Professora Dra. Josiane Somariva Prophiro
Pesquisadora e docente do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde e Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Sul de Santa Catarina.

 

Em um futuro próximo, a sobreposição de epidemias de dengue e COVID-19 será uma ameaça concreta nas regiões tropicais e poderá ser um grande desafio para os sistemas de saúde. A carência de profissionais, especialmente capacitados para emergências, em muitos locais do Brasil, pode levar os gestores a deslocar equipes de outras áreas para atuação frente à pandemia.

Com isso, áreas importantes de atenção à saúde podem ficar desassistidas. Dessa forma, espera-se que possa existir uma subnotificação de outras doenças de relevância nacional, como a dengue, zika, Chikungunya e febre amarela. Além da subnotificação destas importantes arboviroses, destaca-se a falha e/ou a descontinuidade do plano de controle vetorial que levará a um aumento no número de casos nos próximos meses.

Simultaneamente ao coronavírus, o país enfrenta o surto de dengue, uma conhecida doença tropical. Segundo o Ministério da Saúde, o número de casos prováveis de dengue aumentou quase 264,1% no país, passando de 62,9 mil nas primeiras 11 semanas de 2018 para 229.064 no mesmo período deste ano (até março). Até julho de 2020, foram notificados 905.912 casos prováveis (taxa de incidência de 431,1 casos por 100 mil habitantes) de dengue no país.

Regiões com baixo registro de surtos de dengue até então, como o sul do país, vêm enfrentando um crescimento alarmante. O número de casos de dengue costuma aumentar devido ao período de chuvas e altas temperaturas. A coincidência temporal entre arboviroses, como a dengue, implica que os dois surtos (dengue e COVID-19) podem ocorrer ao mesmo tempo. Isso deverá causar grandes danos à população e, portanto, requererá atenção intensiva tanto do sistema privado de saúde quanto da rede pública de saúde Sistema (SUS).

Ainda, dengue e COVID-19 são difíceis de distinguir porque compartilham sintomas clínicos e laboratoriais. Alguns autores já descreveram casos que foram erroneamente diagnosticados como dengue, mas posteriormente confirmados como COVID-19. Além disso, coinfecções com arbovírus e SARS-CoV-2 não foram bem estudadas.

Em meio a esse complexo cenário epidemiológico potencial, o frágil sistema de saúde brasileiro enfrentaria o risco de colapso. O que podemos fazer agora? A população deve estar ciente da dengue e da COVID-19 e deve estar informada sobre medidas de prevenção. Em relação ao controle de vetores, deve ser incentivado que a população procure e descarte corretamente potenciais criadouros de vetores e se protejam de picadas de mosquitos.

 

Você sabia?

Que o controle de mosquitos pode ser realizado com a eliminação ou redução de áreas onde os vetores se desenvolvem como a remoção da água parada, a destruição de pneus velhos e latas que servem como criadouros de mosquito. Ou podem ser utilizados métodos que limitam o contato homem-vetor como mosquiteiros, telas nas janelas das casas, roupas de proteção e repelentes contra mosquitos.

 

Fique atento!

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