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Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

UMA HISTÓRIA REAL: O “PATINHO” FEIO

Publicado em 28/11/2018 00h18

Você já ouviu a história “O patinho feio”? Nessa, o “pato”, foi chocado por uma pata e, quando sai do seu ovo, é visto como diferente por todos, pois era grande, cinza e desajeitado. Ao longo da história são narrados inúmeros acontecimentos pelos quais o “patinho” passa com sofrimento. Entre estes está o fato de se sentir rejeitado, inseguro e com baixa autoestima. Mas a história termina bem, quando o patinho percebe que, diferentemente da ninhada de irmãos, ele é na verdade um lindo cisne.

A análise desta história é elucidativa de vários aspectos psicológicos. Para começar, a questão do ser diferente e por isso, ser discriminado pelas demais pessoas. Nos dicionários se encontra como sinônimo de diferente: desigualdade, divergência, desacordo, discordância, controvérsia e prejuízo. Assim, todo o diferente, “o patinho feio”, é alguém que tende a ser recriminado por suas características.

Se por um lado o ser diferente é sinônimo de possibilidade de ser lesado, há outros significados para esta mesma palavra, como: discriminação, distinção, distinguir e ver bem. Assim, há vantagens em conviver com a diferença. No processo educacional, por exemplo, se pode usar delas para apreciar pontos de vista ou perspectivas diferenciadas de um mesmo fato.

Porém, quando não se consegue lidar de forma positiva com as diferenças, estas podem servir para sedimentar o preconceito. O “pato” poderia ter iniciado a reflexão de que ele era muito maior que os seus outros irmãos, que possuía uma cor diferente, que o seu andar não era o mesmo, que poderia ser uma ave de outra espécie. O que aconteceu? Por que ele não conseguiu pensar assim? Esta “trava intelectual”, que dificulta ao pato reconhecer as suas características e potencialidades, ocorre por causa do “freio moral/emocional”, disseminado pelos preconceitos do grupo e das pessoas que cercam a pessoa rotulada. A influência do que um grupo pensa e coloca como ideal é tão grande que poucos são aqueles que ousam pensar diferente dos demais. Pensar diferente pode ser percebido como um erro, um “pecado”, uma transgressão aos valores do grupo.

Outro aspecto a ser refletido com a história é o tipo de vínculo que se estabelece com as pessoas, com os filhos, os alunos e as demais pessoas. Em nenhum momento se vê a pata animando o “patinho” e contrapondo-se aos comentários maldosos das outras aves. Além disto, a pata-mãe se sente de tal forma pressionada pelo grupo, que também faz o movimento de exclusão do filho, aderindo ao modelo preconizado pelos demais. Os efeitos da falta de apoio psicológico ao filho são vivenciados pelo “patinho” ao longo da história: insegurança, baixa autoestima e fracasso.
Vale a pena pensar, “como sou… a será que a pata-mãe, as demais aves ou o próprio patinho?” Qual destes papéis estou desempenhando ao longo da vida?

Por fim, um grupo de cisnes consegue dar sentido às diferenças do “patinho” em relação ao seu grupo de origem. Ele era um cisne e, assim que se reconhece desta forma, passa a se ver com potencialidades diferenciadas, passa a se ver de outra forma...


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