Prof. Dr. Marcos Marcelino Mazzucco,
Coordenador dos cursos de Engenharia Química, Química bacharelado, Química licenciatura, Engenharia de Controle e Automação e Engenharia do Petróleo na UNISUL

 

Peço licença de minha temática recorrente sobre engenharia e empreendedorismo para falar um pouco do Natal e da festa que ele faz em nós, porque se há uma coisa que as famílias brasileiras prezam é uma boa festa de Natal e neste ano temos o complicador da COVID-19. O Natal é o dia, possivelmente, da maior reunião de família do ano.

Para muitos grupos familiares, o local costumeiramente escolhido é próximo das pessoas mais experientes (mais velhas) do grupo; é uma espécie de retorno ao ninho. Um ano inteiro de histórias para contar aos que vem de longe e um monte de boas estórias para arrancar as gargalhadas dos mais expansivos, dos mais efusivos ou daqueles embriagados com as alegrias da data.

Não há diferenças religiosas, ou mesmo a ausência de crenças, que impeçam aquele abraço e os desejos de felicidades. É um momento em que as lembranças, escondidas ou esquecidas, da infância fazem o coração alegrar-se ou ainda deixam aquele aperto saudoso no peito que chega a doer. No momento que vivemos, muitas recordações e saudades sujem.

Em 2017 eu fui incumbido pela grande família Mazzucco para escrever o texto e fazer a dedicatória na noite de Natal. Nos reunimos numa casa de madeira que foi construída há mais de 100 anos pelo meu bisavô e ainda está na forma original. Dada a extensão do texto original (6 páginas), com lembranças de episódios da vida da minha família, reproduzo apenas uma parte daquela redação e adianto meu pedido de desculpas, a você leitor, pela extensão que ainda remanesce e pela ingenuidade das palavras, mas acredito que muitas pessoas se encontrarão nelas.

Naquele Natal, o texto foi embalado pela música “In My Life”, composição de John Lennon e Paul McCartney, na versão em língua portuguesa de Rita Lee. Vamos lá!
[…]

 

Carta ao Menino Jesus

Tem lugares que me lembram minha vida, por onde andei…
As histórias, os caminhos…

Eu era pequeno e me lembro que o Menino Jesus nascia todo ano. Lembro que repetiam a história dele como se nunca a tivéssemos ouvido. Para a chegada dele montávamos uma árvore toda decorada na posição de maior destaque da casa, a sala. A sala era o local reservado para visitas. Não era usada durante a maior parte do ano e era mantida limpa e lustrosa para a possível chegada de alguém, parente ou não, que nos visitasse com pouca frequência. Como não há visita mais ilustre que o Menino Jesus, então era necessário reservar o melhor lugar para Ele. Nas salas compartilhávamos a ansiedade pela chegada Dele. Sentei muitas vezes olhando a árvore de natal, o brilho das bolas e espirais, espelhadas pela fraca e amarela luz da lâmpada incandescente, imaginando o que Ele traria para mim. Nas salas compartilhávamos nossa vontade de que todas as coisas que Ele ensinou, acontecessem. E, para isso, fazíamos nossa família ficar maior por alguns dias, o nome disso é Novena de Natal. […] As novenas aconteciam nas casas dos vizinhos, nossos amigos e alguns moravam bem longe para as medidas de hoje, mas queríamos estar com eles! […] Nas novenas, sentávamos no chão da sala, no degrau da porta e na rua mesmo. Rezávamos, cantávamos “Noite feliz” e “Bate o sino” e depois conversávamos e ríamos um pouco, como se nunca encontrássemos aquelas pessoas. E repetíamos aquilo tudo 9 dias.[…] Cada dia era um aperto maior no coração, na espera do Natal, o dia da Vinda do Menino Jesus. Até chegar o dia 24/12, este era o dia mais longo do ano. Levantávamos bem cedo para adiantar os trabalhos e sobrar um tempo à tarde, para os últimos preparativos do grande dia. […]

Enfim o Natal chegou! Acordar mais cedo do que nos dias de trabalho não era um problema! Levantar apressado, correr para a árvore e abrir os pacotes. […] E o que havia!? Um pequeno brinquedo, alguns doces e ROUPAS. Sim, o Natal era o dia de usar roupa nova. Calça, calção, camisa, chinelo, sapato. Usar calça comprida e camisa de manga longa para ir à missa naquele dia, um dia de verão, era aceitável para estrear uma “roupa nova”[…]. E a igreja ficava cheia de pessoas assim, adultos e crianças. Os brinquedos eram bastante singelos e eram os únicos ganhos no ano. Os doces eram deliciosíssimos, comíamos tão devagar que duravam mais de um mês. O cheiro do chocolate era melhor até que o sabor. As balas de açúcar eram estrategicamente acomodadas no céu da boca para aproveitarmos o sabor por mais tempo.

O almoço de natal era sem dúvida o melhor do ano, “Churrasco”. Na estufa do nono era montada uma churrasqueira de tijolos e a mesa de amarrar fumo se transformava em mesa de almoço, numa autêntica transmutação de suor e trabalho em confraternização e comida boa. […] Era um dia tão longo e festejado, como merecia o Menino Jesus. E ainda haviam as visitas nas casas dos tios para ganhar um doce ou um presente. Este dia realmente valia o ano inteiro de espera. Era um dos poucos dias em que cantávamos juntos, que saudades da nona, ela adorava cantar. O nono era nosso contador de histórias, sempre tinha uma nova. […] E os anos passaram, melhor dizendo, VOARAM, sai a infância e entra a longa adolescência. As lembranças ficam e as coisas acontecem.

 

O destino que eu mudei…
Cenas do meu filme em branco e preto que o vento levou e o tempo traz

O ventania da vida levou muitas pessoas queridas que estão na lembrança de cada um agora. As crianças que corriam suadas ficaram adultas e não correm mais do mesmo jeito. Mas, a ventania, que assusta nas noites escuras, se espalha e se transforma na brisa refrescante que torna os verões difíceis, superáveis. […] Ela trouxe nossos amores e nossos filhos. […] Estes filhos são nossas “novas vidas”, a nova geração de corredores. E para eles estamos dando tudo o que não tivemos, mas nunca poderemos dar-lhes nossas aventuras. Que eles sejam inteligentes o suficiente para viver suas aventuras de forma sadia para poder contá-las sem arrependimento.

Entre todos os amores e amigos, de você me lembro mais…
Tem pessoas que a gente não esquece, nem se esquecer…

[…] Desejos são pretensões que gostamos de acreditar que possam ser verdade ou se tornar realidade. Então, nos imaginemos agora, todos juntos, com 15 anos: faces jovens, com todo o vigor físico e as possibilidades financeiras que temos hoje. Será que seríamos parecidos? Roupas parecidas, mesmos cortes de cabelo […], como seríamos hoje com esta idade? Uma coisa é certa, todos gostariam de ser fortes como o tio Bepi (o tio Bepi, José Mazzucco, faleceu no dia 09/12/2020, aos 97 anos, por insuficiência renal, era o último membro vivo da força expedicionária brasileira da segunda guerra mundial e foi uma inspiração do que é viver com alegria). Somos o resultado das dificuldades, dos esforços e das oportunidades e nossos laços se fizeram a partir disto. Se tivéssemos 15 anos eu iria querer estar com vocês, para ter muitas histórias para rir e contar quando ficasse adulto.

Personagens do meu livro de memórias, que um dia rasguei do meu cartaz
Entre todas as novelas e romances, de você me lembro mais
Desenhos que a vida vai fazendo, desbotam alguns, uns ficam iguais
[…]

Muito em nós mudou, mas o Natal continua acontecendo. Quantas lembranças e saudades:
-Feche os olhos e aperte-os bem forte e verás as estrelas do céu de tua infância.
-Feche os olhos, respire fundo e gire bem rápido e ouvirás teu pai e tua mãe te chamando pelo nome.
-Recoste tua cabeça no travesseiro, recolha a lágrima, e ouça teus pais rezando contigo:
“Menino Jesus, vem para mim,
faça uma boa criança de mim,
meu coração é tão pequenino,
cabe somente Jesus Menino”
[…]

Menino Jesus, hoje o dia passa muito mais rápido do que quando Eu era criança e já encontro mais preocupações do que as lindas ansiedades natalinas. Hoje sei porque a história do Teu nascimento é recontada: para que renasçam seus ensinamentos e que possamos acreditar que cada Novo Natal é uma oportunidade de lembrarmos quão bom é estarmos juntos e que cada um que a Ventania levou, foi uma oportunidade concedida para vivermos JUNTOS a vida que nos foi dada.

Menino Jesus, nos ajude a sermos mais justos e reconhecer tantas coisas boas que temos. Nos ajude a trazer as melhores lembranças dos natais de nossas infâncias, que possamos ser um pouco crianças novamente e amanse as saudades das pessoas que não podemos mais abraçar[…]. Nos ajude a sermos tolerantes e nos permita continuar juntos mais um pouquinho, para que não sobre em nós um pouco de carinho que não possa ser depositado no olhar triste ou no sorriso do outro. Que, a cada dia que acontecer com cada um de nós o milagre de acordar e tivermos ao lado nossas esposas ou maridos amados, que a cada bronca que nossos pais nos derem ou que tivermos que dar a nossos filhos, que cada sorriso com os quais nossas tias e tios nos presentearem e que cada abraço que nossos primos e amigos nos emprestarem, sejam o motivo maior para acreditarmos que muitos Natais estão acontecendo sem percebermos.
[…]

Desenhos que a vida vai fazendo, desbotam alguns, uns ficam iguais…
Entre corações que tenho tatuados, de você me lembro mais…
De você, não esqueço jamais!
[…]FELIZ ANIVERSÁRIO MENINO JESUS!

Que, nenhum momento difícil ou pandemia seja, maior que o Natal que está dentro de nós. Feliz Natal querido leitor!

 

Você sabia?
Neste ano acontece, no período do Natal, acontece o alinhamento de Júpiter e Saturno. Desde 1623 não temos esta visão, pois esta ocorrência que se dá a cada 397 anos. O conhecimento astronômico permite determinar com grande precisão órbitas e comportamentos dos astros, de maneira que, se não reservares um momento destes dias, para contemplar a imensidão do céu e presenciar este fenômeno, não será nesta vida que o farás novamente. Na previsão deste evento, estão conhecimentos da física e aplicações da matemática tão fantásticos que devem encher de orgulho a humanidade por tanta inspiração.

 

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