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Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

EM TEMPO DE TRAGÉDIAS

Publicado em 12/02/2019 00h02

Temos assistido, abalados, as imagens dos desastres ocorridos no último mês no Brasil. Nestes novos tempos de aceleração dos processos de comunicação, o mundo parece bem menor e as tragédias parecem invadir nossos lares.

O descaso do poder público com as suas obrigações tem colaborado de forma decisiva para a ocorrência de desgraças anunciadas. As cenas chegam a nos provocar a sensação de estar diante de um espetáculo surrealista. Os problemas ocorridos são tão graves e intensos que há um impacto psicológico destes mesmo sob nós que o recebemos de forma indireta.

Os desastres brasileiros e até os mundiais sensibilizam a população e fazem com que psicólogos, psiquiatras e outros profissionais  da saúde mental, reflitam  o modo como o ambiente influi no psiquismo, bem como, as reações individuais e os impactos psicológicos nos grupos.

No caso das catástrofes, um evento da realidade incide com tal violência que acaba por romper formas previsíveis de funcionamento mental. Pensando sobre a especificidade e as consequência desses eventos sobre nós, Benyakar introduziu o conceito fato disruptivo. Ao propor o termo ele se refere a um evento externo capaz de romper a estabilidade psíquica de uma pessoa de forma avassaladora. O impacto poderá trazer sequelas inevitáveis, com menor ou maior nível de gravidade. Desamparo, sensação de abandono e perda de referenciais geram sentimentos únicos.

As situações limite contagiam a todos, mesmo os que não são vítimas diretas, ao trazer à realidade uma cena dramática em um nível de destruição com o qual é muito difícil lidar. A dor, a morte e o desamparo se evidenciam de tal forma, neste momento que, por esta razão, mesmo espectadores vivem a necessidade de assistir e rever, por inúmeras vezes, cenas dramáticas de uma tragédia. A assustadora possibilidade de “se tivesse acontecido comigo” gera identificação imediata e denuncia a vulnerabilidade humana, nos auxiliando na tentativa de elaborar esse conteúdo mental.

Diante de situações violentas, potencialmente desagregadoras, é fundamental o reconhecimento das nossas limitações, não só como indivíduos mas também como espécie humana, encontrando na relação com o outro a possibilidade de buscar soluções criativas para contornar o desamparo, a dor e a morte.


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