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Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

ESCOLA E POLÍTICA

Publicado em 20/11/2018 00h22

Escrever sobre esse tema é refletir sobre um tabu em nossa sociedade. Muitos dizem: “Nada de política na escola!”, como se a própria instituição escolar não fosse um fato político.
Brevemente indico nesse texto algumas questões que me chamam a atenção seja como cidadã e também profissional da área da psicologia educacional.

Em primeiro lugar, salienta-se a qualidade da escola e dos professores. As mudanças relativas a grande disparidade entre as classes sociais e as condições de vida só serão possíveis com a efetivação do direito de estudar em escolas públicas que tenham professores muito bem formados, reconhecidos e bem remunerados. Além disso, a infraestrutura adequada para o ensino e a pesquisa é necessária ao desenvolvimento das capacidades de pensar, analisar, refletir, muito além do moderno reproduzir, tão sugerido ainda pelo “hábito escolar”.

Um segundo aspecto é que as capacidades como a de pensar e de criar só serão possíveis com a contribuição do ensino que vem principalmente da área de Humanas. Ter contato com a cultura de forma diversa, aprender várias línguas estrangeiras, além das disciplinas convencionais - como Português, História, Geografia e Literatura, estudar a Filosofia e a Sociologia, facilita a formação do espírito crítico e questionador.

A educação escolar só se modificará quando a escola pública melhorar a qualidade de seu ensino.

Um ensino em que as pessoas não sejam vistas como desiguais em função da sua condição econômica e social. Uma escola pública diferente, onde as diferenciações venham da personalidade das pessoas (sua forma de pensar, sentir e agir), do modo de se relacionar com os estudos, das amizades pois, como afirmava a filósofa alemã Hannah Arendt, a política “trata-se da convivência entre diferentes”, pois a política “baseia-se na pluralidade dos homens”.

Embora essa visão, existem algumas divergências sobre o tema pois, para alguns, política é somente a ciência do poder e para outros é a ciência do Estado.

Tratar de política na escola não envolve doutrinar as crianças segundo algumas crenças, mas, desenvolver atividades que propõem aos estudantes reflexão para encontrar suas próprias explicações sobre o mundo político que os rodeia, sobre a sua vida.

Embora possam ser abordados assuntos como eleições e representação, o enfoque principal está na política do cotidiano, no sentido de que todos são agentes políticos e têm capacidade de interferir no meio social em que estão inseridos.

Enfim, acredito em um modelo educacional público que mude essa realidade e que incentive a produção de conhecimento e a criatividade, que não limite as pessoas, mas, que aceite as suas particularidades. Uma escola sem opressão que desenvolva o senso crítico nos alunos para que estes possam questionar e não apenas aprender a seguir padrões estabelecidos. Uma educação libertadora!


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