Prof. Dr. Marcos Marcelino Mazzucco, Coordenador dos cursos de Engenharia Química, Química bacharelado, Química licenciatura, Engenharia de Controle e Automação e Engenharia do Petróleo na UNISUL)

Nunca foi tão oportuna a frase “que a força esteja com você”. As dificuldades econômicas impactam o Brasil por anos sucessivos e, a cada ano, transfere-se para o subsequente a possibilidade de retomada do crescimento. No cenário em evolução, o ano 2021 pode, até, configurar-se como de estabilidade (estável na condição atual), mas de difícil crescimento.

Todos os países foram impactados pela pandemia da COVID-19, mas o Brasil está entre os países em que o dólar americano sofreu maior valorização. Por que isso? Para além da especulação financeira, nosso grau de industrialização é um dos maiores pesos nesta balança. Somos vulneráveis: dependemos de tecnologias, produtos e matérias-primas que fazem o esforço de nosso trabalho migrar para outros países para pagarem nossas compras. Chegamos num ponto em que, até a joia do “impávido colosso”, a agricultura em grande escala, está nos deixando. A grandes produções agrícola e pecuária brasileira fluem na direção do melhor pagamento e faltam, soja, carne, álcool e arroz, aumentando o custo de vida dos brasileiros. Em reação, reduzem-se alíquotas de importação para que seja mais atrativo comprar produtos agropecuários estrangeiros. Ainda assim, lidamos com o crescimento visível dos preços dos alimentos desde o mês de março de 2020.

Enquanto isso, os setores da indústria e do comércio encolhem, também, por culpa da redução da circulação promovida por conta do SARS-CoV-2. Parece que o setor dos serviços foi menos impactado e nas áreas das tecnologias da informação houve um importante crescimento. O resultado geral não é dos mais amenos e a indústria pede uma atenção especial: é preciso que haja algum crescimento para que a depreciação não sufoque o setor. Oportunizar o crescimento industrial não é, necessariamente, facilitar que indústrias se instalem no país, mas também que novas empresas nasçam para que possam florescer e, grandes ou pequenas, oportunizem trabalho e satisfaçam as necessidades da população. Certas atividades exigem grandes empresas, não podemos imaginar uma refinaria de petróleo que seja instalada em um ano, mas é interessante observar que muitas empresas estimulam seus funcionários a empreenderem, para que forneçam insumos para elas ou para utilizarem seus produtos em outros processos e que, em curto espaço de tempo, se constituam em novas empresas. Nesta percepção, a pergunta que formulo é: Como empresas e grandes produtores do agronegócio (agricultura industrial) podem envolver-se no ciclo de desenvolvimento industrial e preencher este espaço, tão necessário ao país? É sabido que os governos federal, estadual e até, municipal, tem reservado recursos para o financiamento de projetos de pesquisa. Mas também é visível a lentidão da evolução que isto tem proporcionado. E ainda, há a face de que muitos projetos de pesquisa, financiados com recursos públicos, não resultam em produtos ou processos ou na melhoria destes. Isto não é uma crítica ao modelo de pesquisa, pois a contribuição para o crescimento da ciência, está assim justificada.

Mas é uma observação de que há mais vias para serem exploradas. O desenvolvimento de produtos e processos, com ligação direta com as necessidades do agronegócio e de indústrias encurta o período para a consolidação de uma solução e também para a geração de novos negócios. Não seria uma boa estratégia se os governos estimulassem, com redução de taxas, aquelas empresas, de todos os tamanhos, que promovessem a criação de novos negócios? Felizmente, existem empresas que investem em novos negócios, não como contrapartida social, mas como estratégia de mercado, como uma forma de tornarem-se parte de um esquema de produção mais harmonioso e sustentável, alinhando princípios, necessidades e oportunidades. Na célebre música Tom Sawyer da banda canadense Rush, um verso, traduzido, diz: “O que você diz sobre a empresa dele é o que você diz sobre a sociedade”. Esta é a ideia de uma empresa que apresenta possibilidades de trabalho para outras, pois, para que a sociedade se sustente, demanda-se muito trabalho. E, parte deste trabalho passa ou passará a ser visto como o “trabalho 4.0”, requisito para a nova revolução industrial. A nova face deste trabalho, assunto que já discuti, em parte, num artigo anterior e discutirei com mais detalhes futuramente se mostrará interessante e um tanto “perversa”. Assunto para outra oportunidade, mas agora, mesmo sem o aprofundamento do tema, é palpável que o nascimento de novas empresas, no círculo das necessidades das existentes, é uma opção que poderá fazer o ano 2021 mais animador. E o que podemos ensejar da agricultura industrial e das indústrias em geral no próximo ano? Estejam conosco e que a força esteja com vocês!

 

Você sabia?

Segundo https://www.cnabrasil.org.br/cna/panorama-do-agro, “o Brasil é hoje o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja, soja em grãos e carnes bovina e de frango; o terceiro maior de milho, e o quarto de carne suína. É também o maior produtor mundial de café e suco de laranja; o segundo na produção de açúcar, soja em grãos e de carnes bovina e de frango; e o terceiro na produção mundial de milho… Atualmente, o Brasil é o quarto maior exportador mundial de produtos agropecuários, aproximadamente USD 96,9 bilhões, atrás apenas da União Europeia, EUA e China… Além disso, no primeiro quadrimestre de 2020 -comparativamente ao mesmo período do ano anterior-, o volume das exportações do agronegócio cresceu 11% e suas receitas em dólar 5,9%. Só para a China, o crescimento foi de 28% em volume, e 26% em receita”.

 

Fique atento!

A Unisul lançou um curso gratuito de Gestão do Tempo, para auxiliar estudantes universitários a melhor gerenciarem seus afazeres. As inscrições vão até o dia 26/10/2020 e o curso é todo digital. Dividido em cinco unidades, o curso é organizado em formato auto instrucional de modo a apresentar informações e atividades práticas sobre os aspectos relacionados ao gerenciamento de tempo. O sistema de avaliação prevê a realização de atividades de auto avaliação ao longo dos tópicos de estudo, com feedback automa-tizado. O período de realização do curso é de 4/11 a 16/12/2020 e o estudante que completar o curso re-cebe certificado. Mais informações: http://www.unisul.br/ead/extensao/gestao-do-tempo/

 

Fique muito atento!

De acordo com a CNI (https://noticias.portaldaindustria.com.br/posicionamentos/queda-do-pib-anuncia-encolhimento-recorde-da-economia-brasileira/), “…A Sondagem Industrial da CNI de abril mostrou que os impactos da pandemia da covid-19 sobre a atividade industrial e o emprego se disseminaram ainda mais entre as empresas, depois de uma queda sem precedentes em março. A pesquisa registra que metade da indústria ficou ociosa no mês de abril…”. Por isso, várias associações industriais têm promovido seminários e discutido dificuldades, necessidades e oportunidades. Em Santa Catarina a FIESC possui o Programa Travessia, com 4 objetivos estratégicos pretensos a balizar projetos na indústria tendo a ciência “ dos desafios e ameaças, mas também oportunidades e possibilidades associadas à pandemia do Coronavírus… a construção de um movimento para articular o setor empresarial, visando atravessar esse período difícil e, ao mesmo tempo, construir uma visão de futuro inspiradora, diferente e adequada à nova realidade gerada pela crise.” Em https://fiesc.com.br/travessia é possível conhecer e motivar-se com a visão da indústria catarinense.