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Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

AMIZADE COM FILHOS

Publicado em 06/11/2018 00h10

Ao nascer, a criança só aprende, ou seja, os pais e as demais pessoas que a rodeiam  só ensinam.  À medida que os filhos vão crescendo e aprendendo também com o “mundo” (na relação com os meios de comunicação, na escola, e também com suas próprias experiências), os pais passam a também aprender com a criança. Esse processo é crescente, culminando com o momento em que os filhos se tornam adultos. Nessa etapa da vida, ensinar e aprender é tarefa comum entre pais e filhos.

Mas até chegar a esse momento, a relação educacional com os filhos requer muito mais que simplesmente o sentimento de amar para educar. Essa ideia pode descambar para os perigos da permissão excessiva com o filho em razão desse sentimento. Nesse pensamento encontramos aqueles que não dizem não ao filho porque ele pode não gostar. Que diante do choro da criança, voltam atrás em todas as suas posições, porque o filho não gostou... Muitos ainda alegam: sou AMIGO do meu filho!

Por outro lado, há pais que, diante desse quadro, não acreditam na AMIZADE com os filhos.  Para muitos desses amar os filhos é educá-los através da determinação de regras que devem ser sempre cumpridas. Uma proximidade emocional com os filhos alteraria a referência de autoridade e, portanto, os filhos não obedeceriam mais, o que dificultaria a sua missão.

“Amigo” vem do vocábulo latino “amicus”. Na raiz de “amicus” está o verbo “amo”, que significa “gostar de”, “amar”. Assim, etimologicamente ser amigo é amar alguém. E o amor é muito mais do que um sentimento. Quem ama conhece, cuida, respeita e dá atenção as necessidades de seu amigo. O que obviamente não significa permitir tudo o que o outro quer. Mesmo para amar, necessário se faz estabelecer limites na relação. O que também não quer dizer que estes limites não possam ser repensados, questionados, que sejam inflexíveis.

Em todas as relações é necessária a presença da amizade no sentido do companheirismo, de se interessar pelas ideias e pela vida do outro, pelo que ele faz, do que gosta. Não exacerbar os defeitos do outro e dividir os bons e maus momentos. Na amizade há uma proximidade emocional tamanha que ensinar e aprender são funções comuns aos membros dessa relação. Assim, amar os filhos requer que estabeleçamos com eles também uma relação de amizade desde pequenos, para que isso se perdure ao longo da vida.

Há pais que, embora amem seus filhos, não conseguem ao longo da vida estabelecer com eles uma relação de amizade, o que dificulta a proximidade com eles depois de adultos. Por mais que amem e saibam que são amados por seus filhos, não conseguem passar do ensinar ou do cuidar deles, o que acaba distanciando física e emocionalmente os filhos dos pais, à medida que estes vão crescendo.

Fundamental na amizade é se interessar pela vida do outro. A amizade na relação com os filhos está diretamente relacionada ao interesse que os pais têm pelo que eles sentem, pensam e fazem. O que requer ouvir as músicas que eles gostam, assistir filmes com eles, se interessar pelo que eles se interessam. A relação de amizade facilita o ensinar e o aprender com os filhos, pela proximidade emocional que este sentimento traz a qualquer tipo de relação.


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