Rafael Mariano de Bitencourt,
Neurocientista, Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde – PPGCS – Unisul

 

Meditação é o nome dado a uma prática milenar a qual vem ganhando cada vez mais popularidade nos últimos anos. Em tempos de pandemia e estresse intenso, deixa de ser apenas uma palavra popular e passa a ser uma alternativa terapêutica para lidar com todos os desafios, medos e aflições aos quais temos sido diariamente submetidos.

A prática é bastante antiga, remonta aos primórdios das tradições orientais, há mais de 2.500 anos, quando já era utilizada em movimentos espirituais que viam a meditação como uma forma de se chegar a um estado de libertação. Mas, afinal, o que é meditar?

Antes de responder esta pergunta, imagine se você pudesse desligar todos os pensamentos que povoam sua mente neste momento. Imagine que você conseguisse permanecer num estado de completo “silêncio mental”, sem preocupações, prazos, nem nada que lhe remeta a qualquer lugar que não seja o momento presente.

Imaginou? Pois então, meditar é exercitar essa possibilidade. É focar sua atenção, mesmo que por uma pequena fração de segundo, naquele lugar da sua mente onde não há absolutamente nada (ou talvez tudo); um local de silêncio e paz. Com o tempo, essa breve fração de segundo vai aumentando, mas, é claro, como toda prática, requer disciplina e persistência.

O início talvez seja a parte mais difícil, que é quando você percebe o quão barulhenta é a sua mente. Contudo, a prática leva à excelência e logo você se perceberá, em diferentes momentos do dia, acolhendo a si mesmo nesse “lugar” tranquilo e silencioso da sua mente, não importa o quão barulhento esteja fora dela.

Os benefícios, facilmente observáveis por quem a pratica, chamaram a atenção de neurocientistas ao redor do mundo que passaram a se perguntar: o que a meditação estaria fazendo no cérebro dos seus praticantes?

Foi na tentativa de responder a esta pergunta que Richard Davidson, um neurocientista da Universidade de Winsconsin – Madison, nos Estados Unidos, resolveu estudar o cérebro de pessoas que passaram a vida inteira praticando a meditação. Em seus estudos, Davidson descobriu que o cérebro desses praticantes de longa data foi transformado em consequência desta prática. E, obviamente, transformado para melhor!

Uma parte do cérebro responsável pelas emoções positivas estava mais ativa nos meditadores, portanto, aumentando os níveis de bem-estar nesses indivíduos quando comparados ao cérebro de não praticantes. Mas, se você não é um praticante de meditação de longa data, não se preocupe, pois, começando hoje, em poucas semanas você já terá mudanças importantes no seu cérebro.

Foi esta a descoberta da neurocientista Sara Lazar, da Universidade de Harvard, também nos Estados Unidos, que analisou o cérebro de praticantes iniciantes de meditação, os quais praticaram em média 27 minutos por dia durante oito semanas.

Nesse estudo, Lazar descobriu que, após esse período, o cérebro destas pessoas aumentou a massa cinzenta em regiões relacionadas à autoestima, aprendizado, regulação emocional, empatia e até mesmo compaixão, sendo todas estas mudanças correlacionadas à melhora do bem-estar psicológico.

Além do mais, a área do cérebro responsável pelas respostas de medo e ansiedade estava diminuída nessas pessoas, o que favoreceu uma amenização do estresse. Tudo isso em apenas oito semanas de meditação!

Da tradição à neurociência, a meditação vem se mostrando não só como uma alternativa interessante nos cuidados à saúde mental, mas também como uma prática que nos aproxima do encontro que só uma mente silenciada pode nos oportunizar, que é o encontro com nós mesmos.

É o tal estado de libertação, já conhecido pelos ancestrais orientais muito antes que a neurociência ocidental pudesse inventar as ferramentas capazes de estudar os cérebros dos meditadores. E você, o que está esperando para experimentar os benefícios desta prática milenar? Hoje, é sempre o melhor dia!

 

Você sabia?

Para praticar a meditação você não precisa de um “espaço ideal”, do “tapete apropriado”, nem nada que te sirva como desculpa para não começar. Você só precisa de um tempo para você mesmo, seja onde for, seja quando e como for. Presenteie-se com este tempo! Um instante por dia já é tempo o suficiente para começar uma mudança que fará com que estes “instantes” tenham cada vez mais sentido na sua vida. Está lançado o desafio!

 

Fique atento!

O Laboratório de Neurociência Comportamental (LabNeC), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da UNISUL, desenvolve pesquisas referente à meditação e outros temas relacionados à saúde mental. Se você tem interesse em ser um pesquisador desta área, fique atento aos editais de mestrado e doutorado do PPGCS acessando a página da UNISUL, no link “Mestrado e Doutorado”. Confere lá!