sexta, 22 de fevereiro de 2019
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Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

A última impressão

Publicado em 22/01/2019 00h10

Estudos do campo da psicologia provam que o dito ‘a primeira impressão é a que fica’ é verdadeiro. Grande parte das pessoas, já nos primeiros instantes, julga o outro a partir do que antecipadamente acredita corresponder àquele comportamento ou jeito de ser. Na infância, ouvia as pessoas dizerem que um dos meus irmãos tinha ‘cara e jeito de inteligente’. Hoje, com o conhecimento psicológico, tenho certeza de que o fato de muitos acreditarem auxiliou-o a se tornar um homem ‘bem sucedido’, pois a gente passa a se relacionar com alguém a partir das impressões que se tem, o que facilita com que o outro corresponda à expectativa. Os estudos psicológicos em relação à referida máxima enfatizam que quanto menos se conhece uma pessoa mais se emite julgamentos fixos sobre essa e são modeladas rapidamente as impressões sobre a mesma. Além disso, essas primeiras impressões não são tão facilmente modificáveis.

Por acreditar nesse ditado é que muitos procuram ‘causar boa impressão’ logo nos primeiros momentos. E assim, condenando a si mesmos, os primeiros encontros são marcados muito mais pelo que se quer aparentar do que por aquilo que se é de fato. O importante ‘é causar’, nos momentos iniciais. Mesmo que o julgamento da primeira impressão tenha sido positivo, não será definitivo, pois a convivência acaba por revelar o que realmente se é. O importante, em qualquer situação é refletir antes de procurar causar uma boa impressão, distante da real, afinal a melhor forma de se conhecer alguém e saber como de fato ele (ou ela) é está relacionado ao tempo de convivência.

Porém, o que quero destacar aqui não são as primeiras impressões, mas as últimas. Como psicóloga, é mais fácil lembrar às pessoas que a finitude faz parte da vida. Além da morte física há o encerramento de relacionamentos, empresas e situações. E não necessariamente estes são ruins. Acredito  que as últimas impressões que se tem da pessoa ou da situação são tão marcantes quanto as primeiras. Assim, me peguei pensando no que as pessoas fariam de diferente se soubessem que teriam apenas mais alguns dias com as pessoas com quem convivem. Quais as últimas impressões que se gostaria que as pessoas tivessem? Acredito que grande parte das pessoas gostaria que fosse lembrado pelo melhor que é, pelas suas características mais positivas como ser humano.

A consciência de quem eu quero ser  na vida  faz com que muitos sentimentos e situações deixem de ter importância, e evidenciado o que é essencial. O que é realmente importante se torna então mais fácil de lidar no momento do fim. Aquele que está partindo percebe que precisa exercer seu estado maior de ser humano, também nas últimas impressões. Talvez muitos laços fossem refeitos ao se pensar mais nas últimas impressões. As pessoas seriam mais amorosas e verdadeiras, pois grande parte das vezes reprimem as demonstrações afetivas com medo do que o outro vai pensar, ou com medo de si mesmos na expressão de seus próprios sentimentos. Perdão, aconchego, afeto e respeito, estas serão as palavras que mais irão lembrar os últimos momentos vividos com alguém, se passarmos a viver realmente o que somos de melhor.


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