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Como surgirão os empreendedores de 2029?

Publicado em 30/04/2019 00h13

Como surgirão os empreendedores de 2029?

Prof. Dr. Marcos Marcelino Mazzucco
Coordenador dos cursos de Engenharia Química e Engenharia de Controle e Automação na UNISUL (marcos.mazzucco@unisul.br)

Carl Sagan, famoso cientista, astrônomo e astrofísico nascido nos EUA, foi muito popular por promover a ciência em todas as suas formas. Mesmo aqueles que não lembram de seu nome e de sua história partilharam, inconscientemente, de seu amor pela descoberta e sua ansiedade em levar o prazer da ciência para as populações de todas as idades e formações escolares. O filme “Contato”, protagonizado pela atriz Jodie Foster, juntamente com a série de ficção científica “Cosmos”, narrada por ele mesmo, estimularam muitas pessoas nos anos de 1980 a experimentar a ciência daquele cientista que saiu dos laboratórios, salas de aula e auditórios. Hoje diríamos que ele buscou “espaços de aprendizagem” diferenciados, modernismo para uns, história para outros.
Em um de seus livros ele descreveu a realidade norte americana nas décadas de 1970 e 1980: um grande crescimento econômico com muitas oportunidades de trabalho e dinheiro acessível à população. Como resultado disto era fácil para a classe média norte americana obter um rendimento anual de U$100 mil. Em um período de cinco anos, isto representaria meio milhão de dólares. Por que esta contagem? Porque é o tempo necessário para formar um engenheiro. No pensamento popular estava “por quê estudar engenharia durante 5 anos se meu filho pode receber meio milhão de dólares neste período?”.

No pensamento de Sagan estava: “Como surgirão os engenheiros de nosso país e que farão nosso futuro daqui a dez anos?” E mais, ele descreveu sua preocupação de que em países como a China e o Japão o pensamento da época era outro. E ainda estendeu o pensamento na seguinte direção: estes países enviam seus jovens para estudar em faculdades e cursos de mestrado e doutorado nos EUA e, assim, projetam seu futuro tecnológico, enquanto nossos jovens (e seus pais) são imediatistas e não pensam em reforçar o país que os conduzirá por muito mais do que dez anos.

Contribuindo em palestras, mantendo um programa de rádio e uma série de TV e escrevendo romances de ficção científica (que resultaram em filmes), estimulou e provocou os norte-americanos a fazerem o “nacionalismo tecnológico” e não perderem o espírito empreendedor ancestral que foi a base daquele país. Uma bela e inspiradora história que espelha muito da nossa realidade atual.

Observe bem e note que o reflexo no espelho é invertido da esquerda para a direita, ou seja, ao tocar no espelho com sua mão esquerda, você toca o lado direito da imagem em reflexo.
No Brasil de 2019, não temos o vigor econômico dos EUA da década de 1980, mas precisamos manter nossos empregos e abrir oportunidades para aqueles que chegarão ao mercado de trabalho nos próximos dez anos e, mais ainda, isto precisa manter-se estável por mais que dez anos. Parece que são realidades contrárias, como no espelho, mas tudo o que está refletido no espelho comporta-se como é do outro lado.

O movimento de um depende do outro, são faces da mesma realidade. Precisamos de empreendedores sociais para atuar nas políticas de estado, pais e professores com visão empreendedora para estimular os estudantes e, principalmente e essencialmente, jovens com espírito empreendedor que invistam mais de seu tempo sonhando, imaginando e promovendo soluções para as necessidades do país e gastem menos tempo em banalidades ou queixando-se de que a situação está ruim ou que os conteúdos escolares são complexos e difíceis. A natureza é complexa e explorar esta complexidade, em todas as suas formas, é o desafio da espécie humana. Os empreendedores de 2029 surgirão da inteligência, da criatividade e da força de vontade daqueles que aceitarem que as dificuldades são oportunidades, mais do que barreiras.

Você sabia?
O Brasil importou US$ 43,3 bilhões em produtos químicos em 2018, um aumento de 16,4% em relação a 2017, segundo a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química). Embora isto esteja relacionado também com a tímida retomada do crescimento econômico, há um viés muito perigoso: está acontecendo uma retração na produção nacional de importantes produtos químicos, inclusive para a agricultura. Pense que a água que você bebe e a comida de cada dia dependem, fundamentalmente, de produtos químicos e que a indisponibilidade deles ou aumento de preço pode mudar muito sua vida.

Fique atento!

Nos dias 24, 25 e 26 de maio, o município de Tubarão sediará a terceira edição do Startup Weekend, evento de formato internacional de grande relevância na área de empreendedorismo. São 54 horas ininterruptas de oficinas, mentorias e modelagens, que mesclam teoria e prática e permitem que os participantes vivenciem a dinâmica de criação de um negócio em todas as suas etapas; com premiação no final.


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