sexta, 22 de fevereiro de 2019
Facebook Instagram Twitter Youtube
48 3053-4400

Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

QUEM É QUE NÃO GOSTA DE CARINHO?

Publicado em 05/02/2019 00h24

Ao pensar sobre a importância do toque, do afago e da carícia nas relações entre as pessoas, é difícil não lembrar de um dos refrões musicais da minha infância. Na antiga música “Propagas”, Roberto Ribeiro cantava o refrão: “QUEM É QUE NÃO GOSTA DE CARINHO, QUEM É QUE NÃO GOSTA DE NINGUÉM...”.

Tanto quanto os demais órgãos dos sentidos, a pele é essencial no relacionamento entre os seres humanos. É fato a sua função no desenvolvimento saudável e, que perpassa a relação vincular com os filhos, outras relações de afeto, o ato sexual e a vida saudável em todas as fases.

Vários são os estudos científicos que relatam o papel essencial do contato físico para que os bebês tenham desenvolvimento físico, neurológico e psicológico (intelectual, emocional), dentro dos parâmetros considerados normais. Modernamente, sabe-se que quanto mais contato físico o bebê tiver, quanto mais prontamente for atendido em suas necessidades de aconchego e carinho, haverá uma maior tendência para que se sentia seguro e mais facilmente se desenvolva, inclusive, fisicamente.

Como o maior órgão do corpo humano, a pele constitui cerca de 15% do peso corporal. É responsável por proteger o organismo com múltiplas funções de proteção e equilíbrio e, é por meio dela que o sistema nervoso é informado permanentemente sobre o que se passa no ambiente, o que gera imagens mentais, emoções e sentimentos o tempo todo.  No dia-a-dia, a pele é conhecida, por grande parte das pessoas, por meio do sentido do tato e é considerada essencial no contato sexual.

No momento em que o corpo é tocado, são evocadas emoções, sensações e percepções. O problema é que, grande parte das pessoas, só se tocam durante o ato sexual. Em função disso é que os estímulos táteis recebidos e realizados no próprio corpo são tidos como reprováveis, o que pode gerar culpa, vergonha e medo com relação a esse, além do que, pode acabar tornando o ato sexual automatizado. É assim que o toque, o afago e as carícias são sexualizadas em nossa cultura, ao ponto das pessoas não mais tocarem os filhos após uma determinada idade em função da conotação sexual que pode revelar esse envolvimento físico. Isso pode causar prejuízo emocional à pessoa, porque a necessidade de contato físico, (já reconhecida como essencial na infância), permanece por toda a vida.

As pessoas que usam do contato físico nos relacionamentos, considerando naturais o toque, o afago e o carinho, têm mais possibilidades de se expressar, de dar e sentir prazer, e portanto estão mais aptos a ter atividade sexual consciente e satisfatória.

Anos atrás, orientei um Trabalho de Conclusão de Curso na universidade (UNISUL), em que pesquisávamos sobre como lidar com a criança considerada “problema” na escola. Na discussão dos vários resultados da pesquisa identificou-se que os alunos considerados problemas são os menos tocados, acariciados, afagados pelos professores. Do ponto de vista psicológico, esse fato está totalmente ao contrário ao que se deseja pois, o contato físico indica, além da proximidade corporal, a íntima relação psicológica entre os seres, o que facilitaria muito a mudança comportamental dessas crianças.

Como afirma o médico dermatologista Roberto Azambuja, “é fundamental para a vida equilibrada que as pessoas toquem as outras, aceitem ser tocadas pelas outras e toquem a si mesmas. Para tal é preciso dessexualizar o contato físico e tocar como simples reconhecimento do outro, para transmitir amor, amizade e estímulo, e aceitar o mesmo da parte dos outros.”.


VOLTAR
Notisul - Um Jornal de Verdade
LIGUE E ASSINE (48) 3053-4400 Rua Ricardo José Nunes, 346 - Jardins de Pádova - Santo Antônio de Pádua - CEP: 88701-571 - Tubarão/SC
Copyright © Notisul - Um Jornal de Verdade 2017. Desenvolvido por Demand Tecnologia e Bfree Digital