Virus cell on scientific background

Fabiana Schuelter Trevisol/ Coordenadora Adjunta PPGCS, professora e pesquisadora da UNISUL/Coordenadora do Centro de Pesquisas Clínicas HNSC/UNISUL

No início dos anos de 1980, no Estados Unidos, começaram a aparecer casos de homens jovens, previamente saudáveis e com boas condições sociais, em hospitais de São Francisco e Nova Iorque que apresentavam sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune.

Ao se tentar evidenciar os que esses casos tinham em comum, percebeu-se que eram homens que faziam sexo com homens ou usuários de drogas ilícitas injetáveis. Todos estes fatos convergiram para a inferência de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível.

Em 1983 o agente etiológico foi identificado: tratava-se de um retrovírus humano, atualmente denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV). Logo, um comitê internacional batizou a doença como síndrome da imunodeficiência adquirada (aids). Devido às características dos doentes, houve um grande preconceito em relação a doença, denominada popularmente de “peste gay”.

O HIV é um vírus proveniente do macaco verde africano ou chipanzés, devido a sua proximidade genética com o vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta esses animais. É provável que a transmissão para o ser humano tenha acontecido em tribos da África Central que caçavam ou domesticavam chimpanzés e macacos-verdes, sendo esta a “teoria do caçador”, a mais aceita para explicar a origem do vírus, graças aos estudos genéticos realizados.

Não há consenso sobre a data das primeiras transmissões. O mais provável, porém, é que tenham acontecido por volta de 1930. Nas décadas seguintes, a doença teria permanecido restrita a pequenos grupos e tribos da África Central, na região ao sul do deserto do Saara. Nas décadas de 1960 e 1970, durante as guerras de independência, a entrada de mercenários no continente começou a espalhar a aids pelo mundo. Haitianos levados para trabalhar no antigo Congo Belga (hoje República Democrática do Congo) também ajudaram a levar a doença para outros países.

O primeiro caso comprovado de morte provocada pela aids é de um homem que morava em Kinshasa, no antigo Congo Belga (hoje Congo) em 1959. Isso, porém, só foi descoberto décadas depois, com um teste feito em seu sangue, que foi armazenado congelado.

Contudo, o mundo só teve conhecimento da aids a partir da década de 1980, e com a melhora dos testes diagnósticos, foi possível esclarecer a epidemiologia da doença e suas formas de transmissão – por via sexual, sanguínea, acidental e de mãe para filho (vertical). Em 1996, com o surgimento da terapia antirretroviral potente, houve uma mudança considerável nas taxas de morbidade e mortalidade decorrentes da infecção pelo HIV. Hoje as pessoas tratadas interrompem a cadeia de transmissão, com uma boa qualidade de vida e expectativa de vida similar a pessoas não infectadas, desde que tenham o diagnóstico precoce e adesão ao tratamento farmacológico.

Embora com muitos avanços e contínuas pesquisas nos últimos 40 anos, a aids ainda não tem cura definitiva, tampouco vacina, pois o HIV é um vírus que sofre inúmeras mutações. Portanto, embora muito se sabia hoje sobre a infecção pelo HIV e suas manifestações, ela continua sendo uma pandemia mundial, grave e, por vezes, fatal.

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para HIV/aids (UNAIDS), em 2019, 38 milhões de pessoas viviam com HIV/aids, sendo 1.7 milhão de novos casos e 690 mil mortes decorrentes da doença somente naquele ano. No Brasil, de 1980 a junho de 2019, foram identificados 966.058 casos de aids. O país tem registrado, anualmente, uma média de 39 mil novos casos de aids nos últimos cinco anos. O predomínio é entre adultos jovens de 20-39 anos, homens e que adquiriam o vírus por transmissão sexual.

Assim, a prevenção continua ser a melhor alternativa. A utilização de medidas preventivas comportamentais como o uso de preservativo em todas as relações sexuais, uso de equipamentos de proteção individual na manipulação de materiais biológicos, não compartilhamento de seringas e agulhas e testagem anti-HIV são formas de se evitar a propagação viral. Também existem as intervenções biomédicas como o uso de antirretrovirais. Atualmente há duas modalidades: 1) a profilaxia pré-exposição (PreP) e a profilaxia pós-exposição (PEP). No caso da primeira ela é indicada a alguns grupos mais vulneráveis à infecção como homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo.

Consiste em tomar um comprimido ao dia para impedir a infecção viral. No caso da PEP, trata-se do uso de antirretrovirais por 28 dias após uma possível exposição ao vírus, como em um acidente com perfurocortantes, violência sexual ou relação sexual desprotegida.

A meta atual global para a pandemia do HIV/aids é atingir três zeros: zero novas infecções pelo HIV, zero mortes relacionadas à aids e zero discriminação. Dia 1 de dezembro é o dia mundial de combate à aids. Faça sua parte!

 

Você sabia?

Que o Brasil é modelo de referência internacional no combate a aids, garantindo o acesso e assistência a todas as pessoas para prevenção, diagnóstico e tratamento. Maiores informações www.aids.gov.br

 

Fique atento!

O Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UNISUL tem a linha de pesquisa de Investigação de Agravos de Origem Infecciosa com forte produção científica em HIV/aids. Inscrições abertas (fluxo contínuo) www.unisul.br/ppgcs

 

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