesão ao home office, por parte das organizações, tudo indica que esse modelo laboral poderá ser adotado de forma permanente, o que proporcionalmente, aumenta ainda mais a necessidade e os cuidados com segurança de dados – tanto da parte de trabalhadores e colaboradores, quanto de empresas e organizações que disponibilizam canais de acesso por redes externas com acesso remoto – mas também pela sociedade civil. Diante disso, é salutar que todos os cidadãos tenham os conhecimentos mínimos sobre o assunto, bem como é visível, que mais trabalhos e pesquisas acadêmicas sobre o tema sejam realizadas, pois o aprofundamento científico poderá render informações úteis sobre como lidar com essas novas questões em tempos de enorme virtualização e velocidade nas transformações.

Você sabia?
O Programa de Monitorias é uma oportunidade de aperfeiçoamento para estudantes da graduação, que podem aprofundar seus conhecimentos atuando sob supervisão do professor orientador; na organização das atividades docentes e na interação com demais estudantes. As inscrições podem ser feiras até o dia 28 de setembro. Mais informações: http://www.unisul.br/programa-de-monitorias/

Fique atento!
O curso de Ciência da Computação da Unisul desenvolve pesquisas em diversas áreas de conhecimento, envolvendo tecnologias das mais diversas: Inteligência Artificial, Processamento de Imagens, Desenvolvimento de Jogos entre tantas outras. Mais informações: http://www.unisul.br/presencial/graduacao/ciencia-da-computacao-tubarao/

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