Se por um lado alunos do Energia de Criciúma aguardam vaga para estudar no colégio em Tubarão, por outro já há pais da Cidade Azul mobilizados para pedir transferência para outras escolas. Isso porque têm medo da franquia tubaronense também fechar e deixar os estudantes na mãe.
Cristiane Antunes Zappelini tem um filho no 1º ano do ensino médio. Por enquanto, vai deixá-lo na instituição, mas teme o que pode vir pela frente. “Vou deixar pelo menos uma semana, depois verei o que ocorrerá”, explica ela, que começou a já procurou outra escola para matriculá-lo.
E não apenas o filho de Cristiane poderá trocar de escola. “Quase a turma inteira pode sair”, revela. A mãe conta que algumas reuniões entre pais e direção já ocorrerem. A última, na manhã desta sexta-feira. “Tudo está muito confuso, ninguém sabe de nada”, revela.
Especula-se que o nome do colégio poderá mudar e que outras redes de ensino já procuraram a administração da escola. Conforme alguns pais, a poucos dias do início do ano letivo, ainda não se sabe se o material escolar será mantido.
O diretor do colégio em Tubarão, Ronnie Peterson Baasch, nega que haja qualquer tipo de ligação com a unidade de Criciúma. “São empresas diferentes, com CNPJ diferentes”, garante.
A administração garante que as aulas começam nesta segunda-feira. Ronnie também lembra que alguns alunos de Criciúma estão matriculados na instituição e ainda há outros na fila de espera. A escola espera receber atender 800 alunos este ano.
Em Criciúma, o problema veio à tona após o cumprimento de uma ordem de despejo contra a escola, por não pagamento do aluguel desde dezembro de 2008. A dívida chega a R$ 3,8 milhões. Ronnie garante que em Tubarão todas as contas estão em dia, inclusive os salários dos professores. “O aluguel de janeiro será pago no dia 20 deste mês”, assegura.
Falência é declarada
Na tarde desta sexta-feira, o Colégio Energia de Criciúma emitiu uma nota oficial para esclarecimentos. O documento, assinado pelo diretor geral da instituição, Ugo Accasto, declara a falência da escola e as medidas que serão tomadas até o prédio ser entregue aos responsáveis.
O diretor, que assumiu a instituição em 2006, explica, através do documento, que nesta época já havia dívidas. Para ele, foi um erro manter o colégio aberto. O Energia de Criciúma providencia a entrega de documentos para os alunos. Conforme o comunicado, este serviço ficara ao cargo do corpo jurídico, que deve encontrar um espaço físico apropriado para a ação.
Apenas é permitida a retirada, do prédio, de pertences pessoais de funcionários. Todos os objetos, como lousas digitais, aparelhos de ar-condicionado, móveis e computadores, serão deixados no local. Eles ficaram à disposição da justiça, que dará o destino para indenizar os prejudicados. Além dos patrimônios da escola de Criciúma, conforme a nota emitida, ainda há cerca R$ 2 milhões em cobranças de pais inadimplentes. Esses valores vão colaborar com a reparação dos prejuízos.
Escola de Criciúma adia o início do ano letivo
Pelo menos dois mil alunos de Criciúma precisam procurar novas escolas para estudar. O fechamento do Colégio Energia pegou muitos pais de surpresa. Há muita correria para encontrar vagas. As instituições de ensino solidarizaram-se com a situação dos pais. Alguns colégios abriram novas turmas. O Colégio Michel adiou o início das aulas. O ano letivo que, deveria começar neste segunda-feira, foi adiado para o próximo dia 22.