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Caminhos da Educação - Patrícia Pozza

Feminismo, feminazi e femismo (parte II - final)

Publicado em 23/10/2018 00h56

Na primeira parte do texto, publicada no último dia 2, nesta coluna, os conceitos de feminismo e feminazi foram descritos. Apresentei brevemente o conceito de femismo e quero encerrar este texto escrevendo um pouco mais sobre ele.

Volto a afirmar de que há os que não se reconhecem feministas pelo mal-estar que sentem ao lembrar da violência que a mulher ainda sofre e também não participam do movimento pois este denuncia este fato. Em geral, grande parte das pessoas não gosta de “falar sobre coisas ruins”, como no senso comum se costuma dizer. Há os que se sentem angustiados ao verem declarada as agressões que são evidentes na nossa sociedade através de exemplos  de casos de mulheres que falam abertamente sobre o que sofrem, ou a identificação dos números  trazidos pelos órgãos competentes que evidenciam isso, e também, há os que têm a superstição de que falar sobre algo considerado ruim, atrai, como um imã, estas situações de violência para si e para os próximos. Fora ainda, os que se sentem mal pois se dão conta da violência contra a mulher muito próxima em sua família ou comunidade e tem medo de denunciá-la, por diferentes motivos.

Há também os que se sentem agredidos com a forma e a proposta do feminismo, o que facilitou o surgimento de termos como feminazi, associados à ideia de mulheres mal-amadas, raivosas, lésbicas, que não se depilam e odeiam homens.  Como se quem é feminista não pudesse escolher ser feminina, ter filhos e escolher trabalhar só em casa.

O feminismo sustenta a ideia e a necessidade da prática dos mesmos direitos entre os sexos e tratamento de forma igualitária. Ser feminista não está atrelado à orientação sexual ou a forma de se vestir ou ao ódio aos homens. Isso não tem relação com feminismo, mas ao femismo. Em função destes preconceitos, há muita dificuldade de se autointitular feminista.

O femismo é assim considerado o sinônimo do machismo (ao mesmo tempo que é seu oposto), pois trata-se de uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem, e que prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual, neste caso, baseada no regime matriarcal. Alguns teóricos consideram que há feministas radicais que pregam o femismo.

A imagem deturpada do movimento feminista vem sendo progressivamente desconstruída e muito disso se deve a uma nova percepção das pessoas do século 21. Costumes contemporâneos serão ressignificados, da mesma forma que tantos outros já foram. O feminismo liberta as pessoas das práticas conservadoras. Quando homens e mulheres se reconhecem feministas, eles revelam que acreditam na igualdade de direitos e colocam isto em prática em suas relações.

“Queimar o sutiã”, figurativamente, é  ainda hoje procurar se livrar de tudo o que oprime a mulher: a violência legal, o autoritarismo masculino, a dependência dos pais, os baixos salários, a subordinação aos maridos, os padrões estéticos, a arcaica estrutura familiar que não condiz com a nossa realidade de mulheres, que trabalhamos muito em casa e fora de casa, para sustentar nossos lares, nossos filhos, nossos amores.


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